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EUA criticam condenação de Eduardo Bolsonaro e falam em “perseguição jurídica” no Brasil

Departamento de Estado americano reagiu à decisão da Primeira Turma do STF, que condenou o ex-deputado a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo ligado ao julgamento de Jair Bolsonaro


Governo dos EUA reage à decisão do STF

O Departamento de Estado dos Estados Unidos criticou a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo Supremo Tribunal Federal e classificou a decisão como um caso de “perseguição e manipulação jurídica” contra a oposição política no Brasil.

A manifestação foi feita após a Primeira Turma do STF condenar Eduardo Bolsonaro, por unanimidade, a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime inicialmente semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo.

Segundo a decisão do Supremo, o ex-deputado tentou constranger ministros da Corte e articular medidas nos Estados Unidos para atrapalhar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

Em declaração divulgada sobre o caso, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que “debates políticos devem ser resolvidos por eleições democráticas, não por condenações”.


O que disse o Departamento de Estado

A diplomacia americana afirmou que a condenação de Eduardo Bolsonaro seria mais um exemplo de uso do sistema judicial contra adversários políticos no Brasil.

A fala representa uma nova pressão do governo dos Estados Unidos sobre o Judiciário brasileiro, em um momento de tensão diplomática envolvendo decisões do Supremo Tribunal Federal e processos contra integrantes da família Bolsonaro.

Segundo a manifestação americana, a condenação do ex-deputado foi tratada como parte de um cenário de disputa política que, na avaliação do Departamento de Estado, deveria ser resolvida por meio do voto.

A declaração foi feita depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentar o caso durante a cúpula do G7, na França. Ao ser questionado sobre o Brasil, Trump afirmou ter ouvido que “Bolsonaro Jr.” havia sido preso ou poderia ser preso, aparentemente confundindo os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.


STF condenou Eduardo por coação no curso do processo

A condenação de Eduardo Bolsonaro foi definida pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal na terça-feira (16). A decisão foi unânime.

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, entendeu que havia elementos suficientes para comprovar que o ex-deputado praticou o crime de coação no curso do processo, conforme denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

De acordo com a PGR, Eduardo Bolsonaro atuou nos Estados Unidos para tentar criar um ambiente de instabilidade e temor em relação ao Brasil. A acusação sustenta que ele buscou promover sanções e retaliações estrangeiras contra autoridades brasileiras, especialmente ministros do STF.

Para a Procuradoria, o objetivo da articulação seria interferir no andamento do processo que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.


Acusação aponta tentativa de pressionar ministros

A investigação apontou que Eduardo Bolsonaro teria usado entrevistas, publicações em redes sociais e contatos no exterior para defender punições contra autoridades brasileiras.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, as ações buscavam constranger integrantes do Supremo e influenciar o julgamento da chamada trama golpista. A acusação também citou mensagens trocadas entre Eduardo e Jair Bolsonaro, que, na avaliação dos investigadores, demonstrariam a intenção de pressionar a cúpula do Judiciário.

O STF considerou que a conduta ultrapassou o campo da manifestação política e configurou tentativa de interferência em processo judicial.

A defesa, por outro lado, pediu a absolvição de Eduardo por falta de provas e levantou questionamentos processuais, incluindo a participação de Alexandre de Moraes no julgamento.


Defesa pediu anulação do processo

Eduardo Bolsonaro não indicou advogado particular no processo. Durante o julgamento, a defesa foi feita pela Defensoria Pública da União, representada pelo defensor público Esdras dos Santos Carvalho.

A DPU pediu a absolvição do ex-deputado e argumentou que não havia provas suficientes para a condenação. Também sustentou que questões processuais poderiam justificar a anulação de todo o processo.

Entre os pontos levantados pela defesa está o questionamento sobre a participação do ministro Alexandre de Moraes, que foi relator do caso. Para a Defensoria, haveria elementos para discutir a imparcialidade do julgamento.

Apesar dos argumentos, os ministros da Primeira Turma acompanharam o entendimento do relator e votaram pela condenação.


Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025. A permanência dele no exterior também foi mencionada ao longo das apurações sobre sua atuação política fora do Brasil.

A condenação não significa prisão imediata, já que ainda cabem recursos. No entanto, a pena foi fixada em 4 anos e 2 meses de prisão, em regime inicialmente semiaberto.

Além da pena de prisão, a decisão pode gerar efeitos políticos e eleitorais, como inelegibilidade, a depender do trânsito em julgado e da aplicação das normas da Lei da Ficha Limpa.

O caso ainda deve ter novos desdobramentos no Supremo.


Reação dos EUA aumenta tensão diplomática

A manifestação do Departamento de Estado ocorre em um contexto de maior atrito entre o governo Trump e autoridades brasileiras. A crítica pública à decisão do STF reforça a pressão internacional em torno dos processos envolvendo Jair Bolsonaro e seus aliados.

O governo americano classificou a condenação como “perseguição”, enquanto o STF e a PGR sustentam que o caso trata de uma tentativa de coação contra o Judiciário brasileiro.

A divergência coloca em lados opostos a avaliação política dos Estados Unidos e a interpretação jurídica adotada pela Suprema Corte brasileira.


Trump comentou o caso na França

Na quarta-feira (17), Donald Trump falou sobre o Brasil durante entrevista à imprensa na cúpula de Évian, na França. O presidente americano havia sido questionado sobre sua interação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o encontro internacional.

Ao responder, Trump mencionou que teria ouvido falar da prisão ou possível prisão de “Bolsonaro Jr.”. A fala gerou repercussão porque ele pareceu confundir os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, citando alguém que estaria concorrendo a cargo público.

A declaração de Trump foi interpretada como mais um sinal de atenção do governo americano ao caso e às disputas políticas brasileiras.


Caso está ligado ao julgamento de Jair Bolsonaro

A condenação de Eduardo Bolsonaro está relacionada ao processo em que Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

O ex-presidente recebeu pena superior a 27 anos de prisão e cumpre prisão domiciliar. No entendimento da Procuradoria, Eduardo atuou no exterior para tentar evitar ou dificultar a responsabilização criminal do pai.

A PGR afirmou que o objetivo das ações do ex-deputado era sobrepor interesses familiares às regras do devido processo legal e ao funcionamento regular da Justiça brasileira.

O Supremo aceitou a denúncia, tornou Eduardo réu e, agora, concluiu o julgamento com condenação.


Condenação ainda pode ser contestada

Apesar da decisão unânime da Primeira Turma do STF, a defesa de Eduardo Bolsonaro ainda pode apresentar recursos.

Até que o processo chegue ao fim definitivo, a condenação pode ser questionada dentro dos instrumentos previstos na legislação brasileira.

O caso segue com forte repercussão política no Brasil e no exterior. De um lado, o governo americano classifica a decisão como perseguição política. De outro, o Supremo e a Procuradoria afirmam que a condenação decorre de atos concretos de coação e tentativa de interferência no funcionamento do Judiciário.


Entenda o caso

Eduardo Bolsonaro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República sob acusação de ter atuado nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento de Jair Bolsonaro.

A PGR citou entrevistas, postagens e mensagens que, segundo a acusação, demonstrariam articulações para estimular retaliações estrangeiras contra o Brasil e contra ministros do STF.

A Primeira Turma do Supremo acolheu a acusação e condenou o ex-deputado por coação no curso do processo.

A reação do Departamento de Estado dos Estados Unidos abriu um novo capítulo diplomático no caso, ao transformar a condenação em tema de tensão entre Washington e Brasília.

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