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Novo laudo aponta que soldado Gisele foi assassinada e afasta versão de suicídio

Perícia identificou a intervenção de uma segunda pessoa e divergências entre a versão inicial e os vestígios encontrados; marido da vítima, o tenente-coronel Geraldo Neto, é réu por feminicídio e permanece preso


Um laudo complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo concluiu que a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi assassinada. A perícia descartou a hipótese de suicídio por considerá-la incompatível com as manchas de sangue, fotografias, provas materiais e demais vestígios encontrados no apartamento onde ocorreu a morte.

Segundo a análise técnica, os elementos reunidos demonstram a intervenção de uma segunda pessoa. O documento também identificou divergências materiais entre a versão inicialmente apresentada e as condições encontradas no local.

O marido de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, é acusado pelo Ministério Público de matar a policial e modificar a cena para simular um suicídio. Ele está preso preventivamente desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista.

A defesa nega o feminicídio e sustenta que Gisele tirou a própria vida. Embora o laudo tenha classificado a morte como homicídio, caberá à Justiça decidir sobre a responsabilidade criminal do réu.

Além da ação judicial, Geraldo Neto responde a um procedimento no Conselho de Justificação da Polícia Militar que pode resultar na perda de seu posto e de sua patente. O julgamento administrativo será retomado em 14 de setembro.


Laudo descarta suicídio e aponta participação de outra pessoa

Assinado na terça-feira (1º), o laudo complementar foi elaborado para responder a questionamentos apresentados pelo assistente técnico contratado pela defesa do tenente-coronel.

Após uma nova avaliação do material, o Instituto de Criminalística concluiu que a hipótese de suicídio não encontra sustentação nos vestígios físicos registrados no apartamento.

A perícia analisou o padrão das manchas de sangue, as fotografias produzidas durante o atendimento da ocorrência e as provas materiais recolhidas no imóvel. O conjunto, segundo o documento, é incompatível com a versão de que Gisele teria disparado contra a própria cabeça.

A principal conclusão é que houve participação de uma segunda pessoa na morte da policial. Para os peritos, as divergências entre a narrativa inicial e o cenário encontrado impedem que o caso seja classificado como suicídio.

O novo documento complementa laudos anteriores que já apontavam inconsistências na posição do corpo, na arma encontrada junto à vítima e na dinâmica apresentada inicialmente.


Perícia reforça suspeita de alteração da cena

Gisele foi encontrada morta em 18 de fevereiro dentro do apartamento onde vivia com Geraldo Neto, no bairro do Brás, região central de São Paulo.

A ocorrência foi inicialmente apresentada como suicídio, mas passou a ser investigada como feminicídio depois que policiais e peritos identificaram elementos considerados incompatíveis com essa versão.

Segundo a decisão que decretou a prisão preventiva do oficial, o cenário teria sido alterado para fazer a morte parecer provocada pela própria vítima.

O Ministério Público afirma que Geraldo Neto posicionou a arma na mão da esposa após o disparo. A acusação sustenta que essa conduta teve o objetivo de induzir os investigadores a uma interpretação incorreta sobre a dinâmica da morte.

Laudos também identificaram vestígios de sangue nas roupas do tenente-coronel. Os investigadores ainda consideram suspeito o fato de o oficial ter insistido em tomar banho e trocar de roupa durante o atendimento da ocorrência.


Oficial teria tomado banho após ser advertido

Registros da investigação apontam que Geraldo Neto manifestou repetidamente a intenção de tomar banho e trocar de roupa enquanto os policiais ainda realizavam os primeiros procedimentos no apartamento.

Os agentes teriam advertido o oficial para que não alterasse suas condições antes da conclusão das diligências iniciais. Mesmo assim, ele teria utilizado sua posição hierárquica para impor sua vontade e tomar banho.

Para a acusação, a atitude pode estar relacionada a uma tentativa de eliminar vestígios. A defesa ainda poderá contestar essa interpretação durante o processo.

O comportamento do oficial e o atendimento realizado no imóvel foram parcialmente registrados pelas câmeras corporais dos policiais militares.

As imagens mostram as reações de Geraldo Neto após a morte da esposa e passaram a integrar o conjunto probatório analisado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.


Ministério Público acusa marido de feminicídio

Geraldo Neto foi denunciado pelos crimes de feminicídio e fraude processual.

Segundo o Ministério Público, Gisele pretendia terminar o casamento, mas o oficial não aceitava o fim do relacionamento. A denúncia afirma que o crime foi cometido por motivo torpe, relacionado ao sentimento de posse e à recusa diante da separação.

A acusação sustenta ainda que a policial foi surpreendida e não teve possibilidade de defesa. Essa circunstância também pode agravar a responsabilização criminal caso o réu seja condenado.

Após o disparo, o tenente-coronel teria modificado o ambiente para construir uma falsa versão de suicídio. A acusação de fraude processual decorre justamente da suposta tentativa de alterar o local e enganar as autoridades responsáveis pela investigação.

O novo laudo reforça a tese de homicídio sustentada pelo Ministério Público, mas não representa uma condenação automática do acusado.


Defesa mantém versão de suicídio

A defesa de Geraldo Neto nega que ele tenha matado a esposa. Os advogados sustentam que Gisele tirou a própria vida após o oficial pedir o divórcio.

O advogado Eugênio Malavasi informou que analisa, com o auxílio de um assistente técnico, as respostas apresentadas pelo Instituto de Criminalística aos questionamentos formulados pela defesa.

A equipe jurídica poderá apresentar novas contestações, solicitar esclarecimentos complementares e questionar as conclusões periciais durante o processo.

Apesar da conclusão do laudo, Geraldo Neto ainda não foi julgado. Ele permanece amparado pelo princípio da presunção de inocência até que exista uma eventual condenação definitiva.


Família afirma que nunca acreditou em suicídio

Os advogados que representam a família de Gisele afirmaram que nunca tiveram dúvidas de que a policial foi vítima de feminicídio.

Para o advogado Miguel Silva, o laudo complementar reforça os elementos já reunidos e confirma que a morte não ocorreu por suicídio. A representação da família atribui o crime ao tenente-coronel, conforme a acusação apresentada pelo Ministério Público.

Gisele tinha 32 anos e deixou uma filha de 7 anos, de um relacionamento anterior.

O Ministério Público pediu que, em caso de condenação, a Justiça estabeleça uma indenização mínima de R$ 100 mil para a família da vítima. O pagamento dependerá do resultado do julgamento.


Testemunhas relataram ciúme e comportamento possessivo

Três policiais militares que eram amigas de Gisele relataram à investigação um histórico de controle, ciúme e comportamento possessivo por parte do tenente-coronel.

Segundo as testemunhas, Geraldo Neto monitorava as redes sociais e as conversas da esposa. Ele também teria imposto restrições a comportamentos pessoais, como o uso de maquiagem e perfume.

As amigas afirmaram que Gisele pretendia se separar após descobrir supostas traições do marido. Todas disseram que a soldado não demonstrava tendências suicidas.

Os relatos são considerados relevantes porque confrontam a versão apresentada pela defesa e ajudam a reconstruir o contexto do relacionamento antes da morte.

A existência das acusações e dos depoimentos, contudo, ainda deverá ser avaliada pela Justiça em conjunto com as provas materiais e periciais.


Policial estranhou condições do apartamento

Um primeiro-tenente que participou do atendimento da ocorrência relatou ter estranhado o estado de preservação do apartamento.

Segundo o depoimento prestado à Polícia Civil, o local estava mais organizado do que normalmente se observa em ocorrências envolvendo mortes violentas.

A observação passou a fazer parte da investigação diante da suspeita de que objetos e outros elementos poderiam ter sido alterados antes da chegada ou durante a atuação das equipes policiais.

Geraldo Neto também é acusado de utilizar seu posto para intimidar agentes de patentes inferiores durante o atendimento. Parte dessas interações foi registrada pelas câmeras corporais.


STJ manteve prisão preventiva do tenente-coronel

Geraldo Neto permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negar um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.

A prisão preventiva foi mantida enquanto o processo criminal continua. A medida cautelar não equivale a uma condenação, mas impede que o réu responda ao processo em liberdade.

A Justiça considerou os elementos apresentados na investigação e os fundamentos utilizados para determinar a prisão.

O oficial está detido desde 18 de março, um mês após a morte de Gisele.


Interrogatório está marcado para 8 de setembro

O interrogatório de Geraldo Neto na ação criminal está previsto para 8 de setembro, às 10h, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo.

A audiência havia sido marcada anteriormente, mas acabou adiada. O depoimento do acusado deverá encerrar a fase de instrução do processo.

Durante o interrogatório, o tenente-coronel poderá apresentar sua versão, responder aos questionamentos ou exercer o direito de permanecer em silêncio.

Depois dessa etapa, o juiz analisará os depoimentos, documentos e laudos para decidir se o réu será levado a júri popular. Nos processos por crimes dolosos contra a vida, como o feminicídio, a culpa ou inocência é decidida por jurados.


Julgamento para expulsão será retomado em 14 de setembro

Além de responder criminalmente, Geraldo Neto enfrenta um procedimento administrativo dentro da Polícia Militar.

O julgamento no Conselho de Justificação será retomado em 14 de setembro, às 9h, por videoconferência. A sessão será destinada principalmente à oitiva das testemunhas apresentadas pela defesa.

Ainda não existe uma data definitiva para o interrogatório do oficial no processo administrativo. Caso os depoimentos sejam concluídos a tempo, ele poderá ser ouvido no mesmo dia.

O Conselho de Justificação começou a analisar o caso em abril. O colegiado, formado por três coronéis, avalia se o acusado ainda possui condições morais e funcionais para permanecer na corporação.


Procedimento pode retirar posto e patente

O processo administrativo ocorre de forma independente da ação criminal. Por isso, o oficial pode ser afastado definitivamente da Polícia Militar mesmo antes de uma eventual condenação por feminicídio.

Em maio, o conselho ouviu as três amigas de Gisele e um oficial que participou da ocorrência. Agora, a defesa terá a oportunidade de apresentar seus depoimentos e argumentos.

Se os coronéis concluírem que a conduta de Geraldo Neto é incompatível com o oficialato, o processo seguirá para o Tribunal de Justiça Militar de São Paulo.

Caberá ao tribunal decidir sobre a perda do posto e da patente. O Conselho de Justificação não aplica pena de prisão, mas pode abrir caminho para a exclusão definitiva do militar.


Laudo se torna peça central do Caso Gisele

A conclusão do Instituto de Criminalística passa a ocupar posição central tanto na ação criminal quanto no procedimento que avalia a permanência do tenente-coronel na Polícia Militar.

Ao descartar a hipótese de suicídio e apontar a intervenção de outra pessoa, o laudo reforça a linha de investigação de que Gisele foi vítima de homicídio e de que o local foi modificado após o disparo.

Ainda será necessário determinar judicialmente quem foi o responsável pela morte. O Ministério Público atribui o crime a Geraldo Neto, enquanto a defesa nega a acusação.

Os próximos momentos decisivos ocorrerão em 8 de setembro, com o interrogatório criminal, e em 14 de setembro, com a retomada do Conselho de Justificação.

Enquanto os dois processos avançam, Geraldo Neto segue preso preventivamente, e a morte da soldado Gisele Alves Santana deixa de ser tratada tecnicamente como possível suicídio após a nova conclusão pericial.