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OMS avalia como baixo o risco de propagação internacional do vírus Nipah

Organização descarta restrições a viagens e comércio após novos casos na Índia e afirma não haver transmissão sustentada entre pessoas


A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que considera baixo o risco de disseminação do vírus Nipah para além da Índia, após a confirmação de novos casos no país. Segundo a entidade, não há recomendação para restrições a viagens ou ao comércio internacional, uma vez que, até o momento, não foram identificados sinais de transmissão sustentada entre pessoas.

O alerta ganhou projeção internacional depois que alguns países asiáticos reforçaram protocolos de vigilância sanitária em aeroportos e pontos de entrada. Apesar disso, a OMS avalia que a situação permanece sob controle, com capacidade de resposta local suficiente para conter surtos pontuais.


Casos recentes e resposta das autoridades indianas

Os casos mais recentes foram registrados no fim de dezembro e envolveram profissionais de saúde, o que levou à adoção de medidas preventivas, como monitoramento de contatos e quarentena de pessoas potencialmente expostas. Autoridades indianas informaram que mais de uma centena de indivíduos passou a ser acompanhada por equipes médicas, como forma de evitar novas cadeias de transmissão.

A OMS afirma que acompanha o cenário em coordenação direta com o governo indiano e considera que o país dispõe de estrutura e experiência para lidar com esse tipo de ocorrência. A entidade reforça que não há evidência de aumento na transmissão de pessoa para pessoa, fator considerado determinante para a avaliação de risco global.


O que é o vírus Nipah e por que ele preocupa

O vírus Nipah é classificado como um patógeno de alta gravidade, principalmente por sua elevada taxa de mortalidade, que pode variar entre 40% e 75%, dependendo do surto e das condições de atendimento. A infecção pode se iniciar com sintomas semelhantes aos de outras viroses, como febre, dor de cabeça e dores no corpo, mas tende a evoluir rapidamente para quadros mais graves.

Em muitos casos, o vírus provoca infecções respiratórias agudas e encefalite, uma inflamação do cérebro que pode levar a confusão mental, convulsões, coma e morte. Mesmo entre sobreviventes, há registro de sequelas neurológicas de longo prazo, o que aumenta a preocupação de especialistas em saúde pública.


Formas de transmissão e risco de contágio

O Nipah é uma doença zoonótica, ou seja, transmitida de animais para humanos. Os principais reservatórios naturais são morcegos frugívoros, que podem contaminar frutas e outros alimentos. A infecção também pode ocorrer por meio do contato com animais intermediários, como porcos, ou pelo consumo de alimentos contaminados.

A transmissão entre humanos é possível, mas costuma exigir contato próximo e prolongado, sendo mais comum em ambientes hospitalares e entre profissionais de saúde. Segundo a OMS, esse tipo de contágio ocorre com menor eficiência quando comparado a outros vírus respiratórios, o que contribui para a avaliação de baixo risco de disseminação global no cenário atual.


Diagnóstico, tratamento e limitações médicas

O diagnóstico do vírus Nipah é feito a partir da avaliação clínica associada a exames laboratoriais, como testes moleculares e sorológicos. Esses exames permitem identificar o vírus durante a fase aguda da infecção ou a presença de anticorpos após o contato com o patógeno.

Atualmente, não existe vacina aprovada nem tratamento antiviral específico contra o Nipah. O atendimento médico se baseia no tratamento de suporte, com foco na hidratação, no controle da pressão arterial, no suporte respiratório e no manejo das complicações neurológicas. Essa limitação terapêutica é um dos principais fatores que mantêm o vírus sob vigilância constante.


Histórico de surtos e regiões afetadas

O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto que afetou criadores de suínos na Malásia. Desde então, casos passaram a ser registrados principalmente no sul da Ásia, com destaque para Bangladesh e Índia. No território indiano, o estado de Kerala concentra os episódios mais graves, incluindo surtos que resultaram em dezenas de mortes desde 2018.

O episódio atual representa mais um surto documentado no país e reforça o alerta para regiões onde há circulação natural do vírus em populações de morcegos. A OMS ressalta que, nessas áreas, novas exposições não podem ser totalmente descartadas, o que exige vigilância permanente.


Por que o vírus segue na lista de prioridade da OMS

Mesmo avaliando como baixo o risco de propagação internacional neste momento, a OMS mantém o vírus Nipah na lista de patógenos prioritários. A decisão se baseia na combinação de fatores como alta letalidade, potencial de causar surtos, ausência de vacinas e medicamentos específicos e a possibilidade de o vírus sofrer mutações que aumentem sua transmissibilidade.

A orientação atual da entidade é de monitoramento contínuo, resposta rápida a surtos localizados e fortalecimento dos sistemas de vigilância epidemiológica, sem adoção de medidas extremas como restrições de viagem ou bloqueios comerciais.