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Caiado chama Eduardo Bolsonaro de “Pateta” em discussão sobre green card e tarifas dos EUA

Pré-candidato à Presidência criticou atuação do ex-deputado nos Estados Unidos e afirmou que produtores brasileiros precisam de acesso ao mercado americano; Eduardo respondeu citando o STF e a condenação do pai


O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro trocaram críticas nas redes sociais na noite de terça-feira (21).

Durante o embate, Caiado comparou Eduardo ao personagem Pateta, da Disney, e afirmou que sua atuação nos Estados Unidos poderá provocar prejuízos para a indústria, as exportações e os empregos no Brasil.

A discussão começou após o governo americano conceder um green card ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Caiado utilizou o episódio para criticar a postura do ex-parlamentar diante da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos. Eduardo respondeu acusando o pré-candidato de não defender pessoas condenadas no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.


Caiado critica green card de Eduardo

A primeira publicação de Caiado relacionou a concessão da residência permanente americana aos efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

O pré-candidato afirmou que quem realmente precisa de um “green card” é o produtor brasileiro, para conseguir entrar no mercado americano sem pagar tarifas adicionais.

“Precisamos valorizar e fortalecer o agro do nosso país, defender a indústria e proteger os empregos do Brasil. Não é turismo, é sobre autoridade moral para governar”, escreveu.

A declaração foi interpretada como uma crítica à permanência de Eduardo nos Estados Unidos e à atuação política do ex-deputado no exterior.


Eduardo responde com “golpe da Disney”

Eduardo Bolsonaro reagiu dizendo que os “fazendeiros condenados no golpe da Disney” seriam os verdadeiros interessados no documento.

A expressão foi utilizada como uma referência irônica ao processo da trama golpista julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e atualmente cumpre a pena em regime domiciliar.

Eduardo também criticou Caiado por não se posicionar em defesa dos condenados no processo.


Ex-deputado cita STF e elite de Brasília

Na resposta, Eduardo questionou a relação de Caiado com integrantes do Supremo e com grupos políticos de Brasília.

“É o preço que o senhor paga para participar dos coquetéis do STF e da elite de Brasília?”, escreveu.

O ex-deputado também criticou homenagens concedidas pelo governo goiano a pessoas que ele classifica como perseguidoras de seus aliados.

“Dando cidadania goiana aos perseguidores, o senhor deixa claro a quem atenderia caso chegasse à Presidência. E ainda vem falar de ‘autoridade moral’ para governar o Brasil. Faça-me o favor”, declarou.


Caiado compara Eduardo ao Pateta

Depois da resposta, Caiado publicou uma nova mensagem e comparou Eduardo ao personagem Pateta.

“A diferença é que o Pateta da Disney é atrapalhado, mas bem-intencionado e inofensivo”, afirmou.

O pré-candidato disse que o “Pateta da política brasileira” estaria tropeçando nos Estados Unidos e que as consequências poderiam atingir o país.

Segundo Caiado, a atuação de Eduardo poderá custar caro ao Brasil ao prejudicar a indústria, as exportações e os empregos.


Discussão expõe divisão na direita

A troca de ataques mostra uma divisão entre diferentes setores da direita brasileira antes das eleições presidenciais.

Caiado tenta se apresentar como um nome de direita com experiência administrativa e defesa do agronegócio, mas sem alinhamento automático à família Bolsonaro.

Eduardo, por sua vez, mantém sua atuação política ligada à defesa do pai e dos aliados condenados ou investigados pelo STF.

O embate também coloca a política externa e as tarifas americanas no centro da disputa eleitoral.


Green card foi concedido pelo governo americano

Eduardo Bolsonaro recebeu do governo dos Estados Unidos a autorização de residência permanente no país.

O ex-deputado mudou-se para os Estados Unidos em fevereiro de 2025 e passou a desenvolver atividades políticas a partir do território americano.

O green card permite morar e trabalhar legalmente no país por tempo indeterminado, desde que o residente cumpra as regras migratórias.

O documento não equivale à cidadania americana. Eduardo não passa automaticamente a ter passaporte dos Estados Unidos nem direito de votar nas eleições federais do país.


Concessão ocorre durante crise diplomática

A autorização foi concedida em um momento de tensão nas relações entre os governos brasileiro e americano.

Os Estados Unidos aumentaram as tarifas sobre milhares de produtos brasileiros, provocando críticas do governo Lula e preocupação entre os setores exportadores.

A sobretaxa afeta áreas como máquinas, etanol, pneus, calçados, madeira, papel e determinados produtos industriais.

Caiado utilizou justamente os efeitos econômicos dessas medidas para questionar a atuação de Eduardo nos Estados Unidos.


Atuação de Eduardo nos EUA gera críticas

Eduardo Bolsonaro tornou-se uma figura central nas discussões sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos.

O ex-deputado foi acusado de articular medidas e sanções contra autoridades brasileiras durante processos que envolviam Jair Bolsonaro.

Seus críticos afirmam que essa atuação contribuiu para ampliar as tensões diplomáticas e comerciais.

Eduardo e seus aliados, por outro lado, dizem que as articulações tiveram como objetivo denunciar supostos abusos praticados pelo Judiciário brasileiro.


Eduardo foi condenado pelo STF

O Supremo Tribunal Federal condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo.

A condenação ocorreu após o julgamento relacionado à trama golpista que também resultou na pena imposta a Jair Bolsonaro.

Segundo a acusação, Eduardo atuou para pressionar integrantes do Judiciário e interferir no andamento dos processos contra o pai.

O ex-deputado contesta a condenação e afirma ser vítima de perseguição política.


Green card não elimina decisões brasileiras

A residência permanente concedida pelos Estados Unidos não anula a condenação determinada pelo STF.

As decisões judiciais continuam válidas no Brasil, embora o cumprimento da pena dependa da localização do condenado e dos procedimentos adotados pelas autoridades.

Uma eventual extradição exigiria um pedido formal e a análise das autoridades americanas.

O green card, por si só, não concede imunidade nem impede automaticamente um processo de cooperação judicial entre os dois países.


Caiado tenta se afastar do bolsonarismo

A troca de críticas ocorre enquanto Ronaldo Caiado constrói sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

Embora seja identificado com pautas conservadoras e tenha mantido alianças anteriores com Jair Bolsonaro, o político goiano tenta apresentar um projeto próprio para a Presidência.

A defesa do agronegócio e a crítica às tarifas americanas fazem parte dessa estratégia.

Ao confrontar Eduardo publicamente, Caiado amplia o distanciamento em relação à família Bolsonaro e disputa espaço entre os eleitores de direita.


Embate antecipa disputa eleitoral

A discussão indica que a campanha presidencial poderá ser marcada por confrontos dentro do próprio campo conservador.

A família Bolsonaro pretende manter influência sobre a escolha do candidato da direita, enquanto outros grupos defendem nomes independentes.

Caiado tenta aproveitar a crise comercial para apresentar uma imagem de defesa da produção nacional.

Eduardo responde associando seus críticos ao STF e ao grupo político que considera responsável pelas condenações de Jair Bolsonaro e de seus aliados.

Com isso, o green card concedido ao ex-deputado passou de uma questão migratória para mais um elemento da disputa política brasileira.