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Número de Pix cai 3,1% na semana da proibição das bets, mas valor movimentado cresce

Últimos sete dias de setembro tiveram 1,57 bilhão de transferências e a maior retração proporcional para o período desde 2022; dados não permitem atribuir a queda exclusivamente à suspensão das apostas.


O número de operações realizadas por Pix caiu 3,1% na última semana de setembro, na comparação com os sete dias anteriores. Entre os dias 24 e 30, foram registradas 1,57 bilhão de transferências, em um período que coincidiu com a publicação da medida provisória que proibiu as bets no Brasil.

Apesar da redução na quantidade de transações, o volume financeiro movimentado cresceu 5,3% em relação à semana anterior. Com menos operações e mais dinheiro transferido, o valor médio de cada Pix aumentou 8,7%.

O levantamento, realizado pelo jornal O Globo com estatísticas do Banco Central, mostra que o recuo no número de transferências foi mais intenso do que o observado no encerramento de setembro dos anos anteriores. Os dados, porém, não permitem estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a proibição das apostas e a queda das operações.


Última semana de setembro teve queda mais acentuada no número de Pix

As 1,57 bilhão de operações registradas entre 24 e 30 de setembro representam uma redução de 3,1% em relação à semana imediatamente anterior e de 7,5% na comparação com a média das três semanas anteriores.

Segundo o levantamento, foi a maior queda proporcional para uma última semana de setembro desde 2022.

A diminuição das operações no fim do mês já havia sido observada em anos anteriores. Na comparação com a semana precedente, o recuo variou de 1,9% em 2025 a 2,4% em 2023. Em 2026, a retração superou esses percentuais.

A diferença também aparece quando a referência é a média das três primeiras semanas do mês. Antes da queda de 7,5% registrada neste ano, a maior redução nessa comparação havia sido de 6,7%, em 2025.


Dinheiro movimentado aumentou mesmo com menos transferências

A redução na quantidade de Pix não significou uma diminuição do valor total transferido na comparação semanal. O montante movimentado aumentou 5,3%, enquanto o número de operações caiu 3,1%.

Essa combinação elevou em 8,7% o valor médio por transação, também chamado de tíquete médio. O indicador corresponde à divisão do total de dinheiro movimentado pela quantidade de operações realizadas.

Quando a última semana de setembro é comparada à média das três anteriores, o comportamento é diferente, mas a redução no volume financeiro continua menor do que a queda no número de transferências.

Nesse recorte, a quantidade de operações recuou 7,5%, enquanto o dinheiro movimentado diminuiu 1,2%. Como resultado, o valor médio de cada Pix ficou 6,8% maior.

Os dois critérios mostram que a retração na quantidade de transações não foi acompanhada por uma queda de intensidade semelhante no volume financeiro.


Dois últimos dias do mês também tiveram operações de maior valor

O levantamento analisou separadamente os dias 29 e 30 de setembro, uma terça-feira e uma quarta-feira. Juntas, as duas datas somaram 474 milhões de operações.

Na comparação com a média dos quatro pares anteriores formados pelos mesmos dias da semana, a quantidade de transferências ficou 4,1% menor.

O valor movimentado, por outro lado, foi 10,2% maior, o que levou a uma alta de 14,9% no valor médio por operação.

O uso de dias equivalentes permite comparar períodos com características semelhantes dentro da semana, já que a movimentação do sistema de pagamentos pode variar entre dias úteis e fins de semana.


Fechamento de setembro ficou abaixo da referência pela primeira vez desde 2021

Em outro recorte, o total de operações dos dias 29 e 30 foi comparado à média dos 12 pares anteriores de terças e quartas-feiras. Por esse critério, as 474 milhões de transações ficaram 0,7% abaixo da referência.

Foi a primeira vez desde 2021 que os dois últimos dias de setembro ficaram abaixo dessa base de comparação.

Nos cinco setembros anteriores, o encerramento do mês havia apresentado uma quantidade de operações entre 3,3% e 18% superior à dos respectivos períodos comparáveis, considerando os dias da semana.

O resultado indica uma diferença em relação ao comportamento observado nos anos anteriores, mas, isoladamente, não identifica quais atividades contribuíram para a mudança.


Proibição das bets coincidiu com o período analisado

A medida provisória que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o país foi editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro.

A publicação ocorreu dentro do intervalo utilizado no levantamento, que vai de 24 a 30 de setembro.

Com a medida, o Banco Central determinou que instituições financeiras, instituições de pagamento e outros participantes dos arranjos de pagamento impeçam transações destinadas às casas de apostas. A determinação alcança o processamento, a liquidação e a viabilização dessas movimentações.

A restrição, entretanto, não se aplica às operações necessárias ao encerramento das atividades das plataformas e à devolução de valores aos apostadores.

Assim, a coincidência entre as datas da proibição e da queda nas transferências é um elemento do contexto, mas não permite calcular quanto da variação estaria relacionado ao setor.


Dados do Banco Central não identificam transferências para apostas

A análise utilizou as estatísticas diárias do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), publicadas pelo Banco Central.

Essas informações são agregadas e não permitem identificar quem enviou ou recebeu cada transferência. Por isso, não é possível separar, no levantamento, os pagamentos relacionados às bets das demais movimentações realizadas por Pix.

Sem essa divisão, não há como determinar qual parcela da redução corresponde a operações que deixaram de ser feitas para plataformas de apostas.

O movimento do Pix também sofre influência de pagamentos de salários, feriados, fins de semana e períodos de maior consumo, fatores que alteram tanto a quantidade de transações quanto o dinheiro movimentado ao longo do mês.

O levantamento mostra uma queda mais intensa no número de operações no encerramento de setembro, acompanhada de aumento do valor médio transferido. A contribuição específica da proibição das bets para esse resultado, porém, não pode ser isolada com os dados disponíveis.