Sofia Favero acionou o Ministério Público de São Paulo após publicação da deputada estadual eleita do PL; pedido aponta transfobia e violência política de gênero.
A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) foi alvo de uma representação apresentada ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) após uma publicação nas redes sociais direcionada à deputada federal Erika Hilton (PSOL). O documento aponta possível prática de transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero.
A representação foi apresentada pela também deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) na segunda-feira, 5 de outubro, ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do Ministério Público paulista.
O episódio ocorreu depois das eleições de domingo, 4 de outubro, quando Campopiano conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), enquanto Erika foi reeleita para a Câmara dos Deputados com uma votação histórica.
Favero pede a instauração de inquérito policial e a responsabilização de Campopiano pelo conteúdo divulgado. Os enquadramentos apresentados na representação ainda dependem de análise pelas autoridades responsáveis.
Publicação sobre Erika Hilton motivou o pedido de investigação
A representação tem como motivação uma postagem na qual Campopiano utilizou a expressão “homem biológico” para se referir a Erika Hilton, que é uma mulher trans.
Na publicação, a deputada estadual eleita dirigiu uma pergunta à parlamentar do PSOL, relacionando sua identidade de gênero ao resultado das urnas e ao espaço de mulher mais votada de São Paulo.
Segundo a representação, a manifestação ataca a identidade de gênero de Erika e utiliza sua condição de mulher trans para desqualificá-la politicamente.
O documento sustenta que o episódio ultrapassa uma divergência entre adversárias políticas. A autora do pedido defende que o conteúdo seja investigado por seu possível caráter discriminatório e pela relação com o exercício do mandato da deputada federal.
Sofia Favero aponta transfobia e violência política de gênero
A representação apresentada por Sofia Favero sustenta que a postagem pode configurar transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero, por se tratar de uma manifestação dirigida à identidade de gênero de uma mulher que exerce mandato eletivo.
O pedido foi encaminhado ao grupo especializado do Ministério Público paulista responsável pelo combate aos crimes raciais e de intolerância.
A abertura de investigação e a eventual responsabilização são solicitações feitas pela autora da representação. O protocolo do documento não significa, por si só, que houve condenação ou reconhecimento dos crimes apontados.
Até o estágio descrito pelas informações divulgadas, o caso envolve uma representação encaminhada ao Ministério Público. Não havia confirmação de instauração de inquérito policial ou de apresentação de denúncia criminal formal à Justiça.
Erika Hilton é a mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados
Erika Hilton foi reeleita por São Paulo com 1.596.472 votos, tornando-se a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados.
A parlamentar superou o recorde anterior de Joice Hasselmann, que recebeu 1.078.666 votos nas eleições de 2018, também pelo estado de São Paulo.
Com o resultado de 2026, Erika ficou na segunda colocação entre os candidatos a deputado federal por São Paulo. A primeira posição foi ocupada por Lucas Pavanato (PL), que somou 3.038.438 votos.
A marca histórica de Erika ocorreu na disputa pelo Legislativo federal. Já a votação de Campopiano foi registrada na eleição para o Legislativo estadual.
As duas parlamentares concorreram a cargos diferentes, embora a publicação tenha colocado seus resultados eleitorais em comparação.
Campopiano liderou a votação para a Assembleia Legislativa de São Paulo
Eduarda Campopiano recebeu 1.956.238 votos e foi a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa paulista nas eleições de 2026.
Na disputa pela Alesp, ficou à frente de Eduardo Suplicy (PT), que conquistou 653.753 votos.
O resultado garantiu à integrante do PL uma cadeira no Legislativo estadual depois de sua atuação como vereadora em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
A votação foi o contexto utilizado na publicação direcionada a Erika Hilton, divulgada após a apuração das urnas.
Quem é Eduarda Campopiano
Maria Eduarda Campopiano Monteiro, de 23 anos, nasceu em Campinas, no interior paulista. Ela ganhou projeção a partir de 2021, quando passou a divulgar suas posições políticas nas redes sociais.
Filiada ao Partido Liberal, Campopiano atuou como comentarista do programa Linha de Frente, da Jovem Pan, em 2023, participando de debates sobre pautas políticas.
Em 2024, foi eleita vereadora de Praia Grande com 3.589 votos. Na ocasião, terminou em quarto lugar entre os candidatos mais votados para a Câmara Municipal.
Nas eleições de 2026, ampliou sua votação e conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo, com mais de 1,9 milhão de votos.
Deputada eleita mantém posicionamento contrário à esquerda
Campopiano manifesta publicamente oposição a pautas e candidatos de esquerda. Essa posição aparece em suas publicações nas redes sociais e em declarações sobre sua atuação política.
Entre as bandeiras defendidas pela deputada estadual eleita está a criminalização do aborto. Ela também se apresenta como adversária do movimento feminista, utilizando essa posição em sua comunicação pública.
Durante o mandato como vereadora, em 2025, foi autora de um projeto de lei que prevê a vedação da nomeação ou contratação, para determinados cargos e empregos públicos, de pessoas condenadas por crimes sexuais contra crianças ou adolescentes.
A apresentação da proposta integra sua trajetória no Legislativo municipal. As informações disponíveis não detalham a tramitação ou eventual aprovação do projeto.
Parlamentares e Ministério Público foram procurados
Conforme as informações divulgadas na reportagem de base, Eduarda Campopiano, Erika Hilton e o Ministério Público de São Paulo foram procurados, mas não haviam se manifestado até a publicação.
O caso permanece, no estágio relatado, como uma representação com pedido de investigação. Caberá às autoridades competentes analisar o conteúdo apresentado e definir os possíveis encaminhamentos.