Bombardeios coordenados deixam centenas de mortos, provocam fechamento do espaço aéreo no Golfo e elevam tensão global a um novo patamar
Ataque conjunto marca início de nova fase do conflito
Os Estados Unidos e Israel lançaram, na manhã de sábado (28), uma ofensiva militar coordenada contra o Irã, atingindo alvos estratégicos em diversas regiões do país. A operação foi confirmada pelo presidente Donald Trump, que classificou a campanha como “massiva e contínua”, com o objetivo declarado de destruir o programa nuclear iraniano e neutralizar ameaças militares.
Os bombardeios começaram ainda de madrugada no horário local e atingiram principalmente áreas no centro e noroeste do Irã, incluindo a capital, Teerã. Explosões também foram registradas em cidades como Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. Imagens de satélite analisadas por veículos internacionais apontam danos significativos no complexo da Casa da Liderança, sede do poder do líder supremo iraniano.

Morte de Ali Khamenei muda equilíbrio interno do regime
Horas após o início dos ataques, Trump anunciou que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, havia sido morto nos bombardeios. A informação foi posteriormente confirmada pela mídia estatal iraniana e pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do país.
O anúncio oficial foi feito na televisão estatal, em meio a um período de luto de 40 dias decretado pelas autoridades. A morte de Khamenei representa o maior abalo institucional no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979 e abre uma corrida interna pela sucessão.
No domingo (1º), o clérigo Alireza Arafi foi nomeado membro jurista do Conselho de Liderança temporário, órgão que assume as funções do líder supremo até que a Assembleia de Peritos escolha oficialmente um sucessor. Ele passa a dividir a responsabilidade com o presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei.

Retaliação iraniana atinge bases americanas e aliados no Golfo
A resposta de Teerã foi imediata. A Guarda Revolucionária anunciou uma ofensiva retaliatória contra Israel e contra bases americanas espalhadas pelo Oriente Médio. Mísseis e drones foram lançados contra alvos em Israel e em países que abrigam forças dos EUA, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Arábia Saudita.
Explosões foram registradas em Abu Dhabi e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, além de Doha, no Catar, e Manama, no Bahrein. Instalações ligadas à Quinta Frota americana no Bahrein foram atingidas. Autoridades americanas afirmaram que os danos às bases foram “mínimos”, mas a escalada ampliou o temor de uma guerra regional de grandes proporções.
O Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa entre 20% e 30% do petróleo comercializado globalmente, foi fechado segundo a agência iraniana Tasnim, embora não haja confirmação internacional independente até o momento.
Centenas de mortos e crise humanitária
Segundo o Crescente Vermelho iraniano, o número de mortos já chega a 555, com ao menos 747 feridos e 131 cidades atingidas. A organização relatou que mais de 200 pessoas morreram apenas no primeiro dia de ataques.
Há denúncias de bombardeios que atingiram áreas civis, incluindo uma escola primária feminina na província de Hormozgan. A BBC informou não ter conseguido verificar independentemente parte dessas informações devido ao bloqueio quase total da internet no país.
O governo iraniano determinou o fechamento de escolas e universidades, funcionamento parcial de órgãos públicos e recomendou que a população evitasse deslocamentos desnecessários.
Espaço aéreo fechado paralisa hubs globais e afeta o Brasil
O impacto do conflito foi imediato na aviação internacional. Israel, Irã, Iraque, Kuwait, Bahrein e Catar fecharam seus espaços aéreos, forçando companhias aéreas a cancelar voos ou redesenhar rotas em tempo real. Centenas de voos internacionais de diversas empresas sofreram cancelamentos ou desvios neste sábado em todo o mundo por conta dos ataques coordenados.
No Brasil, a movimentação de aeronaves da Emirates e da Qatar Airways foi considerada anormal ao longo do dia. O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, registrou uma cena inédita com quatro aeronaves da Qatar Airways estacionadas simultaneamente no pátio, incluindo dois Airbus A350-1000 e um Boeing 777-200LR. Um terceiro A350 precisou retornar após cruzar o Atlântico, quando já se aproximava do continente africano. O terminal internacional paulista também registra uma cena rara, com a presença simultânea de duas aeronaves Airbus A380, o maior avião comercial do planeta, operadas pela Emirates.
O voo EK262, da Emirates, que havia decolado de Guarulhos com destino a Dubai, precisou retornar quando já estava na costa africana, após o fechamento do espaço aéreo na região do conflito. Já o voo EK247 da companhia, operado por um Boeing 777-300ER, de matrícula A6-EGA, pousou às 16h29 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão, segundo dados da plataforma AirNav Radar, especializada em monitoramento global de voos.

Programa nuclear no centro da crise
Trump justificou a ofensiva afirmando que o Irã retomava seu programa nuclear e desenvolvia mísseis de longo alcance capazes de ameaçar aliados europeus e eventualmente o território americano. O governo iraniano nega buscar armas nucleares e sustenta que seu programa tem fins pacíficos.
Antes dos ataques, negociações indiretas entre Washington e Teerã estavam em andamento em Genebra, mas não avançaram. A Agência Internacional de Energia Atômica havia indicado, meses antes, que os bombardeios de 2025 causaram danos “graves, mas não totais” às instalações nucleares iranianas.
Estimativas anteriores apontavam que o Irã possuía cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a até 60%, tecnicamente próximo do nível necessário para uso militar.
Reações internacionais dividem a comunidade global
O governo brasileiro condenou a ofensiva por meio de nota do Itamaraty, defendendo que a solução para a disputa nuclear deve ser diplomática e pedindo respeito ao direito internacional e proteção de civis.
Reino Unido, França e Alemanha condenaram os ataques de retaliação iranianos contra países vizinhos, enquanto a China manifestou “profunda preocupação” com a escalada militar e pediu cessar-fogo imediato. A Rússia classificou as ações americanas e israelenses como imprudentes e contrárias ao direito internacional.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco defende contenção máxima e proteção da vida civil, reiterando o compromisso com a estabilidade regional.
Sociedade iraniana dividida e futuro incerto
Dentro do Irã, a reação popular tem sido ambivalente. Há registros de luto nas ruas e manifestações de apoio ao regime, mas também celebrações de grupos opositores que veem na morte de Khamenei uma possível abertura para mudança política.
Especialistas alertam, no entanto, que a morte do líder supremo não implica automaticamente a queda do regime. A estrutura teocrática iraniana prevê mecanismos institucionais para substituição do cargo, e as forças de segurança continuam operantes.
Com o fechamento do Estreito de Ormuz, o bloqueio do espaço aéreo regional e a promessa de novos ataques de ambos os lados, o conflito entra em uma fase de alta imprevisibilidade. O risco de ampliação para uma guerra regional ou mesmo de impacto global é considerado elevado por analistas internacionais.



