Ex-ministro do STF e da Justiça afirma que atuação ocorreu após saída da Corte e antes de assumir cargo no governo Lula, enquanto pagamentos e encontros políticos entram no centro das atenções
A revelação de que Ricardo Lewandowski prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master ganhou repercussão nacional e reacendeu discussões sobre ética, transparência e possíveis conflitos de interesse envolvendo autoridades públicas e o setor financeiro. O caso envolve pagamentos milionários, encontros fora da agenda oficial e esclarecimentos formais por parte do ex-ministro.
Lewandowski, que deixou o Supremo Tribunal Federal (STF) em abril de 2023 e assumiu o Ministério da Justiça e Segurança Pública em fevereiro de 2024, afirma que sua atuação ocorreu dentro da legalidade e foi encerrada antes de assumir o cargo no governo federal.
Atuação após saída do STF
Em nota oficial, Lewandowski explicou que retornou à advocacia privada após deixar o STF, período em que prestou consultoria jurídica ao Banco Master, além de atender outros clientes.
“Depois de deixar o Supremo Tribunal Federal, em abril de 2023, retornei às atividades de advocacia e prestei serviços de consultoria jurídica ao Banco Master, entre outros clientes”, diz o comunicado.
Segundo o ex-ministro, todas as atividades profissionais foram interrompidas assim que ele foi convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chefiar o Ministério da Justiça.
Suspensão da atuação e registro na OAB
Lewandowski afirma que, ao aceitar o convite para integrar o governo federal, deixou o escritório de advocacia e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), encerrando qualquer vínculo com causas privadas.
De acordo com o comunicado, essa decisão teria ocorrido antes da posse oficial, em janeiro de 2024, como forma de evitar incompatibilidades com a função pública.
Apesar disso, o nome do ex-ministro não consta como sócio ativo em escritórios registrados na OAB, embora familiares ainda apareçam vinculados ao Lewandowski Advocacia, banca que teve o Banco Master como cliente.
Pagamentos milionários entram no centro da polêmica
A controvérsia aumentou após reportagens indicarem que o escritório ligado a Lewandowski recebeu cerca de R$ 5 milhões do Banco Master por serviços de consultoria jurídica.
Segundo as informações divulgadas, o contrato teria sido firmado em agosto de 2023, com pagamentos mensais estimados em R$ 250 mil, e se estendido até setembro de 2025 — período que inclui mais de um ano após Lewandowski já estar à frente do Ministério da Justiça.
A assessoria do ex-ministro sustenta que, apesar da continuidade contratual, ele não atuou diretamente em nenhum caso após assumir o cargo público.
Indicação e relação política
As reportagens também apontam que a contratação teria ocorrido por indicação do senador Jaques Wagner (PT-BA). Em nota, o parlamentar confirmou que foi consultado e indicou Lewandowski como um jurista qualificado, sem participar de negociações contratuais.
“O banco achou a sugestão adequada e o contratou”, afirmou a assessoria do senador.
Encontro entre Lula e o dono do Banco Master
O caso ganhou novos contornos após a revelação de um encontro entre o presidente Lula e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, realizado em dezembro de 2024 fora da agenda oficial.
Também participaram da reunião Gabriel Galípolo, então indicado à presidência do Banco Central, e integrantes ligados à antiga direção do banco. Segundo apuração, Lula teria ouvido relatos sobre a situação operacional da instituição, mas afirmou que as questões deveriam ser tratadas diretamente com o Banco Central.
A articulação do encontro teria contado com a participação de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, que intermediou o contato com o gabinete presidencial.
Investigações seguem em andamento
Enquanto as explicações são apresentadas publicamente, as investigações relacionadas ao caso Master continuam, segundo autoridades. Órgãos de controle analisam contratos, fluxos financeiros e eventuais incompatibilidades legais entre a atuação privada e o exercício de funções públicas.
Até o momento, não há decisão judicial que aponte irregularidade direta cometida por Lewandowski, mas o episódio ampliou o debate sobre limites éticos, transparência e governança pública.
Debate público e repercussão política
Especialistas avaliam que o caso reforça a necessidade de regras mais claras sobre quarentena, vínculos profissionais e contratos privados envolvendo ex-magistrados e membros do alto escalão do governo.
Para críticos, a situação expõe fragilidades institucionais. Para defensores, os esclarecimentos apresentados indicam que os procedimentos legais foram respeitados.
O tema segue em destaque no noticiário político e jurídico, com potencial impacto sobre a relação entre governo, sistema financeiro e instituições de controle.




