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Kremlin afirma que Xi Jinping e Modi podem ajudar a buscar o fim da guerra na Ucrânia

Segundo o governo russo, os líderes de China e Índia manifestaram a Vladimir Putin disposição para colaborar com uma saída para o conflito. Conversas ocorreram durante a cúpula do Brics em Nova Délhi.


China e Índia teriam oferecido ajuda a Vladimir Putin

O governo da Rússia afirmou nesta segunda-feira (14) que o presidente da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, estão dispostos a ajudar na busca por uma solução para a guerra na Ucrânia.

Segundo o Kremlin, os dois líderes conversaram sobre o assunto com o presidente russo, Vladimir Putin, durante encontros realizados às margens da cúpula do Brics em Nova Délhi.

A informação foi divulgada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. De acordo com ele, Putin reagiu de maneira “muito positiva” à manifestação dos líderes de China e Índia.

O governo russo não detalhou quais medidas poderiam ser adotadas por Pequim e Nova Délhi nem informou se existe uma proposta formal de negociação. Também não foram apresentados, até o momento, prazos para uma nova iniciativa diplomática.


Kremlin pede maior flexibilidade ao governo ucraniano

Dmitry Peskov afirmou que a Rússia está aberta à participação de qualquer país que possa usar sua influência para convencer o governo da Ucrânia a demonstrar “maior flexibilidade” nas discussões sobre o fim da guerra.

A declaração indica que Moscou vê China e Índia como possíveis interlocutoras junto a Kiev, mas também transfere ao governo ucraniano parte da responsabilidade pela continuidade do impasse diplomático.

A posição divulgada pelo Kremlin não significa que as condições defendidas pelos dois lados estejam próximas. Rússia e Ucrânia continuam separadas principalmente pela discussão sobre o controle dos territórios ocupados durante a guerra.

Moscou afirma estar preparada para retomar as negociações, mas mantém exigências territoriais rejeitadas pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.


Rússia exige controle do restante de Donetsk

Uma das principais condições apresentadas pelo governo russo é assumir o controle total da parte ainda não ocupada da região de Donetsk, no leste da Ucrânia.

A região é um dos principais focos dos combates e possui importância estratégica para Moscou. Parte do território está sob controle russo, enquanto outras áreas permanecem administradas pelas forças ucranianas.

O Kremlin considera o domínio completo de Donetsk um elemento necessário para um eventual acordo. Zelensky, entretanto, rejeita entregar oficialmente territórios ucranianos à Rússia.

A divergência territorial continua sendo um dos maiores obstáculos para qualquer tentativa de negociação. Para Kiev, aceitar a exigência significaria reconhecer a perda de áreas tomadas militarmente. Para Moscou, o controle dessas regiões aparece como uma condição central para encerrar as hostilidades.


Zelensky rejeita entregar territórios ucranianos

O presidente Volodymyr Zelensky mantém a posição de que a Ucrânia não deve conceder partes de seu território em troca de um acordo de paz.

O governo ucraniano argumenta que uma negociação baseada na entrega de regiões ocupadas poderia recompensar a ofensiva russa e criar riscos para a segurança do país no futuro.

A resistência de Kiev entra diretamente em conflito com as exigências apresentadas por Moscou. Apesar das declarações russas sobre uma possível retomada das conversas, não há indicação de que o Kremlin tenha desistido de suas reivindicações territoriais.

Esse impasse limita o espaço para uma solução imediata, mesmo com a eventual participação de China, Índia ou outros países nas iniciativas diplomáticas.


China e Índia mantêm canais abertos com a Rússia

China e Índia possuem relações políticas e econômicas importantes com Moscou e mantiveram canais de diálogo com Vladimir Putin durante a guerra.

A posição permite que Xi Jinping e Narendra Modi conversem diretamente com o governo russo. Ao mesmo tempo, os dois países procuram preservar suas próprias estratégias diplomáticas e interesses internacionais.

A manifestação relatada pelo Kremlin ocorreu durante a cúpula do Brics, bloco no qual Rússia, China e Índia exercem influência central.

O encontro em Nova Délhi proporcionou a Putin a oportunidade de discutir a guerra diretamente com os dois líderes, em um momento no qual as negociações entre russos e ucranianos permanecem paralisadas.

Apesar da sinalização de disponibilidade, não foi anunciada uma mediação formal nem um plano conjunto para aproximar Moscou e Kiev.


Brics se torna palco para articulações sobre a guerra

A cúpula do Brics reuniu Putin, Xi e Modi em meio às divisões existentes dentro do bloco e às pressões internacionais provocadas pela guerra.

O encontro permitiu que o governo russo demonstrasse que continua mantendo relações com duas das maiores potências asiáticas. Para Moscou, o diálogo com China e Índia também ajuda a reduzir os efeitos do isolamento promovido por países ocidentais.

As conversas sobre a Ucrânia mostram que a agenda do Brics ultrapassou temas econômicos e passou a incluir questões geopolíticas e de segurança internacional.

No entanto, os integrantes do bloco possuem interesses diferentes e não adotam necessariamente a mesma posição sobre o conflito. Por isso, uma eventual participação chinesa ou indiana dependerá das condições apresentadas por cada governo.


Não há previsão para retomada das negociações

Embora a Rússia declare que está pronta para voltar à mesa de negociação, ainda não existe uma data para a retomada das conversas com a Ucrânia.

Também não está claro se Kiev aceitaria a atuação de China e Índia como intermediárias ou se os dois países apresentariam uma proposta capaz de atender às exigências mínimas dos governos russo e ucraniano.

A disposição relatada pelo Kremlin representa uma possível abertura diplomática, mas não resolve as divergências sobre Donetsk e outras áreas afetadas pela guerra.

Enquanto Moscou exige o controle de territórios no leste ucraniano, Zelensky mantém a recusa em reconhecer qualquer cessão territorial. Sem uma mudança nessas posições, a possibilidade de um acordo continua distante, mesmo com a participação de novos interlocutores.

A declaração russa coloca Xi Jinping e Narendra Modi no centro de uma possível articulação internacional, mas os próximos passos dependerão da apresentação de medidas concretas e da aceitação do governo ucraniano.