Discussões na Casa Branca incluem alvos militares, líderes de segurança e estruturas estratégicas; avaliação é de que ação aérea isolada não derrubaria governo iraniano — com informações da Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está avaliando diferentes opções de ação contra o Irã que incluem ataques direcionados a líderes e forças de segurança iranianas, além de possíveis ofensivas contra programas nuclear e de mísseis balísticos. O objetivo seria aumentar a pressão sobre o regime e criar condições para uma nova onda de protestos internos. As informações são da agência Reuters, com base em fontes ligadas às discussões em Washington.
Segundo pessoas ouvidas pela reportagem, Trump ainda não tomou decisão final sobre seguir pelo caminho militar, mas já analisa cenários estratégicos após a repressão violenta a manifestações no país, que resultaram em milhares de mortes, de acordo com grupos de direitos humanos.
Opções em análise incluem ataques seletivos e ofensiva ampliada
De acordo com fontes americanas, entre as alternativas discutidas estão ataques cirúrgicos contra comandantes e instituições de segurança apontados por Washington como responsáveis pela repressão aos protestos. A ideia seria enfraquecer a estrutura de controle interno e encorajar manifestantes a retomar mobilizações.
Outra possibilidade em debate envolve uma ação militar mais ampla, com impacto duradouro sobre a capacidade estratégica do Irã, incluindo:
- Instalações do programa nuclear
- Estruturas de enriquecimento de urânio
- Bases ligadas a mísseis balísticos de longo alcance
Autoridades ouvidas afirmam que o governo iraniano resiste a negociar limitações sobre mísseis, considerados por Teerã como elemento central de dissuasão militar na região.
Presença militar dos EUA foi reforçada na região
A chegada recente de um porta-aviões americano e navios de apoio ao Oriente Médio ampliou a capacidade operacional dos Estados Unidos para uma eventual ação. Trump descreveu o deslocamento como uma “armada” e voltou a pressionar o Irã para negociar um acordo nuclear.
Em declarações recentes, o presidente americano afirmou que qualquer novo ataque poderia ser “muito pior” do que bombardeios anteriores contra instalações nucleares iranianas.
Avaliação internacional aponta limites do poder aéreo
Autoridades israelenses e diplomatas ouvidos pela Reuters avaliam que ataques aéreos isolados não seriam suficientes para derrubar o regime iraniano. Segundo essa leitura, uma mudança de governo exigiria combinação de fatores internos e externos — incluindo divisões nas forças de segurança.
Relatórios de inteligência dos EUA indicam que, embora o governo iraniano esteja fragilizado por crises econômicas e protestos, a estrutura de poder ainda permanece coesa, sem sinais claros de ruptura entre elites militares e políticas.
Irã diz que se prepara para confronto e mantém canais diplomáticos
Uma autoridade iraniana de alto escalão afirmou à Reuters que o país está se preparando para um possível confronto militar, ao mesmo tempo em que tenta manter canais diplomáticos abertos. Segundo essa fonte, Teerã estaria disposto ao diálogo, desde que baseado em “respeito mútuo”.
A missão iraniana na ONU declarou que o programa nuclear tem fins civis e afirmou que o país se defenderá “como nunca antes” caso seja atacado.
O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, teria reduzido aparições públicas e reforçado medidas de segurança pessoal, mas ainda mantém autoridade final sobre decisões militares e nucleares.
Risco de instabilidade regional preocupa aliados dos EUA
Países do Golfo e outras nações da região demonstraram preocupação com a possibilidade de ataque americano. Governos árabes temem que uma ofensiva provoque retaliações com mísseis e drones, inclusive por meio de grupos aliados do Irã.
Entre os principais riscos apontados estão:
- Ataques a bases americanas na região
- Interrupção do tráfego no Estreito de Hormuz
- Impacto no fluxo global de petróleo
- Aumento de ondas de refugiados
- Expansão de conflitos internos no Irã
Diplomatas alertam que um colapso do Estado iraniano poderia gerar cenário semelhante ao de guerras civis prolongadas vistas em outros países do Oriente Médio.
Sucessão no poder é incerta
Analistas afirmam que não há sucessor claro para Khamenei. Em caso de transição abrupta, o poder poderia migrar para setores mais duros da Guarda Revolucionária, o que — segundo especialistas — poderia endurecer ainda mais a posição iraniana em temas nucleares e regionais.
A avaliação predominante entre especialistas ouvidos pela Reuters é que o cenário mais provável não é uma queda imediata do regime, mas sim um processo de desgaste gradual, com pressão econômica, disputas internas e incerteza sucessória.
Matéria produzida com informações da Reuters.




