Relatório do Gaeco de Presidente Prudente afirma que a influenciadora teria cometido crimes durante período anterior de prisão domiciliar e sustenta que ela deve permanecer presa em Tupi Paulista
Ministério Público reforça denúncia contra Deolane Bezerra
O Ministério Público do Estado de São Paulo apontou novos elementos contra a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, presa preventivamente no Complexo Penal Feminino de Tupi Paulista, no oeste paulista. Segundo relatório produzido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, núcleo de Presidente Prudente, a investigada teria cometido crimes durante um suposto período de prisão domiciliar em 2024.
A informação foi utilizada pelo MP para reforçar os motivos pelos quais a prisão domiciliar foi negada desta vez. A defesa da influenciadora havia pedido que ela fosse transferida para uma Sala de Estado-Maior ou que a prisão preventiva fosse substituída pelo cumprimento da medida em casa.
O Ministério Público, no entanto, sustentou que o caso envolve suspeita de atuação em organização criminosa e lavagem de dinheiro, o que, segundo a Promotoria, torna incabível a concessão da prisão domiciliar nas circunstâncias analisadas.
Gaeco aponta gravidade dos crimes investigados
De acordo com o relatório do Gaeco, a gravidade dos crimes investigados é um dos principais fundamentos para a manutenção da prisão preventiva. O MP afirma que Deolane é investigada por suposta atividade de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital, além de possível envolvimento com a estrutura financeira da organização criminosa.
O órgão também afirmou que o pedido de prisão domiciliar não deve ser concedido em casos envolvendo organização criminosa que atua mediante violência. Para o Ministério Público, a acusação em apuração tem gravidade suficiente para afastar a substituição da prisão preventiva por medidas menos restritivas.
Segundo o relatório, a influenciadora teria mantido valores da organização criminosa em imóveis próprios e de seus filhos. O MP afirma que esses seriam os mesmos ambientes domésticos nos quais ela poderia permanecer caso fosse autorizada a cumprir prisão domiciliar.
Filha menor de 12 anos foi citada pela defesa
A defesa de Deolane também argumentou que a influenciadora é mãe de uma criança menor de 12 anos, o que poderia justificar a concessão da prisão domiciliar. O Ministério Público, porém, afirmou que essa condição não deve ser analisada de forma isolada.
Segundo o relatório, as crianças estão sob os cuidados da avó da ré. Além disso, o MP afirmou que a presença de dinheiro supostamente ligado à organização criminosa em imóveis da família indicaria risco ao ambiente doméstico.
Na avaliação da Promotoria, os elementos reunidos no caso afastam a possibilidade de concessão da prisão domiciliar apenas com base na maternidade. O órgão sustentou que a análise deve considerar o conjunto das circunstâncias, incluindo a gravidade da investigação e o suposto risco de continuidade das atividades criminosas.
MP afirma que prisão domiciliar é incabível no caso
O Ministério Público reforçou que a prisão domiciliar não seria adequada diante das acusações investigadas. A Promotoria afirma que Deolane teria ligação com uma estrutura de lavagem de dinheiro associada ao PCC e que haveria indícios de planos para expansão internacional da facção criminosa.
Com base nesses elementos, o MP defendeu que a prisão preventiva deve ser mantida. O órgão também destacou que a unidade prisional de Tupi Paulista teria condições adequadas para custodiar a influenciadora.
A posição do Ministério Público foi apresentada após a defesa alegar que o local de custódia não teria características compatíveis com a prerrogativa de Sala de Estado-Maior, prevista para advogados presos antes de condenação definitiva.
Defesa alegou problemas na unidade prisional
A defesa de Deolane afirmou que ela está presa preventivamente desde 21 de maio de 2026 e alegou que o Complexo Penal Feminino de Tupi Paulista não possui estrutura compatível com uma Sala de Estado-Maior.
Os advogados sustentaram que uma inspeção da OAB-SP teria apontado problemas como falta de ventilação adequada, calor excessivo, alimentos impróprios para consumo, vaso sanitário próximo ao local destinado à alimentação, impossibilidade de portar itens de higiene pessoal, perturbação sonora constante e restrições ao contato direto com a defesa.
A defesa também informou que Deolane é portadora de síndrome do pânico, faz uso de medicação controlada e teria apresentado episódios de queda de pressão e tontura por causa das condições do cárcere e da dificuldade de alimentação adequada.
Além disso, os advogados citaram a presença de escorpiões na cela, forte odor de tinta em razão de pintura recente e necessidade de atendimento médico.
Penitenciária nega irregularidades apontadas pela defesa
Ao analisar o caso, a Justiça considerou informações prestadas pela administração da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista. Segundo a unidade prisional, Deolane está custodiada desde 22 de maio de 2026 em um Pavilhão Especial, separado das demais alas da penitenciária.
De acordo com a administração, o local possui habitações individuais equipadas com cama, mesa, cadeira, banheiro com chuveiro elétrico, ventilador, televisão, água gelada e garrafa térmica. A unidade também informou que há solário para banho de sol diário.
A penitenciária afirmou ainda que oferece atendimento médico, psicológico e odontológico, além de visitas em ambiente reservado e fornecimento periódico de kits de higiene pessoal.
A administração também negou as alegações de insalubridade e infestação de escorpiões. Segundo a unidade, são realizadas dedetizações periódicas e manutenção contínua das instalações.
Justiça entendeu que Deolane está em cela especial
Na decisão, o juiz responsável pelo caso considerou que o local de custódia atende à prerrogativa profissional prevista no Estatuto da Advocacia. Como Deolane é advogada inscrita na OAB-SP, a defesa pediu o reconhecimento do direito a uma acomodação especial.
O magistrado, no entanto, afirmou que a influenciadora está em uma cela especial, separada das demais presas, e que as condições informadas pela administração prisional são compatíveis com a exigência legal.
Com isso, a Justiça negou o pedido de transferência para Sala de Estado-Maior e também rejeitou a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar.
Caso envolve denúncia por organização criminosa e lavagem de dinheiro
Nesta quarta-feira, 10 de junho, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Deolane Bezerra à Justiça. A influenciadora é investigada em um caso que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e ligação com uma organização criminosa.
O relatório do Gaeco de Presidente Prudente reforça que o caso não se limita à análise das condições da prisão. Para o Ministério Público, há elementos que indicam risco concreto caso a influenciadora fosse autorizada a cumprir a medida em casa.
A investigação afirma que Deolane teria atuado em favor da organização criminosa e mantido recursos em imóveis ligados a ela e a seus filhos. Essas informações foram usadas para sustentar que a prisão domiciliar poderia comprometer a apuração e representar risco de continuidade das condutas investigadas.
Influenciadora segue presa em Tupi Paulista
Com a negativa da Justiça, Deolane Bezerra segue presa no Complexo Penal Feminino de Tupi Paulista, no oeste do estado de São Paulo. A defesa ainda pode recorrer da decisão.
O caso segue em andamento e deverá ter novos desdobramentos após o recebimento da denúncia e a análise dos argumentos apresentados pelo Ministério Público e pelos advogados da influenciadora.
Até o momento, a prisão é preventiva, ou seja, não representa condenação definitiva. Deolane ainda responderá ao processo e terá direito à defesa durante a tramitação judicial.
Entenda o caso
Deolane Bezerra está presa preventivamente desde maio de 2026 no Complexo Penal Feminino de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
O Ministério Público ofereceu denúncia contra a influenciadora em investigação que apura suposta lavagem de dinheiro e ligação com organização criminosa.
A defesa pediu transferência para uma Sala de Estado-Maior ou substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar.
O MP se manifestou contra o pedido e afirmou que Deolane teria cometido crimes durante um suposto período anterior de prisão domiciliar, em 2024.
A Justiça negou o pedido da defesa e entendeu que a unidade prisional possui condições adequadas para manter a influenciadora custodiada em cela especial.









































































































