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Sem Lula, presidentes do Mercosul se reúnem no Paraguai para assinar acordo histórico com a União Europeia

Brasil será representado pelo chanceler Mauro Vieira; Lula opta por encontro reservado com líderes europeus no Rio


Assinatura do acordo ocorre sem a presença do presidente brasileiro

Os presidentes do Mercosul se reúnem neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, para a assinatura do acordo de livre comércio entre o bloco sul-americano e a União Europeia, mas sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre os chefes de Estado do bloco, Lula será o único a não comparecer pessoalmente à cerimônia, segundo confirmação da presidência paraguaia, que atualmente exerce a presidência rotativa do Mercosul. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Estão confirmadas as presenças dos presidentes Santiago Peña (Paraguai), Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai) e Rodrigo Paz (Bolívia).


Opção por agenda paralela com líderes da União Europeia

Antes da assinatura em Assunção, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, cumpre agenda no Brasil. Ela se reúne com Lula nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, ao lado do presidente do Conselho Europeu, António Costa.

De acordo com apuração de bastidores, o presidente brasileiro optou por priorizar um encontro reservado e simbólico com os principais líderes europeus, em vez de viajar ao Paraguai para a cerimônia formal de assinatura do tratado.

A avaliação é que Lula buscou capitalizar politicamente o protagonismo brasileiro nas negociações, reforçando a imagem de liderança estratégica junto à cúpula da União Europeia.


Acordo Mercosul–UE: 26 anos de negociações

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo Mercosul–União Europeia é considerado um dos maiores tratados comerciais do mundo. O pacto criará uma zona de livre comércio com cerca de 720 milhões de habitantes e reunirá economias que somam aproximadamente US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).

O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além do estabelecimento de regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos, serviços e padrões regulatórios.


Brasil teve papel central nas negociações

Apesar da ausência na assinatura, Lula foi um dos principais líderes do Mercosul a pressionar pela conclusão do acordo, atuando diretamente na retomada das negociações com os europeus após anos de impasse.

O governo brasileiro avalia que o tratado poderá ampliar significativamente o acesso do país ao mercado europeu, que reúne dezenas de milhões de consumidores e alto poder aquisitivo, além de fortalecer a posição do Brasil nas cadeias globais de comércio.


Próximos passos para entrada em vigor

Com a assinatura pelos chefes de Estado, o acordo ainda não entra automaticamente em vigor. O texto precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos Legislativos de cada país do Mercosul, em processos que podem se estender por meses ou até anos.

Somente após essas ratificações o tratado poderá produzir efeitos práticos, como a redução tarifária e a implementação das novas regras comerciais.


Ausência de Lula gera leitura política

A decisão de Lula de não ir a Assunção gerou interpretações políticas distintas. De um lado, auxiliares do governo destacam que o presidente já cumpriu seu papel estratégico nas negociações e optou por reforçar o diálogo direto com a cúpula europeia. De outro, críticos apontam que a ausência retira simbolismo da assinatura, em um momento considerado histórico para o Mercosul.

Ainda assim, o Palácio do Planalto sustenta que a presença do chanceler Mauro Vieira garante representação institucional plena do Brasil no ato.


Conclusão

A assinatura do acordo Mercosul–União Europeia marca um capítulo histórico na integração comercial entre os dois blocos, mesmo sem a presença física do presidente brasileiro. Enquanto os demais líderes assinam o tratado em Assunção, Lula aposta em articulação diplomática direta com os principais dirigentes europeus, reforçando o protagonismo político do Brasil na construção do acordo e nos próximos passos para sua implementação.