Academia Brasileira de Cinema escolherá em 16 de setembro o longa nacional que será enviado para concorrer a uma indicação na categoria de Melhor Filme Internacional
A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira (9) os seis filmes que continuam na disputa para representar o país no Oscar 2027. A relação foi definida após a análise de 15 produções inscritas e habilitadas no processo nacional de seleção.
Os títulos escolhidos para a etapa final são 100 Dias, de Carlos Saldanha; A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai; A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo; Feito Pipa, de Allan Deberton; Nosso Segredo, de Grace Passô; e Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.
A decisão final está marcada para 16 de setembro. Nessa data, a comissão selecionará o filme que será apresentado como representante brasileiro na corrida por uma indicação à categoria de Melhor Filme Internacional.
Ser escolhido pela Academia Brasileira de Cinema não garante presença entre os indicados. O longa selecionado ainda será avaliado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, responsável pela organização do Oscar.
Seis filmes avançaram entre 15 inscritos
A primeira reunião da comissão nacional ocorreu em 9 de setembro e reduziu de 15 para seis o número de produções concorrentes.
A Academia Brasileira de Cinema é a entidade responsável por selecionar o representante oficial do país na categoria internacional. A reunião final ocorrerá em 16 de setembro, quando o nome escolhido será comunicado à imprensa e divulgado nas redes sociais da instituição.
A seleção reúne cinco obras de ficção e um documentário, com histórias sobre travessia, infância, relações familiares, luto, desigualdade, amadurecimento e busca por respostas após uma tragédia.
Também estão presentes cineastas com diferentes trajetórias na produção nacional e internacional. Entre eles está Carlos Saldanha, conhecido por animações produzidas em Hollywood, ao lado de realizadores que construíram suas carreiras no cinema independente brasileiro.
100 Dias retrata travessia de Amyr Klink
Dirigido por Carlos Saldanha, o filme 100 Dias apresenta a história da travessia realizada pelo navegador brasileiro Amyr Klink pelo Atlântico Sul.
A produção acompanha o desafio de cruzar o oceano sozinho e a remo, em uma pequena embarcação, durante uma viagem entre a África e o Brasil.
Além dos obstáculos impostos pelo mar, a narrativa aborda o impacto psicológico da solidão e as memórias que surgem durante a jornada. O longa apresenta a travessia como um confronto com limites físicos, conflitos familiares e decisões que marcaram a trajetória de Klink.
A obra é uma ficção produzida pela Ventre Studio, Trema Filmes e Boipeba Filmes.
Carlos Saldanha possui uma carreira consolidada no cinema internacional. O diretor brasileiro esteve à frente de produções de animação como Rio, Rio 2 e O Touro Ferdinando, além de trabalhos ligados à franquia A Era do Gelo.
A Fabulosa Máquina do Tempo é o único documentário
A Fabulosa Máquina do Tempo, dirigido por Eliza Capai, é o único documentário entre os seis pré-selecionados.
A produção acompanha meninas do sertão do Piauí durante a passagem entre a infância e a adolescência. As personagens vivem em um ambiente atravessado por cultos evangélicos, redes sociais, desigualdades e expectativas sobre o futuro.
Ao imaginarem uma máquina do tempo, elas revisitam as histórias de suas mães e avós, marcadas por pobreza e limitações sociais. Ao mesmo tempo, projetam um futuro no qual possam viver com mais liberdade e realizar seus próprios sonhos.
O documentário combina observação e imaginação para discutir o que significa crescer e tornar-se mulher nesse contexto.
A direção é de Eliza Capai, com produção da Amana Cine.
A Natureza das Coisas Invisíveis aborda amizade e despedida
Dirigido por Rafaela Camelo, A Natureza das Coisas Invisíveis acompanha o encontro entre duas meninas dentro de um hospital.
Glória, de 10 anos, passa as férias no local onde sua mãe trabalha como enfermeira. Durante esse período, conhece Sofia, que acredita que a internação está provocando a piora no estado de saúde de sua bisavó.
As duas crianças se aproximam pelo desejo de escapar daquele ambiente e encontram apoio uma na outra. Quando a despedida se torna inevitável, as meninas e suas mães seguem para um refúgio no interior de Goiás.
A narrativa trata de amizade, cuidado e perda a partir do olhar infantil. A produção é da Moveo Filmes.
O longa integra a seleção brasileira com uma história intimista, concentrada nas relações entre as meninas, suas mães e o processo de compreensão de uma situação dolorosa.
Feito Pipa acompanha menino criado pela avó
O filme Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, apresenta a história de Gugu, um menino de 12 anos apaixonado por futebol.
Ele vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o criou em um ambiente de liberdade, afeto e criatividade. A estabilidade dessa relação começa a ser afetada quando surge a possibilidade de Gugu passar a morar com o pai.
A relação entre pai e filho é marcada por ausências, expectativas e sentimentos que não foram expressos. A mudança obriga o menino a enfrentar dúvidas sobre pertencimento, família e amadurecimento.
O longa foi produzido pela Deberton Filmes e Biônica Filmes.
Allan Deberton também dirigiu Pacarrete, filme protagonizado por Marcélia Cartaxo e premiado em festivais brasileiros. Em Feito Pipa, o cineasta volta a desenvolver uma narrativa ligada a relações familiares e afetivas.
Nosso Segredo trata de família e luto
Nosso Segredo marca a presença de Grace Passô entre os diretores que disputam a indicação brasileira.
A história acompanha uma família negra que tenta reconstruir a rotina após uma perda recente. Cada integrante enfrenta o luto de uma maneira diferente, enquanto o filho mais novo guarda um segredo relacionado às dores vividas pela família.
A revelação abre um caminho para que os personagens enfrentem aquilo que evitavam e procurem uma nova forma de permanecer juntos.
O filme é uma produção da Entre Filmes.
Grace Passô possui uma trajetória reconhecida no teatro e no cinema, atuando como atriz, dramaturga e diretora. A presença de Nosso Segredo entre os seis selecionados amplia a diversidade de perspectivas e experiências representadas na disputa.
Vicentina Pede Desculpas parte de tragédia em Belo Horizonte
Dirigido por Gabriel Martins, Vicentina Pede Desculpas apresenta a história de uma professora aposentada de 75 anos que tenta compreender as consequências de uma tragédia.
Na narrativa, um ônibus lotado perde o controle ao passar por um viaduto em Belo Horizonte, cai na avenida abaixo e provoca a morte de quase todos os ocupantes. Entre as vítimas está Wesley, motorista do coletivo e filho de Vicentina.
Imagens de câmeras de segurança geram especulações de que o motorista poderia ter provocado o acidente intencionalmente. Devastada e em busca de respostas, Vicentina decide procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas.
A jornada coloca a personagem diante da dor dos outros familiares e de dúvidas sobre o próprio filho. As respostas encontradas durante o caminho nem sempre correspondem ao que ela esperava.
O longa é produzido pela Filmes de Plástico, produtora mineira responsável por obras premiadas e reconhecidas no circuito internacional.
Escolhido será anunciado em 16 de setembro
A comissão de seleção voltará a se reunir em 16 de setembro para escolher o representante brasileiro.
Os integrantes responsáveis pela decisão não podem ser divulgados antes do anúncio do filme selecionado, conforme as regras adotadas para o processo.
Após a definição, a produção será formalmente enviada à Academia de Hollywood para participar da etapa internacional.
O prazo oficial de inscrição de produções na categoria de Melhor Filme Internacional termina em 30 de setembro de 2026. A partir daí, os filmes encaminhados pelos diferentes países e territórios passam pelo processo de avaliação.
Em dezembro, a Academia de Hollywood divulgará uma lista reduzida de produções que continuarão na disputa. Os indicados ao Oscar serão anunciados posteriormente, após uma nova etapa de votação.
Escolha nacional não garante indicação ao Oscar
O filme selecionado em 16 de setembro será o representante oficial do Brasil, mas ainda precisará superar outras fases para chegar à cerimônia.
A categoria reúne produções de diferentes partes do mundo. Depois do encerramento das inscrições, os votantes escolhem uma lista preliminar, conhecida como shortlist. Somente após essa etapa são definidos os cinco indicados ao prêmio.
Isso significa que o longa brasileiro poderá ser eliminado antes do anúncio oficial das indicações.
A escolha nacional, porém, tem importância para a visibilidade internacional da produção. O título passa a receber atenção de distribuidores, festivais, críticos e integrantes da indústria cinematográfica.
Brasil venceu categoria em 2025 com Ainda Estou Aqui
O processo ocorre depois de uma conquista histórica do cinema brasileiro.
Em 2025, Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional. A produção protagonizada por Fernanda Torres e Selton Mello tornou-se o primeiro longa brasileiro a conquistar a estatueta na categoria.
O resultado ampliou a atenção internacional sobre a produção audiovisual brasileira e aumentou a expectativa em torno das seleções seguintes.
Agora, um dos seis filmes pré-selecionados tentará iniciar um novo caminho até a indicação. Antes disso, a Academia Brasileira de Cinema precisará decidir qual produção reúne as melhores condições para representar o país.
Cerimônia do Oscar 2027 será em março
A 99ª edição do Oscar está marcada para 14 de março de 2027, no Dolby Theatre, em Hollywood.
A Academia de Hollywood anunciou que a lista de indicados será apresentada em 21 de janeiro de 2027, depois das etapas preliminares de avaliação e votação.
A cerimônia terá transmissão para mais de 200 países e territórios.
Até lá, o primeiro passo da participação brasileira será concluído em 16 de setembro, com a escolha entre 100 Dias, A Fabulosa Máquina do Tempo, A Natureza das Coisas Invisíveis, Feito Pipa, Nosso Segredo e Vicentina Pede Desculpas.