Search
Close this search box.

Inflação começa 2026 pressionada por combustíveis e transporte, aponta IBGE

Índice oficial de preços avança 0,33% em janeiro, com gasolina e tarifas de ônibus entre os principais vilões do mês


Inflação oficial tem alta de 0,33% em janeiro

A inflação oficial do Brasil iniciou 2026 em ritmo de alta. De acordo com dados divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,33% em janeiro, repetindo exatamente a mesma variação registrada em dezembro.

No acumulado de 12 meses, o IPCA passou a registrar alta de 4,44%, superando os 4,26% observados no período imediatamente anterior. Em janeiro de 2025, a inflação havia sido significativamente menor, com variação de 0,16%.

O resultado veio ligeiramente acima das expectativas do mercado financeiro, que projetava um avanço de 0,32% no mês e 4,43% no acumulado anual, segundo estimativas de economistas.


Transportes lideram a alta da inflação no mês

O principal impacto inflacionário de janeiro veio do grupo Transportes, que registrou alta de 0,60%, exercendo a maior pressão sobre o índice geral.

Esse movimento foi fortemente influenciado pela elevação dos preços dos combustíveis, que avançaram 2,14% no mês, com destaque para a gasolina.

Variação dos combustíveis em janeiro:

  • Gasolina: +2,06%
  • Etanol: +3,44%
  • Óleo diesel: +0,52%
  • Gás veicular: +0,20%

A gasolina, por ter maior peso na cesta de consumo das famílias, foi o item que mais contribuiu individualmente para a inflação do mês, segundo o IBGE.


Reajustes no transporte público ampliam pressão inflacionária

Além dos combustíveis, os reajustes nas tarifas de transporte coletivo urbano também ajudaram a puxar o grupo Transportes para cima.

Em janeiro, o ônibus urbano registrou alta de 5,14%, refletindo a incorporação de reajustes tarifários em capitais como Fortaleza e São Paulo, onde os novos valores passaram a valer no início do ano.

Segundo analistas, esse tipo de ajuste costuma gerar impacto relevante nos primeiros meses do ano, especialmente em grandes centros urbanos, onde o transporte público tem peso expressivo no orçamento das famílias.


Veja o desempenho dos grupos do IPCA em janeiro

O comportamento da inflação foi desigual entre os diferentes grupos pesquisados pelo IBGE. Enquanto alguns registraram queda de preços, outros apresentaram altas expressivas.

Confira a variação dos principais grupos:

  • Alimentação e bebidas: +0,23%
  • Habitação: -0,11%
  • Artigos de residência: +0,20%
  • Vestuário: -0,25%
  • Transportes: +0,60%
  • Saúde e cuidados pessoais: +0,70%
  • Despesas pessoais: +0,41%
  • Educação: +0,02%
  • Comunicação: +0,82%

O grupo Comunicação, apesar de menor peso, apresentou uma das maiores altas percentuais do mês, enquanto Habitação e Vestuário ajudaram a conter um avanço ainda maior do índice geral.


Inflação acima das projeções mantém atenção do mercado

O resultado do IPCA reforçou a cautela dos agentes econômicos em relação ao comportamento da inflação ao longo de 2026. Mesmo com a quinta redução consecutiva das projeções inflacionárias no Boletim Focus, o dado de janeiro mostra que pressões pontuais seguem presentes, especialmente em itens sensíveis como combustíveis e serviços.

De acordo com o boletim mais recente do Banco Central, o mercado financeiro espera que a inflação feche 2026 em 3,97%, abaixo do registrado em 2025, mas ainda próxima do teto da meta.


Impactos no dólar, juros e política econômica

A divulgação do IPCA também influenciou o comportamento dos mercados financeiros. O dólar iniciou o dia em leve alta, enquanto investidores monitoravam não apenas os dados de inflação, mas também declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e falas de autoridades monetárias no Brasil e no exterior.

Para os juros, a expectativa segue sendo de queda gradual da Selic, atualmente em 15% ao ano, para 12,25% até o fim de 2026, desde que o cenário inflacionário permaneça sob controle.


Cenário exige atenção nos próximos meses

O resultado da inflação de janeiro indica que, embora haja sinais de desaceleração ao longo do horizonte mais longo, o início de 2026 ainda traz desafios relevantes para o controle de preços, especialmente em setores diretamente ligados à energia e mobilidade urbana.

Especialistas avaliam que os próximos meses serão decisivos para entender se a pressão observada em janeiro será pontual ou se pode se espalhar para outros segmentos da economia, influenciando decisões de política monetária e o ritmo da atividade econômica no país.