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“Feito Pipa” é escolhido para representar o Brasil na disputa do Oscar 2027

Longa dirigido por Allan Deberton e estrelado por Lázaro Ramos acompanha a relação entre um menino queer e a avó com Alzheimer; filme ainda precisa avançar pela pré-lista antes de conquistar uma indicação.


Brasil escolhe representante para o Oscar 2027

A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira (16) a escolha de “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton, como representante do Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2027.

A decisão foi tomada por uma comissão formada por profissionais do audiovisual e integrantes da diretoria da entidade. O grupo foi presidido pela produtora Clélia Bessa.

A escolha, entretanto, não significa que o longa já esteja indicado ao Oscar. “Feito Pipa” será inscrito como o candidato brasileiro e precisará ser selecionado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood nas próximas etapas.

A pré-lista dos filmes internacionais será divulgada em 15 de dezembro. Os indicados oficiais serão anunciados em 21 de janeiro, enquanto a cerimônia de entrega das estatuetas está marcada para 14 de março de 2027.


Filme acompanha menino queer e avó com Alzheimer

“Feito Pipa” conta a história de Gugu, um menino queer de 11 anos que vive com a avó Dilma nas proximidades de uma barragem, no interior do Ceará.

A rotina dos dois começa a mudar quando Dilma apresenta sinais cada vez mais evidentes do avanço do Alzheimer. Com medo de ser obrigado a morar com o pai homofóbico, Gugu tenta esconder das pessoas o estado de saúde da avó.

A narrativa aborda a relação de cumplicidade entre avó e neto, além de temas como infância, identidade, família, preconceito, envelhecimento e finitude.

O elenco conta com o ator mirim Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos. A produção combina elementos de forte identidade regional com uma história que busca alcançar públicos de diferentes países.


Comissão destaca narrativa sensível e identidade brasileira

A presidente da Comissão de Seleção, Clélia Bessa, afirmou que o filme possui uma narrativa capaz de se comunicar universalmente, sem abandonar sua identidade brasileira.

Segundo a produtora, o longa aborda a relação familiar, a cumplicidade entre a avó e o neto, a infância e a finitude a partir de uma cidade no interior do Ceará.

Clélia também destacou a trajetória da produção em festivais internacionais importantes.

A Comissão de Seleção reuniu profissionais de diferentes áreas do cinema brasileiro, incluindo diretores, produtores, atores, músicos, distribuidores e curadores.

Entre os integrantes estavam André Pellenz, Bárbara Cariry, Deborah Osborn, Guilherme Coelho, João Vieira Jr., Juliana Vicente, Lô Politi, Kátia Adler, Maria Gal, Plínio Profeta, Rodrigo Saturnino, Suzana Pires, Tatiana Carvalho Costa e Walter Lima Junior.


“Feito Pipa” conquistou dois prêmios em Berlim

A trajetória internacional do filme começou em fevereiro, durante o Festival Internacional de Cinema de Berlim.

“Feito Pipa” participou da mostra Generation, dedicada a produções que abordam o universo de crianças e adolescentes. O longa conquistou o Urso de Cristal de Melhor Filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional na categoria Generation Kplus.

As premiações colocaram a produção brasileira em evidência no circuito internacional antes mesmo de sua estreia comercial no país.

A recepção em Berlim também fortaleceu a campanha do longa para representar o Brasil no Oscar, especialmente por se tratar de um dos festivais de cinema mais importantes do mundo.


Yuri Gomes vence prêmio de interpretação

O ator mirim Yuri Gomes também recebeu reconhecimento internacional por sua atuação como Gugu.

Ele conquistou o prêmio de melhor interpretação no Festival Internacional de Cinema de Cartagena. O resultado ampliou a visibilidade do jovem ator e reforçou a recepção positiva da história fora do Brasil.

No Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, “Feito Pipa” voltou a ser premiado nas categorias de melhor filme e melhor interpretação.

A sequência de vitórias internacionais ajudou a consolidar o longa entre os principais títulos brasileiros lançados durante a temporada.


Filme foi o maior vencedor do Festival de Gramado

No Brasil, “Feito Pipa” participou do Festival de Cinema de Gramado e terminou como a produção mais premiada da edição.

O longa recebeu quatro troféus: Melhor Direção para Allan Deberton, Melhor Atriz para Teca Pereira, Melhor Ator Coadjuvante para Lázaro Ramos e Melhor Filme pelo Júri Popular.

O reconhecimento do público teve peso especial na trajetória da produção, que apresenta temas sensíveis por meio da relação entre Gugu e sua avó.

As premiações nacionais e internacionais foram consideradas pela comissão responsável por definir o representante brasileiro no Oscar.


Produção ainda busca distribuição nos Estados Unidos

“Feito Pipa” ainda não possui um acordo de distribuição comercial nos Estados Unidos, etapa considerada importante para aumentar a visibilidade de um filme durante a temporada de premiações.

A produção, no entanto, já fechou acordos de exibição na Dinamarca, Bélgica, Indonésia, Holanda, Espanha, Argentina e Colômbia.

A circulação internacional poderá contribuir para ampliar o reconhecimento do longa entre críticos, distribuidores e profissionais da indústria cinematográfica.

No Brasil, a estreia nos cinemas está marcada para 5 de novembro de 2026.


Longa superou outros cinco candidatos brasileiros

“Feito Pipa” disputou a indicação brasileira com outros cinco filmes.

Também estavam na seleção “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins; “100 Dias”, de Carlos Saldanha; “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai; “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo; e “Nosso Segredo”, de Grace Passô.

“Vicentina Pede Desculpas” era considerado um dos principais concorrentes. O longa participa da mostra competitiva Plataforma, do Festival Internacional de Cinema de Toronto, e possui produção e distribuição da Netflix.

A comissão, porém, optou por “Feito Pipa”, citando a sensibilidade da narrativa, a identidade brasileira e o desempenho alcançado em festivais.


Escolha mantém sequência de destaque do cinema brasileiro

Nos últimos anos, o Brasil ampliou sua presença na temporada do Oscar.

Em 2024, o país escolheu “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles. O longa tornou-se posteriormente o primeiro filme brasileiro a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional.

No ano seguinte, o representante foi “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho.

Além de conquistarem indicações na categoria internacional, as duas produções também foram lembradas na categoria principal de Melhor Filme.

“Feito Pipa” tentará manter essa sequência de destaque, mas ainda terá um caminho longo até uma eventual indicação.


Quais são as próximas etapas do Oscar

Depois da inscrição dos representantes de cada país, a Academia de Hollywood avaliará as produções elegíveis e definirá uma pré-lista para a categoria de Melhor Filme Internacional.

Essa primeira seleção será revelada em 15 de dezembro de 2026. Somente os filmes incluídos nessa etapa continuarão na disputa.

Em 21 de janeiro de 2027, a Academia anunciará os cinco indicados oficiais. A cerimônia do Oscar será realizada em 14 de março de 2027.

Até lá, “Feito Pipa” deverá ampliar sua campanha internacional, buscar distribuição nos Estados Unidos e apresentar a produção aos votantes.

A escolha feita pela Academia Brasileira de Cinema representa apenas o começo da campanha. O filme agora deixa a seleção nacional e passa a disputar espaço com produções escolhidas por dezenas de outros países.