Missão secreta com apoio da CIA, Forças Especiais e cerca de 150 aeronaves terminou com a prisão do presidente venezuelano; Maduro enfrenta a Justiça nos EUA enquanto ONU debate legalidade da ação
Visão geral da operação
Os Estados Unidos executaram uma operação militar de alta complexidade que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. A ação, autorizada pelo presidente Donald Trump, foi mantida sob sigilo durante meses e mobilizou um dos maiores aparatos militares e de inteligência já empregados na América Latina nas últimas décadas. A ofensiva, batizada de Operação Resolução Absoluta (Absolute Resolve), provocou forte repercussão internacional, abriu um intenso debate jurídico sobre soberania e culminou no envio de Maduro para julgamento em Nova York.
Planejamento sigiloso e papel da inteligência
Segundo informações atribuídas à Reuters, o planejamento envolveu reuniões frequentes entre o Pentágono, a Casa Branca e a CIA ao longo de vários meses. Tropas de elite do Exército dos Estados Unidos, incluindo a Delta Force, chegaram a construir uma réplica exata da casa segura onde Maduro se encontrava, permitindo ensaios detalhados de entrada e retirada. Paralelamente, equipes de inteligência mapearam minuciosamente a rotina do presidente venezuelano, analisando seus deslocamentos, hábitos, locais frequentados e o esquema de segurança, com o objetivo de reduzir riscos e preservar o fator surpresa.
Hora a hora: como a operação foi executada
De acordo com autoridades americanas, o sinal verde final foi dado pouco antes das 23h de sexta-feira (horário dos Estados Unidos), quando Donald Trump autorizou o início da missão a partir de sua residência na Flórida. A ordem desencadeou o envio de aproximadamente 150 aeronaves, que partiram de bases terrestres e marítimas posicionadas no Caribe e em outros pontos do hemisfério ocidental.
As aeronaves avançaram em voo de baixa altitude, seguindo pela costa venezuelana e depois atravessando a cordilheira que separa o litoral de Caracas. Durante a aproximação, helicópteros foram escoltados por caças, bombardeiros e drones, enquanto sistemas de defesa antiaérea venezuelanos eram neutralizados para garantir a passagem segura das forças de assalto.
Por volta da 1h da manhã (horário dos EUA), os helicópteros chegaram ao complexo onde Maduro e sua esposa estavam. Houve troca de tiros, e uma das aeronaves foi atingida, mas permaneceu operacional. As tropas desembarcaram, romperam portas reforçadas e invadiram a residência descrita como uma fortaleza. Segundo os EUA, Maduro tentou alcançar uma área de segurança interna, mas não conseguiu se proteger a tempo. Ele e Cilia Flores acabaram se rendendo.
Durante a retirada, já na madrugada de sábado, as forças americanas enfrentaram novos confrontos armados enquanto deixavam Caracas. Aeronaves de combate deram cobertura à saída. Por volta das 3h30, Maduro e sua esposa já estavam a bordo do navio anfíbio USS Iwo Jima, em águas do Caribe, de onde foram transferidos para custódia americana.
Trump acompanhou tudo em tempo real
Donald Trump supervisionou a operação por meio de transmissão ao vivo, acompanhado por assessores civis e militares. Horas depois, anunciou publicamente o sucesso da missão e divulgou imagens de Maduro detido, algemado e sob custódia, a bordo do USS Iwo Jima. As imagens tiveram forte impacto político e simbólico, reforçando o caráter inédito da captura de um chefe de Estado em exercício.
Alvos atingidos durante a ofensiva
Ao mesmo tempo em que a extração era executada, explosões foram registradas em pontos estratégicos da Venezuela. Autoridades americanas afirmaram que os ataques tiveram caráter defensivo e buscaram garantir a segurança das tropas. Entre os locais atingidos estariam a Base Aérea de La Carlota, o Forte Tiuna, o porto de La Guaira e o aeroporto de Higuerote, considerados estratégicos para a logística e a defesa do governo venezuelano.
Maduro enfrenta julgamento em Nova York
Após ser levado aos Estados Unidos, Nicolás Maduro, de 63 anos, foi transferido para uma prisão em Brooklyn, onde permanece detido junto com sua esposa. Ele é acusado de comandar uma rede internacional de tráfico de cocaína e narcoterrorismo, que teria atuado em parceria com grupos como os cartéis mexicanos de Sinaloa e Zetas, dissidentes das FARC colombianas e a facção Tren de Aragua. O ex-presidente venezuelano deveria comparecer a um tribunal federal em Manhattan, onde responderia formalmente às acusações.
Maduro nega todas as denúncias e afirma que elas fazem parte de um plano de perseguição política e de interesses econômicos dos Estados Unidos sobre as vastas reservas de petróleo da Venezuela.
Disputa por petróleo e mensagens a Washington
Apesar de classificar Maduro como ditador e narcotraficante, Trump deixou claro que a Venezuela ocupa papel central na estratégia energética americana. O país possui as maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, embora a produção esteja em forte declínio após anos de má gestão, sanções e falta de investimentos.
Após inicialmente denunciar a captura de Maduro como um “sequestro” e uma ação colonial, a presidente interina Delcy Rodríguez mudou o tom e sinalizou abertura ao diálogo. Ela afirmou que é prioridade manter relações respeitosas com Washington e convidou os Estados Unidos a cooperarem em uma agenda de desenvolvimento e estabilidade, dentro do marco do direito internacional.
Trump, por sua vez, afirmou que pode ordenar novas ações militares caso a Venezuela não coopere na abertura do setor petrolífero e no combate ao tráfico de drogas, além de ter feito ameaças indiretas envolvendo outros países da região.
Repercussão internacional e debate na ONU
A captura de Maduro levou o Conselho de Segurança da ONU a convocar uma reunião para discutir a legalidade da operação. Rússia, China e aliados de esquerda da Venezuela condenaram duramente a ação, acusando os Estados Unidos de violar o direito internacional. O secretário-geral da ONU alertou para o risco de um precedente perigoso.
Especialistas avaliam que, apesar das críticas, Washington dificilmente sofrerá consequências formais no Conselho de Segurança, já que detém poder de veto. Aliados europeus dos EUA adotaram um tom cauteloso, defendendo respeito ao direito internacional sem condenar explicitamente a operação.
Impactos internos e clima de incerteza na Venezuela
Dentro da Venezuela, aliados de Maduro permanecem no controle das principais estruturas de poder, enquanto parte da população reage com cautela. Há relatos de aumento na compra de alimentos e medicamentos diante do temor de instabilidade. Embora alguns opositores tenham celebrado a queda de Maduro, muitos mantêm expectativa contida, diante da incerteza sobre o futuro político do país e o papel que os Estados Unidos pretendem desempenhar no pós-Maduro.
Matéria produzida com base em informações da Reuters.



