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Irã corta internet e endurece repressão diante de protestos em todo o país

Líder supremo acusa manifestantes de agir a mando de Trump enquanto crise econômica e política se aprofunda


O Irã foi praticamente isolado do mundo exterior nesta sexta-feira (9) após as autoridades bloquearem o acesso à internet e a linhas telefônicas para tentar conter a expansão de protestos contra o governo. Voos foram cancelados, comunicações internacionais interrompidas e sites de notícias passaram a atualizar informações de forma intermitente, segundo relatos de observadores internacionais.

As manifestações começaram em meio ao avanço da inflação e à forte desvalorização da moeda, mas rapidamente ganharam contornos políticos e se espalharam por diversas regiões do país. Embora ainda não tenham atingido a dimensão de levantes anteriores, os atos já resultaram em mortes, prisões em massa e confrontos com as forças de segurança, expondo um momento de fragilidade do regime iraniano.


Khamenei acusa interferência estrangeira

Em pronunciamento na televisão estatal, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que os protestos estariam sendo estimulados por forças estrangeiras, acusando diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, os participantes dos atos estariam atacando prédios públicos e agindo como “mercenários de interesses externos”, o que, segundo Khamenei, não será tolerado.

Imagens divulgadas pela TV estatal mostram ônibus, carros e motocicletas incendiados, além de danos a estações de metrô e bancos. Em vídeos verificados por agências internacionais, manifestantes aparecem marchando em Teerã e em outras cidades, entoando palavras de ordem como “morte a Khamenei”.


Jovens lideram atos e ampliam críticas ao regime

Relatórios de entidades de direitos humanos indicam que dezenas de pessoas morreram desde o início dos protestos, além de milhares de prisões. Diferentemente de manifestações anteriores, os atos atuais têm sido protagonizados sobretudo por jovens homens, que expressam frustração com o desemprego, a carestia e a falta de perspectivas.

Com o avanço da repressão, os protestos passaram a incorporar críticas diretas ao sistema político e à política externa iraniana, incluindo slogans contra o apoio do governo a grupos armados no Oriente Médio. Para analistas, o movimento revela um distanciamento crescente entre a população mais jovem e a liderança religiosa, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979.


Crise de legitimidade e reação internacional

Especialistas avaliam que o país enfrenta uma crise de legitimidade, agravada pelo isolamento econômico e por sanções internacionais. A estratégia tradicional do regime, baseada em repressão e concessões pontuais, estaria perdendo eficácia diante do desgaste social e econômico.

A situação também provocou reação no exterior. Autoridades francesas afirmaram que o Irã deve demonstrar contenção máxima diante dos protestos, respeitar o direito de manifestação e apurar as mortes registradas durante os confrontos, reiterando compromissos internacionais com a liberdade de expressão e de reunião.


Isolamento e incerteza no horizonte

Com a internet bloqueada, voos cancelados e comunicações limitadas, o Irã vive um cenário de isolamento interno e externo. A combinação de crise econômica, pressão internacional e contestação popular aumenta a incerteza sobre a capacidade do regime de conter a insatisfação social sem provocar novas ondas de instabilidade.

Matéria feita com informações da Reuters.