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Empresário ligado a repasses para filme sobre Bolsonaro negocia delação com a PGR

Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, teria intermediado pagamentos para “Dark Horse”; proposta de colaboração foi enviada ao ministro André Mendonça e aguarda homologação


A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a proposta de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Ele é proprietário da Entre Investimentos e Participações, empresa apontada como intermediária de repasses destinados ao financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo investigadores, a companhia teria sido usada para transferir parte dos recursos direcionados à produção cinematográfica. Freixo Júnior também seria responsável por buscar moeda para viabilizar pagamentos realizados em dinheiro vivo.

A proposta de colaboração foi encaminhada ao gabinete do ministro André Mendonça, relator no Supremo das investigações relacionadas ao Banco Master. O acordo ainda precisa ser homologado e não há prazo para que o magistrado tome uma decisão.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que a Entre Investimentos recebeu R$ 159,2 milhões de fundos ligados ao Banco Master e investigados pela Polícia Federal. Não há informação, contudo, sobre quanto desse valor foi efetivamente destinado à produção de “Dark Horse”.


Proposta de delação aguarda decisão de André Mendonça

O acordo de colaboração firmado por Antônio Carlos Freixo Júnior foi enviado pela PGR ao Supremo para análise de André Mendonça.

Antes de homologar uma delação premiada, o ministro deve avaliar aspectos como a legalidade do acordo, a regularidade das condições negociadas e a manifestação voluntária do colaborador.

A homologação não representa a confirmação das acusações apresentadas. Ela permite que a colaboração passe a produzir os efeitos jurídicos previstos no acordo, enquanto as informações fornecidas ainda precisam ser verificadas por meio de provas independentes.

O ministro não possui prazo para decidir sobre a proposta. Até a homologação, os termos detalhados da colaboração e os possíveis fatos relatados pelo empresário permanecem sob reserva.


Empresa teria intermediado valores para “Dark Horse”

Segundo os investigadores, a Entre Investimentos e Participações teria atuado como uma das intermediárias de pagamentos determinados pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Parte desses valores teria sido destinada ao projeto “Dark Horse”, produção cinematográfica que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. O ator norte-americano Jim Caviezel interpreta o ex-presidente no filme.

As investigações procuram esclarecer a origem dos recursos, o caminho percorrido pelo dinheiro e a relação entre as empresas e os fundos envolvidos nas transferências.

Também está sob apuração a participação de Freixo Júnior na obtenção de moeda para pagamentos em espécie. Os investigadores buscam determinar quais operações foram realizadas, quem recebeu os valores e qual era a finalidade dos repasses.


Entre Investimentos recebeu R$ 159,2 milhões

Relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf apontam que a Entre Investimentos recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal por possível participação em fraudes relacionadas ao Banco Master.

A maior parte do dinheiro, aproximadamente R$ 139,2 milhões, foi transferida pela Sefer Investimentos. A empresa esteve entre os alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro de 2026, e é investigada por suas relações com Daniel Vorcaro.

Outros R$ 20 milhões foram enviados pelo fundo Gold Style, administrado pela gestora Reag e também relacionado ao ex-controlador do Banco Master.

Apesar do volume das transferências, ainda não foi esclarecido quanto dos R$ 159,2 milhões recebidos pela Entre Investimentos chegou à produção do filme sobre Bolsonaro.

Os relatórios do Coaf registram movimentações consideradas relevantes, mas não representam, por si só, prova definitiva da prática de crimes. Os dados servem como ponto de partida para que os investigadores analisem a origem, os destinatários e a finalidade dos recursos.


Grupo Entrepay foi liquidado pelo Banco Central

A Entre Investimentos integra o grupo Entrepay, que foi liquidado pelo Banco Central em março de 2026.

Segundo as informações divulgadas sobre a medida, a liquidação ocorreu devido ao comprometimento da situação econômico-financeira do grupo, à identificação de irregularidades no cumprimento das normas do setor e à existência de prejuízos capazes de expor credores a risco anormal.

A liquidação representa a interrupção das atividades da instituição e o início de um procedimento destinado a apurar obrigações, ativos e responsabilidades.

As investigações relacionadas ao Banco Master procuram esclarecer se companhias e fundos inseridos nessa rede foram utilizados para realizar transferências, ocultar a origem de valores ou atender a determinações de Daniel Vorcaro.

A eventual participação de cada pessoa ou empresa ainda depende da análise das provas e da conclusão dos inquéritos.


Acordo para o filme previa R$ 124 milhões

O financiamento previsto para “Dark Horse” alcançaria R$ 124 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido pagos por Daniel Vorcaro.

As transferências eram realizadas em dólares e encaminhadas ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos. A instituição administrava os valores e fazia os repasses à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.

Entre os administradores do fundo estava Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Os investigadores analisam documentos financeiros, operações de câmbio e informações reunidas pelo Coaf para determinar como os pagamentos foram estruturados.

A apuração também procura esclarecer se todo o dinheiro tinha origem regular, quais pessoas participaram da organização das transferências e se os valores foram integralmente empregados na produção cinematográfica.


Vorcaro teria feito sete repasses para a produção

Informações reveladas durante as investigações indicam que Daniel Vorcaro realizou sete repasses destinados ao financiamento de “Dark Horse”.

Dois pagamentos teriam sido de US$ 2 milhões, enquanto outros quatro foram de US$ 1,6 milhão. Essas seis operações ocorreram até maio de 2025.

Um sétimo repasse, também de US$ 1,6 milhão, teria sido efetuado em setembro de 2025. O novo pagamento foi identificado pelo Coaf e aparece em um dos inquéritos conduzidos pela Polícia Federal.

Somados e convertidos para a moeda brasileira no período das operações, os pagamentos teriam alcançado aproximadamente R$ 61 milhões.

A Polícia Federal procura identificar os responsáveis pela determinação, intermediação e recebimento das transferências. Também são analisadas eventuais mensagens e cobranças relacionadas aos pagamentos.


Pagamento ocorreu após cobrança atribuída a Flávio Bolsonaro

O repasse adicional de US$ 1,6 milhão teria sido realizado dias depois de uma cobrança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atualmente candidato à Presidência da República.

Segundo as informações reveladas sobre o caso, a cobrança estaria relacionada a parcelas atrasadas do financiamento do filme.

A proximidade temporal entre a suposta cobrança e o pagamento passou a integrar a apuração. Os investigadores deverão verificar o conteúdo e o contexto das comunicações, além de determinar qual era a participação de cada pessoa nas tratativas financeiras.

A menção ao senador nas informações investigadas não representa conclusão sobre responsabilidade criminal. A Polícia Federal ainda analisa os elementos reunidos nos inquéritos.


Fundos ligados ao Banco Master estão sob investigação

As movimentações envolvendo a Entre Investimentos fazem parte de uma investigação mais ampla sobre fundos e empresas relacionados ao Banco Master.

A Polícia Federal apura suspeitas de fraude e operações financeiras utilizadas para movimentar ou ocultar recursos. Parte das empresas analisadas teria mantido negócios ou recebido valores de instituições ligadas a Daniel Vorcaro.

O fundo Gold Style, administrado pela Reag, teria movimentado quase R$ 1 bilhão de companhias apontadas pela PF como integrantes de um esquema de lavagem de dinheiro de uma organização criminosa no mercado financeiro.

A investigação tenta determinar se os fundos tinham atividades econômicas legítimas, se foram utilizados para circular recursos entre empresas relacionadas e quem eram os verdadeiros beneficiários das operações.


Dono da Reag também assinou acordo com a PGR

A proposta de colaboração de Freixo Júnior foi assinada no mesmo dia do acordo firmado por João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag.

As duas delações foram negociadas no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master e encaminhadas ao gabinete de André Mendonça.

Assim como ocorre com a proposta de Freixo Júnior, o acordo de Mansur ainda precisa ser homologado pelo ministro do STF.

As possíveis informações apresentadas pelos dois empresários poderão ser comparadas com documentos bancários, relatórios do Coaf, mensagens, contratos e depoimentos já reunidos pelos investigadores.

Caso os relatos mencionem outras pessoas, a PGR e a Polícia Federal precisarão buscar provas que confirmem de maneira independente as declarações.


O que é uma delação premiada

A delação premiada, também chamada de colaboração premiada, é um instrumento utilizado em investigações criminais para obtenção de provas.

Por meio do acordo, um investigado se compromete a relatar fatos ilícitos dos quais tenha participado ou sobre os quais possua conhecimento direto. Ele também deve apresentar elementos que permitam comprovar as informações fornecidas.

Em troca da colaboração efetiva, o Estado pode conceder benefícios previstos em lei, como redução de pena ou outras condições negociadas de acordo com a relevância das informações.

A defesa do colaborador deve apresentar documentos, indicar provas e descrever adequadamente os fatos. O investigado também precisa revelar os atos ilícitos relacionados ao objeto da apuração dos quais tenha participado.

As declarações de um colaborador não são suficientes, isoladamente, para fundamentar uma condenação. Os fatos precisam ser confirmados por outras evidências obtidas durante a investigação.


Colaboração pode ampliar investigação do caso Master

Caso seja homologada, a delação de Antônio Carlos Freixo Júnior poderá ajudar os investigadores a reconstruir as movimentações realizadas pela Entre Investimentos.

A expectativa é que o empresário esclareça a origem dos valores recebidos, as ordens de pagamento atribuídas a Daniel Vorcaro, os destinatários das transferências e o funcionamento das operações envolvendo moeda em espécie.

A colaboração também poderá fornecer informações sobre o financiamento de “Dark Horse” e explicar quanto dos recursos movimentados pela empresa foi efetivamente aplicado no filme.

Até o momento, entretanto, o conteúdo integral do acordo não foi divulgado e as informações relatadas ainda dependem de comprovação. A proposta permanece sob análise do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal.