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Lito Sousa deixa hospital e inicia cuidados paliativos em casa com suporte 24 horas por dia

Diagnosticado com a rara doença de Creutzfeldt-Jakob, influenciador continuará sob cuidados paliativos e acompanhamento de enfermeiros durante 24 horas


O influenciador Lito Sousa, de 59 anos, deixou o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, depois de permanecer internado por mais de 20 dias. Desde terça-feira (1º), ele recebe cuidados paliativos em casa, segundo informações confirmadas por sua assessoria.

A residência foi adaptada por Mila Seidl, esposa do influenciador, para oferecer a estrutura necessária ao atendimento domiciliar. Uma equipe formada por quatro enfermeiros trabalha em sistema de revezamento para acompanhá-lo durante 24 horas.

Lito foi diagnosticado em agosto com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), condição neurológica rara, progressiva e atualmente sem tratamento capaz de reverter seu curso.

Mesmo com o início dos cuidados paliativos, a família continua buscando a inclusão do influenciador em estudos experimentais conduzidos no exterior. O acompanhamento paliativo não representa interrupção dos tratamentos nem desistência da procura por alternativas.


Casa de Lito Sousa foi adaptada para o atendimento

A transferência para casa exigiu uma reorganização da residência onde o criador do canal Aviões e Músicas passou a ser acompanhado.

O térreo do imóvel foi estruturado para receber equipamentos e permitir a atuação permanente dos profissionais responsáveis por sua assistência.

Quatro enfermeiros se revezam em turnos para garantir cobertura durante todo o dia. A estrutura busca oferecer suporte contínuo sem a necessidade de manter o influenciador internado no hospital.

A adaptação também permite que Lito permaneça próximo da família em um ambiente mais familiar, preservando sua privacidade e sua rotina na medida do possível.

O atendimento domiciliar não significa que o paciente deixou de receber assistência médica. A diferença está no local em que os cuidados são realizados e na organização da equipe responsável pelo acompanhamento.


Cuidados paliativos não significam desistência

A expressão “cuidados paliativos” ainda é frequentemente associada aos últimos dias de vida ou à interrupção de qualquer tentativa de tratamento. Especialistas, entretanto, explicam que essa interpretação está equivocada.

Os cuidados paliativos constituem uma abordagem destinada a aliviar o sofrimento provocado por doenças graves, independentemente do tempo de prognóstico do paciente.

Esse acompanhamento pode ocorrer simultaneamente às terapias direcionadas à doença. No caso de Lito Sousa, a família continua buscando sua participação em pesquisas experimentais na Europa e nos Estados Unidos.

O atendimento paliativo procura melhorar a qualidade de vida do paciente, controlar sintomas e ajudar a família a atravessar as dificuldades físicas, emocionais e sociais provocadas pela enfermidade.

Portanto, iniciar esse tipo de acompanhamento não significa abandonar o paciente nem encerrar a busca por alternativas terapêuticas.


Atendimento busca aliviar sintomas e oferecer conforto

Uma equipe de cuidados paliativos pode atuar no controle de diferentes sintomas provocados por doenças graves.

O trabalho inclui o acompanhamento de manifestações como dor, falta de ar, náusea, vômito, fadiga, insônia e constipação, além das dificuldades específicas causadas pela condição enfrentada pelo paciente.

A assistência não se limita aos sintomas físicos. O modelo também prevê apoio psicológico, suporte social, orientação aos familiares e auxílio na tomada de decisões sobre as próximas etapas do tratamento.

A equipe procura compreender quem é a pessoa por trás do diagnóstico, quais são seus desejos e o que considera importante para sua qualidade de vida.

As decisões devem ser tomadas com a participação do paciente sempre que possível, respeitando suas preferências, sua história e seus limites.


Início antecipado facilita vínculo entre equipe e paciente

Especialistas defendem que os cuidados paliativos sejam iniciados antes das fases mais avançadas de uma doença grave.

Quando a equipe é acionada apenas durante os últimos momentos, existe pouco tempo para conhecer o paciente, compreender sua trajetória e construir uma relação de confiança com a família.

O acompanhamento antecipado permite que as decisões sejam discutidas sem a pressão de uma situação emergencial. Também oferece mais tempo para organizar o controle dos sintomas e preparar os familiares para possíveis mudanças no quadro clínico.

Esse vínculo é considerado essencial para que as escolhas sobre internações, intervenções médicas e limites terapêuticos reflitam a vontade da pessoa atendida.

O cuidado paliativo procura evitar tanto o abandono do paciente quanto a realização de procedimentos agressivos que não tragam benefícios proporcionais.


Família continua procurando tratamentos experimentais

A saída do hospital não encerrou os esforços da família de Lito Sousa para encontrar alternativas contra a doença.

Mila Seidl busca a inclusão do marido em estudos experimentais desenvolvidos na Europa e nos Estados Unidos. A equipe do influenciador afirma continuar em contato com pesquisadores e instituições que estudam possíveis abordagens para a condição.

O Ministério da Saúde também solicitou a inclusão de Lito em uma pesquisa experimental realizada nos Estados Unidos.

Até o momento, contudo, não existe tratamento aprovado no mundo capaz de curar, reverter ou interromper a evolução da doença de Creutzfeldt-Jakob. As alternativas pesquisadas permanecem em fase experimental.

A eventual participação em um estudo depende dos critérios estabelecidos pelos pesquisadores, da avaliação clínica do paciente e da disponibilidade de vagas.


Lito mantém esperança diante do diagnóstico

Em uma declaração recente, Lito Sousa afirmou acreditar que poderá ser a primeira pessoa a controlar a doença.

O influenciador contou que mantém sua capacidade de pensamento e destacou não sentir dor, apesar do diagnóstico e das limitações provocadas pelo quadro.

Lito também agradeceu as mensagens de apoio recebidas desde que a família tornou pública sua condição.

A postura otimista tem sido compartilhada por Mila Seidl, que publicou mensagens motivacionais nas redes sociais enquanto busca alternativas experimentais para o marido.

A família procura conciliar essa esperança com a estrutura necessária para oferecer conforto, segurança e acompanhamento permanente em casa.

Influenciador Lito Sousa grava vídeo em tom otimista agradecendo apoio durante internação — Foto: Reprodução/YouTube

O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob

A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade neurodegenerativa rara causada por proteínas anormais chamadas príons.

Essas proteínas podem assumir uma forma alterada e provocar mudanças em outras proteínas presentes no cérebro. O processo causa danos progressivos aos neurônios e compromete diferentes funções neurológicas.

A doença é classificada como uma encefalopatia espongiforme porque provoca no tecido cerebral alterações semelhantes a pequenos espaços ou cavidades.

Conforme a condição avança, diferentes áreas do cérebro podem ser afetadas. Por esse motivo, os sintomas podem envolver tanto as capacidades cognitivas quanto os movimentos.

A forma esporádica, considerada a mais comum, geralmente aparece em pessoas mais velhas, principalmente entre os 60 e os 80 anos.


Doença pode afetar memória, comportamento e movimentos

Os primeiros sinais da doença de Creutzfeldt-Jakob costumam incluir falhas de memória, mudanças de comportamento, dificuldades cognitivas e tremores.

Com a progressão do quadro, o comprometimento neurológico pode atingir a coordenação, a fala e a capacidade de realizar movimentos.

A velocidade de evolução varia entre os pacientes, mas a enfermidade é conhecida por apresentar progressão rápida.

Dados reunidos pelo Ministério da Saúde apontam que o Brasil confirmou 547 casos entre 2005 e 2021. A literatura considerada pela pasta indica que a maioria dos pacientes vive de seis meses a um ano após o surgimento dos primeiros sintomas.

Esses números representam estimativas gerais e não permitem prever individualmente a evolução do quadro de Lito Sousa. Cada paciente precisa ser acompanhado de acordo com suas condições clínicas específicas.


Brasil possui Política Nacional de Cuidados Paliativos

Em maio de 2024, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Cuidados Paliativos, com previsão de oferta dessa assistência em todos os níveis do Sistema Único de Saúde.

A implementação, no entanto, depende da adesão e da estrutura disponibilizada por estados e municípios.

Especialistas apontam que os serviços especializados ainda estão concentrados principalmente na Região Sudeste e são insuficientes diante da dimensão do país.

Outro obstáculo é a formação profissional. O ensino de cuidados paliativos ainda não é obrigatório na maioria dos cursos de medicina e enfermagem.

Em locais onde o atendimento domiciliar não está disponível, grande parte da responsabilidade costuma ficar com os familiares, muitas vezes sem acompanhamento técnico permanente.


Quem é Lito Sousa

Lito Sousa ficou conhecido nacionalmente pelo canal Aviões e Músicas, no qual apresenta explicações sobre o funcionamento de aeronaves, acidentes aéreos, segurança operacional e outros assuntos ligados à aviação.

Com linguagem acessível, ele aproximou temas técnicos do público e reuniu uma comunidade de admiradores dentro e fora do setor aeronáutico.

Desde a divulgação de seu diagnóstico, seguidores, profissionais da aviação e outros criadores de conteúdo têm enviado mensagens de apoio ao influenciador e à família.

Agora em casa, Lito continuará recebendo assistência integral. O objetivo dos cuidados é controlar os sintomas, reduzir o sofrimento e preservar sua qualidade de vida, enquanto a família mantém a busca por alternativas experimentais.