Ministro do STF deu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre mensagem encontrada no celular do ex-dono do Banco Master; investigadores apuram quem recebeu o conteúdo.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou esclarecimentos à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre uma mensagem encontrada em um dos celulares de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e investigado na Operação Compliance Zero.
No conteúdo analisado pela Polícia Federal, Vorcaro teria mencionado a necessidade de obter proteção do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A mensagem também faria referência à situação enfrentada pelo Banco Master e à possibilidade de medidas serem adotadas contra o empresário e a instituição financeira.
O ofício foi encaminhado à PGR na segunda-feira (31). Mendonça estabeleceu prazo de cinco dias para que o órgão apresente uma manifestação sobre os registros localizados pelos investigadores.
Até a publicação desta matéria, a Procuradoria-Geral da República não havia se pronunciado sobre o pedido do ministro.
Investigadores apuram possível envio da mensagem a Alexandre de Moraes
Um dos principais pontos ainda investigados é a identidade da pessoa que recebeu a mensagem enviada por Daniel Vorcaro. Os primeiros registros analisados pela Polícia Federal não identificam diretamente o interlocutor.
Segundo as informações reunidas na investigação, Vorcaro tinha o hábito de fazer anotações, registrar capturas de tela e encaminhar as imagens por meio do recurso de visualização única. Esse procedimento dificultaria a recuperação de parte das conversas e a identificação de todos os destinatários.
Apesar da ausência de uma identificação conclusiva, investigadores da Polícia Federal não descartam a possibilidade de que a mensagem tenha sido enviada ao ministro Alexandre de Moraes, também integrante do Supremo Tribunal Federal.
A possível ligação com Moraes ainda precisa ser confirmada durante a apuração. Até o momento, as informações conhecidas não demonstram de maneira definitiva que o ministro tenha recebido a mensagem ou atendido a qualquer solicitação feita por Vorcaro.
Mensagem foi encontrada no celular de Daniel Vorcaro
A Polícia Federal encontrou a anotação em um dos aparelhos celulares de Vorcaro no fim de outubro do ano passado. O material apreendido foi analisado pelos investigadores e passou a integrar um relatório produzido a partir do conteúdo dos dispositivos.
Na mensagem, o ex-dono do Banco Master teria apresentado detalhes sobre a situação da instituição financeira e descrito dificuldades que enfrentava naquele período.
Vorcaro também teria afirmado que recebeu informações confidenciais de integrantes do Banco Central. De acordo com o relato atribuído ao empresário, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e outros diretores estariam sendo pressionados a adotar alguma medida contra o Banco Master.
A pressão mencionada na conversa teria partido da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Segundo a versão registrada no aparelho, os dois órgãos avaliariam a possibilidade de tomar providências contra Vorcaro.
As declarações atribuídas ao empresário fazem parte do material investigado e não representam, por si só, uma confirmação de que as supostas pressões ou comunicações internas tenham ocorrido.
Vorcaro teria citado Paulo Gonet e Andrei Rodrigues
O relatório produzido pela Polícia Federal aponta que Daniel Vorcaro teria pedido ao interlocutor que conversasse com Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.
O objetivo, segundo a interpretação apresentada pelos investigadores, seria impedir que servidores subordinados dentro das estruturas da Polícia Federal e do Ministério Público Federal adotassem alguma medida contra o empresário ou contra o Banco Master.
Na mensagem, Vorcaro teria utilizado uma expressão informal para se referir a uma eventual ação dos integrantes dos dois órgãos. O empresário também teria demonstrado preocupação com as consequências que uma medida desse tipo poderia provocar.
O material não confirma que Paulo Gonet ou Andrei Rodrigues tenham recebido pedidos, oferecido proteção ou interferido em investigações relacionadas ao Banco Master. O pedido de esclarecimentos feito por Mendonça busca justamente obter informações sobre o contexto dessas referências e sobre as providências eventualmente tomadas pela PGR.
André Mendonça é relator das investigações envolvendo o Banco Master
André Mendonça é o relator, no Supremo Tribunal Federal, das investigações relacionadas às suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Por essa razão, cabe ao ministro conduzir as medidas judiciais vinculadas ao caso que tramitam na Corte.
Após receber as informações sobre o conteúdo extraído do celular de Vorcaro, Mendonça decidiu solicitar uma manifestação formal da Procuradoria-Geral da República.
A PGR deverá explicar o que sabe sobre a mensagem, esclarecer as referências a Paulo Gonet e informar se houve alguma comunicação, solicitação ou providência relacionada ao caso.
O prazo concedido pelo ministro é de cinco dias. Depois da resposta, Mendonça poderá avaliar se existem elementos suficientes para determinar novas diligências, solicitar documentos adicionais ou adotar outras providências no âmbito da investigação.
Operação Compliance Zero investiga fraudes financeiras
Daniel Vorcaro foi preso durante a Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades e fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
As investigações analisam a atuação de dirigentes, empresários e outros personagens que possam ter participado das operações sob suspeita. A Polícia Federal também busca esclarecer eventuais relações entre Vorcaro e integrantes de órgãos públicos, incluindo servidores ligados ao sistema financeiro nacional.
O conteúdo encontrado nos celulares apreendidos tornou-se uma das frentes da apuração. Mensagens, anotações, capturas de tela e outros arquivos estão sendo examinados para reconstruir contatos mantidos por Vorcaro e verificar se houve tentativa de obter informações privilegiadas ou interferir na atuação das autoridades.
A menção a integrantes da cúpula da PGR e da Polícia Federal ampliou a atenção sobre o material, especialmente diante da possibilidade de que Vorcaro estivesse tentando mobilizar autoridades para evitar medidas contra ele ou contra o banco.
Identidade do interlocutor ainda não foi confirmada
Embora investigadores considerem a hipótese de que Alexandre de Moraes fosse o destinatário da mensagem, a identidade do interlocutor permanece sem confirmação oficial.
A forma como Vorcaro armazenava e compartilhava os registros é apontada como uma das dificuldades enfrentadas pela Polícia Federal. O envio de capturas de tela em visualização única pode apagar parte do histórico e reduzir a quantidade de informações disponíveis nos aparelhos.
A investigação deverá confrontar os registros encontrados com dados de outros dispositivos, documentos, agendas e eventuais depoimentos. Esse cruzamento poderá ajudar a determinar quando a mensagem foi enviada, quem a recebeu e se houve alguma resposta ou providência posterior.
Também será necessário esclarecer de quem teriam partido as informações confidenciais atribuídas a integrantes do Banco Central e se os dados mencionados por Vorcaro correspondiam a decisões reais discutidas dentro da instituição.
PGR terá de responder ao Supremo em cinco dias
A manifestação da Procuradoria-Geral da República será importante para definir os próximos passos da investigação. O órgão poderá apresentar esclarecimentos sobre a eventual participação de Paulo Gonet, informar se recebeu comunicações relacionadas a Vorcaro e explicar se houve alguma atuação institucional no caso.
A PGR também poderá contestar a interpretação dos investigadores, apresentar documentos ou solicitar acesso a outras partes do material apreendido.
Após o término do prazo, caberá a André Mendonça analisar as informações e decidir se serão necessárias novas medidas. O caso permanece sob investigação, e as referências registradas no celular de Vorcaro ainda não comprovam que autoridades tenham oferecido proteção ou interferido na atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
Até o momento, não foi apresentada uma conclusão definitiva sobre o destinatário da mensagem nem sobre a existência de qualquer ação concreta destinada a beneficiar Daniel Vorcaro ou o Banco Master.