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Infantino busca apoio de Trump para resistir à pressão por saída da Fifa, afirma jornal

Presidente da entidade enfrenta críticas após propor a venda de uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo; reunião com o secretário de Estado Marco Rubio ainda não foi confirmada pelo governo norte-americano


Infantino busca apoio político nos Estados Unidos

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pretende buscar o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para permanecer no comando da entidade máxima do futebol mundial. A informação foi publicada nesta segunda-feira (3) pelo jornal norte-americano New York Post.

De acordo com a reportagem, Infantino solicitou uma reunião com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O objetivo seria convencer o chefe da diplomacia norte-americana a interceder junto a Trump em defesa da permanência do dirigente na presidência da Fifa.

O encontro estaria previsto para ocorrer ainda nesta segunda-feira. Entretanto, o governo dos Estados Unidos não havia confirmado publicamente a reunião até a última atualização da reportagem.

A suposta movimentação acontece em meio ao aumento da pressão sobre Infantino, criticado após anunciar um plano para permitir a entrada de investidores privados na administração dos direitos comerciais da Copa do Mundo e dos Mundiais de Clubes.

Embora o presidente da Fifa tenha anunciado a desistência da proposta, o episódio provocou uma crise interna e intensificou os pedidos para que ele deixe o cargo.


Plano previa subsidiária de US$ 20 bilhões

A controvérsia começou após Infantino apresentar a proposta de criação da FIFA Forward Enterprise, conhecida pela sigla FFE.

A nova subsidiária seria responsável pela administração dos direitos comerciais da Copa do Mundo e dos Mundiais de Clubes masculino e feminino. A empresa seria avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 102 bilhões.

Pelo projeto, investidores privados poderiam adquirir uma participação minoritária na operação comercial dessas competições. A medida abriria espaço para que parte de um dos ativos mais valiosos do esporte mundial fosse administrada com a participação de grupos externos.

A proposta provocou forte reação dentro e fora da entidade. Dirigentes, torcedores e organizações esportivas questionaram a transparência do projeto, os possíveis conflitos de interesse e as consequências da entrada de capital privado na administração das competições.

Diante da repercussão negativa, Infantino anunciou que não seguiria com o plano. O recuo, porém, não foi suficiente para encerrar a crise.


Fundo possui ligação com família de Trump

Outro ponto que ampliou a controvérsia foi a ligação entre o fundo de investimento mencionado no projeto e a família do presidente norte-americano.

Segundo a proposta apresentada por Infantino, a comercialização dos direitos seria realizada por meio do fundo Thrive Eternal, controlado pelo empresário Joshua Kushner.

Joshua é irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump. Jared foi uma figura influente no primeiro governo do republicano e mantém uma relação próxima com o presidente.

A conexão alimentou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, especialmente diante da proximidade pública entre Infantino e Trump.

O plano envolveria um ativo multibilionário da Fifa, um fundo controlado por um integrante da família Kushner e uma entidade cujo presidente mantém laços próximos com o chefe da Casa Branca.

Embora essa relação não seja suficiente, por si só, para comprovar qualquer irregularidade, ela aumentou a cobrança por transparência e explicações sobre os critérios utilizados na elaboração do projeto.


Uefa anunciou boicote às competições da Fifa

A reação mais dura partiu da Uefa, entidade responsável pelo futebol europeu. A confederação anunciou um boicote às competições organizadas pela Fifa enquanto a proposta não fosse definitivamente abandonada.

A medida elevou significativamente o nível da crise. A Uefa representa algumas das federações, seleções e ligas mais influentes e financeiramente poderosas do futebol mundial.

Um confronto prolongado entre Fifa e Uefa poderia provocar consequências para o calendário internacional, para os clubes e para as seleções.

Mesmo após Infantino anunciar a desistência da subsidiária, dirigentes passaram a exigir garantias de que o projeto não seria retomado posteriormente sob outro formato.

O recuo também não eliminou os questionamentos sobre a forma como a proposta foi preparada e apresentada. A crise deixou de envolver apenas o futuro da FFE e passou a atingir diretamente a liderança de Infantino.


Dirigente enfrenta pressão para renunciar

A resistência ao projeto provocou uma onda de cobranças para que Gianni Infantino deixe a presidência da Fifa.

Os críticos afirmam que uma decisão dessa dimensão não poderia ser apresentada sem ampla discussão com as federações que integram a entidade. Também existem preocupações sobre a entrega de parte dos direitos comerciais do futebol mundial a investidores privados.

A proposta atingiu um dos pilares financeiros da Fifa. As receitas relacionadas às competições internacionais, principalmente à Copa do Mundo, sustentam programas e repasses destinados às diferentes federações nacionais.

Qualquer mudança no controle desses recursos poderia alterar a distribuição de receitas e a estrutura de poder dentro da entidade.

Para os opositores, a desistência do projeto não encerra a discussão sobre a capacidade de Infantino permanecer no comando. Eles defendem que o episódio comprometeu a confiança na atual gestão.


Aproximação com Trump ganha novo peso

Durante a Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, no México e no Canadá, Infantino e Trump demonstraram uma relação de proximidade.

O presidente da Fifa participou de diferentes eventos ao lado do republicano e tratou o governo norte-americano como um parceiro central na organização do torneio.

Antes da competição, Infantino criou o Prêmio Fifa da Paz e entregou a primeira edição a Trump. Naquele período, o presidente dos Estados Unidos reivindicava publicamente que deveria receber o Prêmio Nobel da Paz.

A homenagem provocou críticas e levantou dúvidas sobre o envolvimento da Fifa em assuntos políticos. A entidade, embora precise dialogar com governos para organizar suas competições, tradicionalmente afirma buscar independência em relação a disputas partidárias.

Agora, a informação de que Infantino procuraria Trump para ajudá-lo a preservar o cargo oferece um novo significado à relação construída entre os dois.

Caso a informação seja confirmada, o presidente da Fifa estaria recorrendo ao poder político de um chefe de Estado para enfrentar uma crise interna de uma organização esportiva internacional.


Pedido seria intermediado por Marco Rubio

Conforme o New York Post, o primeiro passo de Infantino seria a reunião com Marco Rubio.

Como secretário de Estado, Rubio ocupa uma das posições mais importantes do governo norte-americano e é responsável pela condução da política externa do país.

O encontro serviria para apresentar a versão de Infantino sobre a crise e buscar uma aproximação com Trump. Ainda não está claro de que forma o presidente dos Estados Unidos poderia atuar para ajudar o dirigente.

A Fifa é formada por federações nacionais e possui mecanismos próprios para escolher e afastar seus dirigentes. Dessa forma, Trump não possui autoridade formal para decidir quem ocupa a presidência da entidade.

Seu apoio, entretanto, poderia exercer influência política, especialmente pela força dos Estados Unidos no cenário internacional e pela relação construída durante a Copa de 2026.

A falta de confirmação oficial do encontro exige cautela. Até o momento, a informação sobre a reunião e seus objetivos está baseada na publicação do jornal norte-americano.


Trump não possui poder formal sobre a Fifa

Mesmo que Donald Trump manifeste apoio público a Infantino, a permanência do dirigente depende da estrutura interna da Fifa.

As federações associadas são responsáveis pelas decisões eleitorais da entidade. Pressões por renúncia também precisariam ser transformadas em ações concretas dentro das regras institucionais.

O apoio de Trump poderia ajudar Infantino a demonstrar que ainda possui aliados importantes, mas não seria suficiente para encerrar a resistência de dirigentes europeus ou de outras confederações.

Além disso, a intervenção pública de um presidente norte-americano poderia aumentar as críticas sobre a independência da Fifa.

Quanto mais Infantino depender de um governo para preservar seu cargo, maior será o questionamento sobre a autonomia da entidade que dirige.

Essa situação poderá ser explorada por adversários internos, principalmente aqueles que já consideram excessiva a aproximação entre o presidente da Fifa e lideranças políticas.


Venda de direitos mudaria estrutura comercial

A proposta da FFE representaria uma transformação na maneira como a Fifa administra seus principais produtos.

Os direitos comerciais da Copa envolvem contratos de transmissão, publicidade, patrocínio, licenciamento e diferentes fontes de receita. Esses ativos possuem grande valor justamente pela audiência mundial alcançada pelo torneio.

A venda de uma participação minoritária permitiria a entrada imediata de recursos privados. Em contrapartida, investidores passariam a participar de uma estrutura associada às receitas futuras das competições.

Os defensores de modelos semelhantes costumam argumentar que o capital privado pode acelerar investimentos e profissionalizar operações comerciais. Os críticos alertam para o risco de perda de controle, pressão por retorno financeiro e redução da influência das federações.

No caso da Fifa, o tema torna-se ainda mais sensível porque a entidade não administra apenas um produto comercial. Ela também é responsável pela organização e pelo desenvolvimento do futebol em diferentes continentes.


Recuo não encerrou crise de confiança

A desistência anunciada por Infantino retirou a proposta da pauta imediata, mas não resolveu a crise de confiança provocada por sua apresentação.

Os opositores querem garantias de que a subsidiária não será recriada com outro nome ou estrutura semelhante. Também cobram transparência sobre as negociações realizadas antes do anúncio.

Ainda não está claro até que ponto o fundo Thrive Eternal participou da elaboração do projeto ou quais compromissos já haviam sido discutidos.

Essas perguntas deverão continuar sendo feitas mesmo que a proposta seja formalmente abandonada.

O problema para Infantino não é mais apenas convencer os dirigentes de que desistiu da venda. Ele também precisa explicar por que considerou o modelo adequado e como foram escolhidos os possíveis parceiros.


Crise mistura futebol, negócios e política

O episódio reúne três elementos que frequentemente geram tensão dentro das grandes organizações esportivas: dinheiro, concentração de poder e influência política.

A Fifa controla algumas das competições mais lucrativas do mundo. As decisões sobre seus direitos comerciais movimentam bilhões de dólares e atingem emissoras, patrocinadores, clubes, federações e torcedores.

A participação de um fundo ligado à família Kushner e a possível busca pelo apoio de Trump fazem com que a discussão ultrapasse os limites do futebol.

O caso também reforça questionamentos antigos sobre a relação de Infantino com governos. Para organizar uma Copa do Mundo, a entidade precisa negociar segurança, vistos, infraestrutura e transporte com os países-sede.

Essa necessidade de diálogo, entretanto, é diferente de recorrer a um presidente para buscar sustentação em uma disputa interna.


Futuro de Infantino dependerá das federações

A permanência de Gianni Infantino à frente da Fifa dependerá da reação das federações e das confederações continentais.

A Uefa já demonstrou oposição direta ao projeto, mas será necessário observar se outras entidades adotarão a mesma postura. Uma pressão concentrada apenas na Europa teria um impacto diferente de um movimento apoiado também por federações da América do Sul, África, Ásia, América do Norte e Oceania.

Infantino construiu sua base política por meio de relações com federações nacionais e programas de investimento no futebol. Essa rede de apoio poderá ajudá-lo a resistir aos pedidos de renúncia.

Ao mesmo tempo, a crise pode estimular o surgimento de novas alianças internas e possíveis adversários interessados na presidência da entidade.

A confirmação da reunião com Marco Rubio e uma eventual manifestação de Trump serão os próximos capítulos do caso. Também será necessário acompanhar se a Fifa divulgará documentos ou esclarecimentos sobre a proposta comercial.

Por enquanto, Infantino anunciou a desistência do plano, mas continua enfrentando pressão por sua saída. A busca por apoio político nos Estados Unidos, se confirmada, poderá ajudá-lo entre seus aliados — ou ampliar ainda mais os questionamentos sobre sua permanência.