China acusa EUA de “bullying”, Rússia fala em “hipocrisia”, e Brasil condena ofensiva militar no país vizinho
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou nesta segunda-feira (5) uma reunião de emergência para discutir a crise na Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. O encontro foi marcado por fortes críticas à atuação norte-americana e por um intenso embate diplomático entre potências globais.
China e Rússia, aliados históricos do governo venezuelano, condenaram duramente a operação. Já os Estados Unidos defenderam a ação, classificando-a como uma medida legal para o cumprimento da lei internacional.
Rússia acusa EUA de hipocrisia e imperialismo
Durante a sessão, o representante da Rússia afirmou que a atuação norte-americana representa um exemplo de hipocrisia e cinismo, acusando Washington de promover uma ação criminosa com objetivos estratégicos e econômicos.
Segundo o discurso russo, a operação abre precedente para um novo ciclo de neocolonialismo e imperialismo, colocando em risco a ordem internacional e a própria credibilidade das Nações Unidas.
China condena “bullying” e alerta para riscos globais
A China também fez duras críticas à ofensiva dos Estados Unidos. O representante chinês afirmou que o país está profundamente chocado com o que classificou como bullying internacional.
Segundo a delegação chinesa, nenhum país pode agir como polícia ou tribunal global, alertando que a ação pode gerar consequências graves para a estabilidade internacional e para a segurança da América Latina.
EUA defendem operação e chamam Maduro de fugitivo da Justiça
Em resposta às críticas, o representante dos Estados Unidos defendeu a captura de Maduro, afirmando que se tratou de uma operação para o cumprimento da lei.
O diplomata norte-americano declarou que Maduro é um fugitivo da Justiça dos EUA, acusando-o de envolvimento com o narcotráfico, manipulação eleitoral e de não possuir legitimidade como chefe de Estado.
Venezuela pede proteção de sua soberania e recursos
O embaixador da Venezuela na ONU afirmou que a ação norte-americana transmite a mensagem de que seguir o direito internacional seria opcional. Ele solicitou que o Conselho de Segurança adote medidas para:
- Exigir o respeito aos direitos de Nicolás Maduro e de sua esposa
- Condenar o uso da força contra a Venezuela
- Reafirmar a soberania territorial e o controle sobre recursos naturais
- Promover a desescalada do conflito e a proteção da população civil
Brasil condena intervenção armada e defende direito internacional
O Brasil também se posicionou durante a reunião, condenando a intervenção militar na Venezuela. O representante brasileiro afirmou que não é possível aceitar o argumento de que os fins justificam os meios, reforçando a defesa da soberania e do respeito à Carta das Nações Unidas.
A posição brasileira está alinhada ao posicionamento oficial do governo, que rejeitou a ofensiva armada e classificou a ação como uma violação do direito internacional.
Reunião foi convocada após ofensiva em Caracas
A reunião de emergência foi solicitada após ataques realizados em Caracas no último sábado (3), que culminaram na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos participaram de audiência em um tribunal de Nova York e declararam inocência das acusações.
O Conselho de Segurança segue dividido, enquanto a crise venezuelana passa a ocupar o centro do debate diplomático internacional.



