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Vendaval provoca apagão e deixa milhões sem energia no Rio e em São Paulo

Falha na Subestação Grajaú afetou diferentes regiões fluminenses e interrompeu temporariamente o metrô; em São Paulo, mais de 70 mil imóveis ficaram sem luz durante as rajadas


As fortes rajadas de vento que atingiram o Sudeste na quarta-feira (29) provocaram interrupções no fornecimento de energia elétrica no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de causarem quedas de árvores, danos à rede e problemas no transporte público.

No território fluminense, dados divulgados durante a ocorrência indicaram que quase 1,9 milhão de unidades consumidoras chegaram a ficar sem energia nas áreas atendidas pela Light e pela Enel Rio.

Em São Paulo, mais de 70 mil imóveis foram afetados, principalmente na capital e em cidades do ABC Paulista.


Apagão atingiu diferentes regiões do Rio

O apagão começou na tarde de quarta-feira e atingiu a cidade do Rio de Janeiro, municípios da Região Metropolitana, a Região dos Lagos e cidades do sul fluminense.

Segundo o painel de monitoramento da Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, 1,88 milhão de imóveis estavam sem fornecimento em determinado momento da ocorrência.

Na área de concessão da Light, o sistema da agência chegou a indicar mais de 1,57 milhão de unidades afetadas. A própria concessionária, entretanto, apresentou números diferentes em seu painel de ocorrências.

A Enel Rio registrou aproximadamente 500 mil consumidores sem energia no pico do evento. Na manhã desta quinta-feira (30), o número havia caído para 138 mil clientes, segundo atualização da empresa.

Os dados representam fotografias de momentos diferentes da ocorrência e, por isso, não devem ser somados diretamente.


Subestação Grajaú foi desligada durante ventania

O Operador Nacional do Sistema Elétrico, o ONS, informou que os fortes ventos provocaram desligamentos nas redes de distribuição e transmissão que atendem o estado.

Às 16h38, ocorreu o desligamento total da Subestação Grajaú, nos níveis de tensão de 500 kV e 138 kV. A falha provocou uma redução de aproximadamente 1.500 megawatts na carga do sistema.

A subestação é responsável pelo suprimento de energia de áreas importantes da capital, incluindo o Centro, a Zona Sul e parte da Zona Norte.

A Áxia, responsável pela estrutura, informou que um curto-circuito causado pela ventania afetou as proteções de segurança de duas linhas da subestação.

O suprimento em alta tensão foi restabelecido à distribuidora local às 16h51. O ONS informou que todas as cargas sob sua coordenação foram normalizadas às 17h35.

A recomposição da transmissão, entretanto, não significa que todos os consumidores tiveram o serviço retomado imediatamente. Os danos registrados nas redes locais de distribuição exigiram reparos adicionais.


Light atribuiu interrupção a uma falha externa

A Light afirmou que a interrupção foi provocada por uma falha externa ao sistema operado pela concessionária.

Segundo a empresa, o fornecimento foi restabelecido nas regiões da Zona Sul, do Centro e da Tijuca ainda durante a quarta-feira.

A distribuidora não informou oficialmente quantos consumidores foram atingidos no auge da ocorrência. Os números apresentados pelos painéis da Light e da Aneel também passaram por alterações ao longo do evento.

As causas e a extensão completa da interrupção ainda deverão ser analisadas pelos órgãos responsáveis pelo sistema elétrico.


Enel registra danos em diferentes municípios

Na área atendida pela Enel Rio, os maiores impactos proporcionais foram registrados no sul do estado.

Durante o apagão, 77,3% dos clientes de Paraty estavam sem energia. O índice chegou a 38,3% em Angra dos Reis, 31,92% em Mangaratiba e 27,64% em Duque de Caxias.

Também houve interrupções em municípios como Magé, São Gonçalo, Niterói, Itaboraí, Maricá e Petrópolis.

A concessionária atribuiu parte dos problemas às condições climáticas extremas. Dezenas de árvores caíram sobre ruas, rodovias e estruturas da rede elétrica, derrubando fios e dificultando a chegada das equipes aos locais afetados.

A empresa informou que realizou manobras remotas para restabelecer o serviço e deslocou técnicos para inspecionar os danos, reparar a rede e auxiliar na retirada de árvores.


Metrô do Rio teve circulação interrompida

A falta de energia também afetou o sistema de transporte da capital fluminense.

As linhas 1, 2 e 4 do MetrôRio tiveram a circulação temporariamente interrompida durante o apagão. A retomada aconteceu de maneira gradual após o restabelecimento do fornecimento elétrico.

As linhas 1 e 4 voltaram a operar primeiro, enquanto a Linha 2 permaneceu paralisada por mais tempo.

A interrupção ocorreu no fim da tarde, período de grande movimentação, e provocou transtornos aos passageiros que tentavam retornar para casa.


Mais de 70 mil imóveis ficaram sem energia em São Paulo

A ventania também causou interrupções no fornecimento de energia em São Paulo.

Segundo os dados divulgados pela Enel na tarde de quarta-feira, mais de 70 mil imóveis estavam sem luz em sua área de concessão no estado.

Na capital paulista, aproximadamente 39.996 endereços foram afetados, o equivalente a 0,66% dos clientes atendidos pela concessionária na cidade.

Em São Bernardo do Campo, a interrupção atingiu 9.419 unidades consumidoras. Em Santo André, outros 3.727 endereços ficaram sem fornecimento.

A Enel informou que havia reforçado antecipadamente as equipes em campo diante dos alertas meteorológicos e que os técnicos trabalhavam para restabelecer o serviço.


Concessionária participa de gabinete de crise

A distribuidora integra o Gabinete de Crise organizado pelo governo de São Paulo para acompanhar os efeitos da frente fria e dos ventos fortes.

A atuação envolve a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, a Companhia de Engenharia de Tráfego e outros órgãos públicos.

O objetivo é coordenar o atendimento das ocorrências, liberar vias bloqueadas e permitir que as equipes responsáveis pela rede elétrica tenham acesso aos pontos danificados.

Até as 14h de quarta-feira, o Corpo de Bombeiros havia recebido pelo menos 14 chamados relacionados a quedas de árvores na capital e na Região Metropolitana.


Ventania provocou morte em Santos

Além dos danos à rede elétrica, a ventania provocou uma morte em Santos, no litoral paulista.

Uma pessoa foi atingida pela queda de uma árvore na altura do Canal 6, no bairro Aparecida. A ocorrência foi confirmada pela Defesa Civil estadual.

O Litoral Sul registrou ventos acima dos 100 km/h. Em Itapeva, no interior paulista, uma estação chegou a registrar rajadas de 117 km/h durante a tarde.

Os ventos também causaram transtornos no Porto de Santos, derrubaram estruturas e aumentaram o risco de acidentes em áreas arborizadas.


População deve manter distância de fios e árvores

Mesmo após a redução das rajadas, a população deve evitar a aproximação de árvores, postes, placas, coberturas frágeis e estruturas danificadas.

Fios caídos não devem ser tocados, ainda que aparentem estar desligados. A orientação é manter distância e comunicar imediatamente a concessionária responsável ou o Corpo de Bombeiros.

Objetos soltos em varandas, quintais e áreas externas devem ser recolhidos ou fixados. Motoristas também precisam redobrar a atenção diante da possibilidade de árvores, galhos e outros objetos sobre as pistas.