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Real dispara frente ao dólar em janeiro e entra no topo das moedas que mais se valorizaram no mundo

Com dólar enfraquecido no cenário global, moeda brasileira registra forte alta no início do ano e aparece entre os melhores desempenhos cambiais de 2026


O real começou 2026 em forte valorização frente ao dólar e voltou a ganhar destaque no cenário internacional. Levantamento com 28 economias mostra que a moeda brasileira foi a segunda que mais se valorizou no mundo em janeiro, ficando atrás apenas do peso chileno. O movimento ocorre em meio a um enfraquecimento amplo do dólar e a uma melhora no humor dos mercados em relação a países emergentes.

Até o dia 29 de janeiro, o real acumulava alta de 5,9% em relação ao dólar Ptax, taxa de referência calculada pelo Banco Central. Analistas classificam o comportamento do câmbio neste começo de ano como atípico, combinando queda generalizada da moeda americana com desempenho acima da média de divisas emergentes — com o Brasil entre os principais destaques.


Real tem um dos melhores desempenhos cambiais de janeiro

O estudo que monitora o comportamento do dólar em diferentes países aponta que o resultado de janeiro coloca o Brasil em posição de destaque no ranking cambial global. Segundo os analistas responsáveis pelo levantamento, não é comum ver o real liderando movimentos de valorização em ciclos de dólar mais fraco, o que torna o dado ainda mais relevante.

De acordo com a consultoria, o desempenho sinaliza mudança importante na percepção de risco e no fluxo de capital direcionado ao país. O avanço registrado neste mês é o maior para janeiro desde o ano passado, quando a moeda brasileira teve valorização superior a 6%. Considerando a série histórica desde 2020, este é o quarto melhor resultado para meses de janeiro.


Enfraquecimento do dólar favorece moedas emergentes

O cenário internacional contribuiu para o movimento. O levantamento indica que o dólar perdeu valor em 22 das 28 economias analisadas no período. Em apenas cinco houve valorização da moeda americana, enquanto em uma ela ficou praticamente estável.

Os especialistas ressaltam que não existe um único fator global explicando a queda do dólar, mas sim uma combinação de variáveis locais em cada país, como juros, expectativas fiscais, crescimento econômico e fluxo de investimentos. Mesmo assim, o efeito agregado foi de perda de força da divisa americana e ganho relativo de moedas selecionadas.

Nesse ambiente, moedas de países emergentes e exportadores de commodities tendem a reagir com mais intensidade — caso do real e do peso chileno.


Ranking global mostra liderança do Chile e Brasil no câmbio

No ranking de valorização frente ao dólar em janeiro, o peso chileno aparece na primeira posição, com ganho de cerca de 6,2%. Logo atrás está o real brasileiro, com valorização próxima de 5,9%.

Outras moedas que também apresentaram desempenho relevante no período incluem a coroa norueguesa, o dólar australiano e o rand sul-africano. O grupo reúne tanto economias desenvolvidas quanto emergentes, o que reforça a leitura de que o movimento não foi restrito a uma única região.

Os analistas destacam que o diferencial brasileiro chama atenção porque, em vários momentos recentes, o real esteve entre as moedas que mais sofreram pressão em ciclos de estresse global — o que torna a virada de janeiro ainda mais significativa.

Ranking Moedas – Janeiro 2026 (Fonte: Elos Ayta)

Histórico recente mostra meses de forte volatilidade

Apesar da alta atual, o histórico do real mostra períodos de quedas bruscas em momentos de choque internacional. Em março de 2020, no auge da turbulência causada pela pandemia, a moeda brasileira registrou uma das maiores desvalorizações mensais já observadas, com perda superior a 13%.

Outros episódios de pressão também ocorreram em ciclos de aperto monetário global e aumento da aversão ao risco, como em 2022 e em partes de 2024, quando o câmbio voltou a sofrer movimentos negativos relevantes. Por isso, operadores veem o resultado de janeiro de 2026 como um ponto de inflexão importante de curto prazo.


Dólar hoje: moeda volta a subir após sequência de quedas

Depois de encerrar o pregão anterior em baixa e abaixo do nível de R$ 5,20, o dólar voltou a subir na sessão seguinte, influenciado por notícias relacionadas à política monetária dos Estados Unidos e à escolha de nova liderança para o Federal Reserve.

No meio do dia, o dólar à vista operava em alta moderada, na faixa de R$ 5,22, enquanto os contratos futuros mais negociados também avançavam. O movimento interrompe, ao menos temporariamente, a sequência de desvalorização observada ao longo da semana.

Mesmo com a correção pontual, o saldo de janeiro permanece favorável ao real, que inicia o ano entre as moedas de melhor desempenho no mercado global de câmbio — um sinal acompanhado de perto por investidores, empresas e formuladores de política econômica.

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