Ao menos 28 candidatos sem parentesco com o presidente e o ex-presidente adotaram identificações eleitorais ligadas às duas principais lideranças políticas do país
Os eleitores brasileiros encontrarão nas urnas eletrônicas ao menos oito candidatos identificados com o nome “Lula” e outros 20 que utilizam “Bolsonaro” nas eleições marcadas para 4 de outubro.
Apesar dos nomes escolhidos, nenhum dos 28 candidatos contabilizados possui relação de parentesco com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os postulantes, entretanto, declaram apoio ou identificação política com as duas lideranças. A utilização dos sobrenomes e apelidos é vista como uma estratégia para associar candidaturas menos conhecidas a figuras com maior projeção nacional.
Entre os candidatos relacionados ao nome de Lula estão concorrentes aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas. No grupo identificado com Bolsonaro, também aparecem postulantes a cargos estaduais e federais.
Oito candidatos usarão o nome Lula
Entre os candidatos que adotarão o nome de Lula nas urnas, quatro disputam vagas de deputado estadual e outros dois concorrem à Câmara dos Deputados.
O levantamento também identificou um candidato a governador e um postulante ao Senado que utilizarão referências ao presidente petista.
Seis dos oito candidatos estão filiados ao PT, partido do presidente Lula. Os demais concorrem pelo Avante e pelo PSB.
A predominância de petistas demonstra que a estratégia está concentrada principalmente em candidatos que já fazem parte da mesma estrutura partidária do presidente.
Ao acrescentarem o nome de Lula à identificação eleitoral, os postulantes procuram demonstrar alinhamento político e facilitar o reconhecimento entre os eleitores, principalmente durante a votação.
Carlos Lula não é parente do presidente
Um dos nomes que poderá provocar confusão entre os eleitores é o de Carlos Lula (PSB).
Nesse caso, Lula é realmente o sobrenome do candidato e não apenas um apelido adotado para a campanha. Carlos também declarou apoio ao presidente na disputa eleitoral.
Apesar da coincidência, ele já esclareceu publicamente que não possui parentesco com Luiz Inácio Lula da Silva.
A presença do mesmo sobrenome, somada ao alinhamento político, pode aumentar a associação entre os dois nomes durante a campanha e no momento da votação.
Vinte candidatos adotam o nome Bolsonaro
O grupo de candidatos que utiliza o nome Bolsonaro é maior. Ao menos 20 postulantes sem vínculo familiar com o ex-presidente adotaram o sobrenome ou alguma referência direta a ele.
Desses, 12 estão filiados ao PL, partido de Jair Bolsonaro e legenda pela qual Flávio Bolsonaro disputa a Presidência da República.
Podemos e Novo possuem dois candidatos identificados com o nome Bolsonaro em cada partido. Democracia Cristã, Agir, PP e Democrata apresentam um candidato cada.
A distribuição entre diferentes legendas mostra que a influência do nome do ex-presidente ultrapassa o PL e alcança outras siglas posicionadas à direita.
A maioria dos “Bolsonaros” das urnas concorre a cargos legislativos, mas o grupo também possui candidaturas para governos estaduais e para o Senado.
Candidatos disputam cargos estaduais e federais
Entre os candidatos identificados com Bolsonaro, oito concorrem a vagas nas assembleias legislativas estaduais.
Outros sete disputam mandatos de deputado federal, enquanto um candidato tenta uma vaga de deputado distrital.
O grupo também conta com três candidaturas ao Senado, ampliando o uso do nome do ex-presidente para disputas majoritárias.
Os números mostram como o capital político de Jair Bolsonaro continua sendo utilizado por candidatos de diferentes estados e partidos.
Ao vincular a identificação eleitoral ao ex-presidente, os candidatos tentam alcançar o eleitor bolsonarista mesmo quando ainda possuem pouca projeção própria.
Rio Grande do Norte terá confronto entre nomes
No Rio Grande do Norte, a disputa pelo governo estadual terá candidatos identificados com as duas principais lideranças políticas nacionais.
Rodrigo Bolsonaro (Agir) concorrerá ao Executivo estadual utilizando o nome associado ao ex-presidente.
Do outro lado, Cadu de Lula (PT) também disputa o governo e adota uma referência direta ao atual presidente.
Nenhum dos dois possui parentesco com os líderes políticos aos quais seus nomes estão ligados.
A disputa potiguar reproduzirá no cenário estadual parte da polarização política nacional, inclusive nas identificações apresentadas aos eleitores.
Semelhança física também inspira apelidos
Alguns candidatos afirmam que a adoção do nome Bolsonaro não ocorre apenas por alinhamento político, mas também por causa da semelhança física com o ex-presidente.
É o caso de candidatos registrados como “Bolsonaro da Shopee”, em Mato Grosso, e “Bolsonaro Sergipano”, em Sergipe.
As identificações fazem referência à aparência dos candidatos e procuram chamar a atenção do eleitorado por meio de apelidos de fácil memorização.
No caso de Bolsonaro da Shopee, a expressão também utiliza uma referência popular das redes sociais, normalmente empregada para comparar uma pessoa a uma versão alternativa de alguém conhecido.
A estratégia mistura humor, semelhança física e identificação política para aumentar a visibilidade da candidatura.
Bolsonarista usará apelido “Lula do bem”
A eleição também terá uma situação que foge da divisão mais evidente entre os apoiadores dos dois grupos.
O candidato Dr. Clélio (PL) apresentará nas urnas o apelido “Lula do bem”, adotado por causa de sua semelhança física com o presidente Lula.
Apesar do nome, Dr. Clélio se identifica politicamente como bolsonarista.
O candidato, portanto, utiliza uma referência ao adversário político de seu próprio grupo como forma de explorar a aparência e criar uma identificação diferenciada.
O caso mostra que os nomes eleitorais também podem ser utilizados como estratégia de humor, provocação ou reconhecimento visual, e não apenas como homenagem direta a uma liderança.
Estratégia busca facilitar identificação nas urnas
O uso de nomes como Lula e Bolsonaro permite que candidatos com menor alcance nacional criem uma associação imediata com políticos conhecidos.
Durante as campanhas, partidos e candidatos disputam a atenção dos eleitores em meio a uma grande quantidade de nomes, números e cargos.
Uma identificação ligada a uma liderança nacional pode facilitar a memorização, principalmente nas eleições proporcionais, que costumam reunir centenas de candidatos em cada estado.
A estratégia procura transferir parte da popularidade e da identificação ideológica de Lula ou Bolsonaro para campanhas estaduais e federais.
O nome exibido na urna também pode funcionar como uma sinalização política. Mesmo sem conhecer a trajetória do candidato, o eleitor poderá interpretar a referência como uma indicação de apoio a determinado campo.
Isso não significa, entretanto, que exista parentesco, apoio oficial ou participação direta de Lula e Bolsonaro em todas essas candidaturas.
Família Bolsonaro também terá candidatos
Além dos 20 candidatos sem parentesco que utilizam o nome Bolsonaro, as eleições de 2026 também contam com familiares do ex-presidente concorrendo a diferentes cargos.
A lista reúne Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro, filhos do ex-presidente. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a ex-esposa Rogéria Bolsonaro também participam das eleições.
Renato Bolsonaro, irmão de Jair Bolsonaro, completa o grupo de parentes mais próximos mencionados nas disputas deste ano.
Também são candidatos à Assembleia Legislativa de São Paulo Marcelo Bolsonaro e Valéria Bolsonaro, apontados como primos distantes do ex-presidente.
Ao todo, são oito candidatos com algum vínculo familiar com Jair Bolsonaro, além daqueles que adotam o sobrenome apenas como nome eleitoral ou homenagem política.
Renata Bolsonaro integra chapa em São Paulo
A eleição paulista também terá uma candidata chamada Renata Bolsonaro.
Filiada ao Agir, ela concorre ao cargo de vice-governadora de São Paulo na chapa liderada por Policial Edjane, candidata ao governo estadual.
Renata aparece fora da relação dos oito familiares mencionados, enquanto Marcelo e Valéria Bolsonaro são identificados como primos distantes do ex-presidente.
A multiplicação de candidatos com o mesmo sobrenome poderá exigir atenção dos eleitores para evitar confusão entre familiares, apoiadores e pessoas sem qualquer vínculo com Jair Bolsonaro.
Polarização também aparece nos nomes eleitorais
A presença de oito “Lulas” e 20 “Bolsonaros” sem parentesco nas urnas demonstra como a disputa política nacional influencia campanhas regionais.
Os dois nomes continuam funcionando como referências centrais para a organização da esquerda e da direita no Brasil.
Enquanto candidatos petistas procuram reforçar a ligação com Lula, postulantes do PL e de outros partidos da direita exploram a identificação com Jair Bolsonaro.
A polarização, portanto, não estará presente apenas nos discursos, alianças e propostas, mas também nos nomes apresentados diretamente aos eleitores nas urnas eletrônicas.
No dia 4 de outubro, caberá ao eleitor observar não apenas o nome, mas também o número, o partido, o cargo disputado e a trajetória de cada candidato.
