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Tarcísio não cita Flávio Bolsonaro no horário eleitoral; Derrite e Prado destacam ligação com governador

Guilherme Derrite e André do Prado exploraram a proximidade com o governador, enquanto Fernando Haddad apresentou críticas à atual gestão; propaganda presidencial começa neste sábado (29)


A estreia do horário eleitoral gratuito em São Paulo, nesta sexta-feira (28), foi marcada pela aproximação dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) com o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Os dois candidatos utilizaram seus primeiros programas para destacar a participação no atual governo paulista e reforçar uma relação política direta com Tarcísio. Em contrapartida, o programa do governador não mencionou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

As candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) adotaram uma estratégia diferente. Ambas concentraram as propagandas em suas trajetórias pessoais e deixaram em segundo plano a ligação com candidatos ao governo de São Paulo ou à Presidência da República.

O primeiro programa foi transmitido pelas emissoras de rádio às 7h e reuniu propagandas dos candidatos aos cargos de governador, senador e deputado estadual.


Tarcísio não cita Flávio Bolsonaro no primeiro programa

O programa de Tarcísio de Freitas não apresentou referências a Flávio Bolsonaro. A ausência chamou a atenção porque o governador tem evitado manifestar um apoio mais enfático ao candidato presidencial do PL.

A propaganda concentrou-se na candidatura estadual e na divulgação do número de urna do governador. A apresentadora do programa reforçou a orientação aos eleitores para evitar erros no momento da votação.

“Não pode errar o número, viu?”, afirmou a locutora durante o programa.

A preocupação da campanha está relacionada ao resultado das eleições anteriores. Na ocasião, mais de meio milhão de votos para o governo estadual foram anulados depois que eleitores digitaram o número 22.

Embora Tarcísio tivesse o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, ligado ao PL, o governador disputava a eleição pelo Republicanos. Por isso, seu número correto era o 10, e não o 22. O mesmo cenário partidário e numérico volta a ocorrer em 2026.


Campanha reforça número de urna de Tarcísio

A estratégia do programa indica que a campanha considera prioritário evitar uma repetição dos votos anulados registrados na eleição passada.

Tarcísio continua filiado ao Republicanos, partido identificado pelo número 10. Já o número 22 permanece associado ao PL, legenda da família Bolsonaro e de importantes aliados do governador.

A orientação deverá ser repetida ao longo da campanha para garantir que os eleitores compreendam a diferença entre os números utilizados nas disputas estadual e presidencial.

Ao deixar Flávio Bolsonaro fora da estreia, a propaganda de Tarcísio também manteve o foco exclusivamente na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O programa não apresentou uma vinculação direta entre as duas candidaturas.


Derrite utiliza fala de Tarcísio sobre segurança pública

Guilherme Derrite utilizou em seu programa uma declaração de Tarcísio de Freitas sobre os resultados da segurança pública em São Paulo.

A participação do governador ajudou a reforçar a ligação entre o candidato ao Senado e a atual administração estadual. A estratégia também permitiu que Derrite utilizasse a segurança pública, uma de suas principais bandeiras políticas, como tema central da estreia.

Ao apresentar uma fala de Tarcísio, a campanha procura mostrar Derrite como integrante do projeto político representado pelo governador e como um candidato com o reconhecimento direto do chefe do Executivo paulista.

A segurança deverá continuar entre os principais assuntos utilizados pelo candidato durante o horário eleitoral, especialmente por sua participação na gestão estadual.


André do Prado se apresenta como braço direito do governador

O candidato André do Prado também destacou sua proximidade com Tarcísio. Durante a propaganda, ele se definiu como “braço direito” do governador na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A declaração busca associar sua candidatura ao Senado à atuação política da atual gestão dentro da Alesp. Prado aposta na relação com o governo estadual para ampliar seu reconhecimento entre os eleitores.

A estratégia dos dois candidatos mostra que a imagem de Tarcísio deverá ter papel central na disputa pelas vagas paulistas no Senado. Tanto Derrite quanto Prado procuram apresentar suas candidaturas como parte da continuidade do atual governo.

Apesar de Flávio Bolsonaro não ter sido citado no programa do governador, André do Prado pertence ao mesmo partido do candidato presidencial.


Simone Tebet e Marina Silva priorizam histórias pessoais

Simone Tebet e Marina Silva seguiram um caminho diferente na estreia. Em vez de priorizarem alianças eleitorais, as candidatas concentraram seus programas em suas próprias trajetórias políticas e pessoais.

As relações com as chapas ao governo de São Paulo e com as candidaturas presidenciais apareceram em segundo plano.

A decisão permite que ambas apresentem suas identidades políticas antes de aprofundarem o debate sobre alianças. Também ajuda as campanhas a introduzir as candidatas ao eleitorado paulista por meio de experiências pessoais, cargos ocupados e causas defendidas ao longo da vida pública.

A disputa pelo Senado tende a envolver estratégias diferentes. Enquanto alguns candidatos buscam transferir a popularidade do governador, outros procuram construir uma imagem mais independente.


Haddad critica governo estadual e associa campanha a Lula

No campo da oposição, o programa de Fernando Haddad (PT) direcionou críticas à administração de Tarcísio de Freitas.

A propaganda também apresentou um jingle que relaciona o nome de Haddad ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A estratégia busca vincular a candidatura estadual ao governo federal e fortalecer a identificação do candidato com o eleitorado petista.

Enquanto os aliados de Tarcísio utilizaram a imagem do governador, Haddad procurou estabelecer uma disputa direta entre os resultados da atual gestão paulista e o projeto político apoiado por Lula.

O contraste apresentado na estreia indica que a campanha estadual deverá ser nacionalizada em diferentes momentos, mesmo com Tarcísio evitando, inicialmente, uma associação explícita com Flávio Bolsonaro.


Ausência de Flávio indica estratégia cautelosa

A decisão de não citar Flávio Bolsonaro não significa necessariamente um rompimento político. No entanto, demonstra uma postura mais cautelosa da campanha de Tarcísio na estreia da propaganda eleitoral.

O governador recebeu apoio da família Bolsonaro na eleição anterior e mantém aliados ligados ao PL em sua coligação. Mesmo assim, tem evitado declarações mais enfáticas em favor da candidatura presidencial do senador.

A campanha poderá tentar preservar uma identidade estadual e ampliar o alcance de Tarcísio entre eleitores que não necessariamente apoiam Flávio Bolsonaro na disputa nacional.

Ao mesmo tempo, candidatos aliados ao governador buscam utilizar sua imagem e os resultados da administração estadual para conquistar votos em São Paulo.


Propaganda será exibida quatro vezes por dia

O horário eleitoral gratuito do primeiro turno será exibido quatro vezes por dia, sendo duas transmissões no rádio e duas na televisão.

Os programas irão ao ar seis vezes por semana, de segunda-feira a sábado, até o dia 1º de outubro. Além dos blocos reservados à propaganda, os candidatos também terão inserções distribuídas durante a programação das emissoras.

O tempo destinado a cada partido, federação ou coligação é calculado de acordo com a representação das legendas na Câmara dos Deputados.

As campanhas com bancadas maiores contam com mais tempo para apresentar propostas, destacar candidatos aliados e responder aos adversários.


Cargos aparecem em sistema de rodízio

A Justiça Eleitoral organiza os programas em um sistema de rodízio. Os cargos apresentados na propaganda são alterados de acordo com o dia.

As candidaturas a governador aparecem no mesmo grupo das disputas para senador e deputado estadual. Já os candidatos à Presidência da República dividem o horário com os concorrentes a deputado federal.

Por isso, o primeiro programa desta sexta-feira apresentou as campanhas estaduais e do Senado. A propaganda presidencial será exibida pela primeira vez neste sábado (29).

A estreia dos candidatos à Presidência deverá revelar como cada campanha pretende se relacionar com seus palanques estaduais e quais aliados serão utilizados para fortalecer as candidaturas em São Paulo.


Primeiro programa antecipa estratégias em São Paulo

A estreia do horário eleitoral apresentou algumas das principais estratégias que deverão marcar a campanha paulista.

Derrite e André do Prado apostam na proximidade com Tarcísio para fortalecer suas candidaturas ao Senado. Simone Tebet e Marina Silva procuram destacar suas trajetórias, enquanto Haddad vincula sua campanha a Lula e intensifica as críticas ao atual governo estadual.

Tarcísio, por sua vez, priorizou a divulgação de seu próprio número de urna e evitou associar diretamente sua campanha à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

A partir deste sábado, com a entrada dos presidenciáveis no horário eleitoral, as alianças nacionais deverão ganhar mais espaço e tornar mais clara a estratégia adotada por cada grupo político em São Paulo.