Adolescentes investigados por maus-tratos também teriam levado outro cachorro ao mar; parte do grupo está fora do país e deve retornar na próxima semana
A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, ganhou novos desdobramentos e ampliou ainda mais a repercussão do caso. Além das agressões que levaram o animal à morte, a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) apura uma tentativa de afogamento de um segundo cachorro, conhecido como Caramelo, que também vivia na região e costumava circular ao lado de Orelha.
Segundo a polícia, os dois episódios estariam ligados a um mesmo grupo de adolescentes, dos quais dois estão atualmente nos Estados Unidos, em uma viagem considerada pré-programada, e devem retornar ao Brasil na próxima semana.
Tentativa de afogamento reforça suspeita de violência recorrente
De acordo com informações confirmadas pela Polícia Civil, o cão Caramelo teria sido levado ao mar no colo por um adolescente, mas conseguiu escapar antes de se afogar. O episódio ocorreu na mesma área onde Orelha vivia e reforça, segundo os investigadores, a hipótese de um padrão de maus-tratos contra animais.
Após o ocorrido, Caramelo foi acolhido e adotado, deixando a região da Praia Brava. O caso segue sendo investigado paralelamente à apuração da morte de Orelha.

Dois suspeitos estão fora do país, diz polícia
A PCSC informou que quatro adolescentes foram identificados como suspeitos pelas agressões contra Orelha. Durante a operação realizada na manhã de segunda-feira (26), dois deles foram alvo direto de mandados de busca e apreensão em Florianópolis, enquanto os outros dois estavam em viagem aos Estados Unidos.
Segundo o delegado-geral Ulisses Gabriel, a viagem já estava programada antes do avanço das investigações. A expectativa da polícia é que os jovens retornem ao Brasil na próxima semana, quando poderão ser formalmente ouvidos no inquérito.
Operação mirou suspeitos e possível coação
A ação policial cumpriu três mandados de busca e apreensão, tanto em endereços dos adolescentes investigados quanto de seus responsáveis legais. O objetivo principal foi apreender equipamentos eletrônicos, como celulares e computadores, que possam conter registros ou provas das agressões.
Além dos atos de maus-tratos, a polícia também investiga suspeita de coação de testemunha durante o andamento do caso. Um dos mandados tinha como objetivo localizar uma possível arma de fogo, que teria sido usada para ameaçar uma testemunha. O objeto, no entanto, não foi encontrado.
Entre os investigados por essa possível interferência estão um pai de um dos adolescentes e um policial civil.
O que aconteceu com o cão Orelha
A Polícia Civil tomou conhecimento do caso em 16 de janeiro, após relatos de moradores sobre o desaparecimento de Orelha. Dias depois, uma das pessoas que cuidavam do animal o encontrou caído, ferido e agonizando durante uma caminhada pela região.
O cachorro foi levado a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade dos ferimentos, não houve alternativa além da eutanásia. Orelha tinha cerca de 10 anos e era um dos cães comunitários da Praia Brava, onde existiam casinhas improvisadas para abrigo e alimentação.

Comoção e mobilização da comunidade
A morte de Orelha gerou forte comoção nas redes sociais e mobilizou moradores, protetores de animais, ONGs e personalidades públicas. Para a comunidade local, o cachorro era um símbolo de convivência e cuidado coletivo, mantido por moradores que se revezavam na alimentação e proteção dos animais.
Entidades ligadas à causa animal cobram rigor na apuração e responsabilização, além de medidas mais eficazes de prevenção aos maus-tratos.
Procedimentos seguem legislação específica
Por envolver adolescentes, o caso segue os ritos previstos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Caso a autoria seja confirmada, o relatório final será encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei.
As medidas aplicáveis são socioeducativas, e a internação tem prazo máximo de três anos, com liberação obrigatória ao completar 21 anos, independentemente da gravidade do ato.
Investigações continuam
A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento e que novas diligências não estão descartadas. O objetivo é esclarecer completamente os fatos, identificar todos os envolvidos e verificar se houve tentativa de interferência no curso do processo.
Enquanto isso, o caso Orelha permanece como um alerta sobre a violência contra animais e a necessidade de respostas firmes do poder público diante de crimes que chocaram a população catarinense.




