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Flávio acusa Moraes, Alcolumbre e Dino de articulação contra sua candidatura sem apresentar provas

Candidato do PL afirma que autoridades estariam preparando uma ação para prejudicá-lo nas eleições, mas não apresentou documentos, registros ou outros elementos que sustentem a acusação


O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (3) que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Flávio Dino, além do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estariam articulando uma ação contra ele.

Apesar da gravidade da declaração, Flávio não apresentou provas, documentos ou informações verificáveis que sustentem a acusação. O candidato baseou sua manifestação em uma suposta conversa entre Moraes e Alcolumbre e em uma alegada articulação posterior com Dino.

Segundo o senador, uma “ação ilegal” estaria sendo preparada com o objetivo de reagir às revelações divulgadas pelo ministro André Mendonça e provocar desgaste em sua candidatura presidencial.

A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões dentro do STF após a divulgação de relatórios da Polícia Federal sobre contatos entre autoridades e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.


Flávio Bolsonaro não apresenta provas da acusação

Em sua manifestação, Flávio Bolsonaro alegou que Moraes e Alcolumbre teriam mantido uma longa conversa na quarta-feira (2) e, posteriormente, realizado uma articulação com Flávio Dino.

O candidato, no entanto, não explicou qual seria o conteúdo da conversa, de onde partiram as informações ou qual medida estaria supostamente sendo preparada contra ele.

Também não foram apresentados registros de mensagens, documentos, gravações, decisões judiciais ou testemunhos capazes de demonstrar a existência da alegada articulação.

Flávio afirmou que, caso a informação seja confirmada, o episódio demonstraria que adversários políticos estariam preparando “farsas” contra ele. A própria formulação utilizada pelo senador, ao empregar a expressão “caso se confirme”, reforça que a acusação foi divulgada sem comprovação pública até o momento.

O STF e o Senado foram procurados pela imprensa para comentar as declarações.


Candidato relaciona suspeita à crise entre Moraes e Mendonça

Flávio Bolsonaro vinculou a suposta ação às revelações feitas por André Mendonça sobre o caso Banco Master.

Na terça-feira (1º), Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apresentou mensagens e registros de contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e fundador do Banco Master.

Na mesma decisão, Mendonça afirmou que os novos elementos deveriam ser analisados pelo plenário do Supremo. A divulgação do documento intensificou o confronto institucional entre os dois ministros.

Flávio considera que a suposta articulação contra sua candidatura seria uma resposta às informações tornadas públicas por Mendonça. Essa relação, entretanto, também não foi acompanhada de evidências que comprovem a existência de uma ação eleitoral, judicial ou política contra o candidato.


Moraes pede apuração da atuação de André Mendonça

No mesmo dia da manifestação de Flávio, Alexandre de Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, informações da Polícia Federal que questionam a atuação de André Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero.

As investigações tratam, respectivamente, de suspeitas de fraudes relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e de irregularidades vinculadas ao Banco Master.

Os relatórios citados por Moraes levantam suspeitas de interferência na condução das investigações, participação irregular em negociações de colaboração premiada e possível direcionamento de apurações por razões pessoais ou políticas.

Moraes pediu que Fachin avalie a abertura de uma investigação sobre as condutas atribuídas ao colega. As informações ainda precisam ser analisadas pelo Supremo, com garantia de defesa e contraditório.

A decisão representa mais um capítulo da disputa entre os ministros, mas não contém, segundo as informações divulgadas até agora, uma medida diretamente direcionada à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.


Alcolumbre aparece em relatório da Polícia Federal

O nome de Davi Alcolumbre também aparece em relatórios da Polícia Federal enviados ao Supremo.

Em um dos documentos, os investigadores levantam a hipótese de que o presidente do Senado poderia ser um “provável alvo estratégico” de apurações conduzidas sob a relatoria de Mendonça.

A avaliação considera a influência de Alcolumbre no Congresso, o controle que exerce sobre a pauta do Senado e sua atribuição de decidir sobre o andamento de pedidos de impeachment contra ministros do STF.

A Polícia Federal também mencionou o histórico de divergências entre Alcolumbre e Mendonça. Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador foi apontado como um dos obstáculos à realização da sabatina que antecedeu a nomeação de Mendonça para o Supremo.

Embora esse contexto ajude a explicar o ambiente de conflito entre as autoridades, não demonstra, por si só, que Alcolumbre esteja participando de uma ação contra Flávio Bolsonaro.


Acusação entra no centro da disputa eleitoral

A declaração de Flávio Bolsonaro insere a crise institucional do STF diretamente na corrida presidencial de 2026.

Ao alegar que integrantes do Judiciário e o presidente do Senado estariam agindo para prejudicar sua candidatura, o senador busca associar os desdobramentos do caso Banco Master a uma possível tentativa de interferência eleitoral.

A acusação pode reforçar o discurso adotado por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que frequentemente apontam perseguição política em decisões do Supremo. Entretanto, uma afirmação dessa gravidade exige comprovação, especialmente quando envolve magistrados da mais alta Corte do país e o presidente do Senado.

Sem elementos concretos, a declaração permanece no campo da alegação política. Até o momento, não foi apresentada qualquer decisão, investigação ou medida oficial que comprove uma articulação de Moraes, Alcolumbre e Dino para atingir eleitoralmente Flávio.


Fachin tenta controlar crise no Supremo

Diante da escalada das acusações envolvendo diferentes autoridades, Edson Fachin determinou que Alexandre de Moraes, André Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentem esclarecimentos.

O prazo estabelecido é de cinco dias úteis. O presidente do STF pretende reunir as informações antes de decidir se os episódios serão submetidos ao plenário.

Fachin quer esclarecer a regularidade das investigações, o tratamento dado a autoridades com foro no Supremo, a eventual utilização de credenciais institucionais para acessar documentos particulares e a possível divulgação indevida de informações protegidas por sigilo.

A decisão demonstra que a crise envolve questionamentos jurídicos e institucionais ainda não solucionados. Nenhuma das acusações cruzadas representa, neste momento, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade das autoridades citadas.


Alegação de Flávio depende de comprovação

Até que sejam apresentados elementos verificáveis, a acusação de Flávio Bolsonaro contra Moraes, Alcolumbre e Dino deve ser tratada como uma declaração política sem comprovação pública.

O fato de autoridades terem conversado, mesmo que confirmado, não demonstra automaticamente a existência de uma ação ilegal ou de uma estratégia para prejudicar uma candidatura. Seria necessário conhecer o conteúdo do encontro e identificar medidas concretas relacionadas ao suposto plano.

A manifestação de Flávio ocorre em um momento de forte polarização, no qual os desdobramentos do caso Banco Master passaram a ser utilizados no debate eleitoral.

A crise deverá continuar repercutindo após o fim do prazo determinado por Fachin. As respostas encaminhadas ao presidente do STF poderão definir se os fatos serão analisados pelo plenário e se haverá abertura formal de novas investigações.

Enquanto isso, a acusação de que Moraes, Alcolumbre e Dino estariam articulando uma ação contra Flávio Bolsonaro continua baseada apenas na versão apresentada pelo próprio candidato.