Bombardeios atingiram instalações da Guarda Revolucionária após ataques iranianos contra forças americanas na Jordânia; ofensivas no Iraque e no Egito aumentam tensão no Oriente Médio
As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma nova onda de bombardeios contra o Irã durante a madrugada desta quinta-feira (30), atingindo dezenas de instalações ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica.
A operação durou aproximadamente duas horas e marcou a retomada dos ataques americanos após uma pausa de cinco noites. Segundo Washington, a ofensiva foi uma resposta ao lançamento de mísseis balísticos iranianos contra forças dos Estados Unidos instaladas na Jordânia.
Os novos ataques ocorrem em um momento de ampliação do conflito. Além dos confrontos diretos entre Estados Unidos e Irã, operações recentes no Iraque, na Jordânia e no Egito aumentaram o temor de que outros países do Oriente Médio sejam arrastados para a guerra.
Estados Unidos atingem dezenas de alvos iranianos
O Comando Central dos Estados Unidos, o Centcom, informou que a ofensiva atingiu centros de comando, instalações de armazenamento e lançamento de mísseis, estruturas relacionadas a drones e posições de defesa marítima.
Também foram atacadas instalações utilizadas para vigilância costeira e coordenação de operações da Guarda Revolucionária.
De acordo com o comando militar americano, o objetivo foi reduzir a capacidade do Irã e de seus aliados de ameaçar tropas dos Estados Unidos, países do Golfo e a navegação comercial.
Imagens divulgadas pelas Forças Armadas americanas mostraram explosões em diferentes pontos, mas a localização de parte dos ataques não foi revelada.
A mídia estatal iraniana informou que três pessoas morreram e outras duas ficaram feridas durante um bombardeio na ilha de Qeshm, próxima ao Estreito de Ormuz.
Ataques ocorreram após ofensiva contra base na Jordânia
A nova operação americana foi iniciada depois que o Irã confirmou ter lançado mísseis balísticos contra tropas dos Estados Unidos na Jordânia.
As Forças Armadas jordanianas afirmaram ter interceptado cinco mísseis iranianos que tentavam atingir o território do país. Segundo as autoridades locais, não houve vítimas.
O Centcom também declarou que todos os projéteis foram interceptados antes que alcançassem as instalações americanas.
As bases utilizadas pelos Estados Unidos na Jordânia tornaram-se alvos prioritários de Teerã. O governo iraniano acusa o país de oferecer apoio logístico para as operações militares americanas no Oriente Médio.
A Jordânia, por sua vez, afirma que não permitirá que seu território seja utilizado como campo de batalha e que continuará interceptando objetos que representem risco à população.
Trump prometeu resposta severa ao Irã
Antes da nova onda de bombardeios, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia prometido uma resposta severa ao lançamento de mísseis contra as forças americanas.
O governo americano classificou a operação iraniana como uma tentativa de ataque surpresa e afirmou que novas ameaças contra seus militares não seriam toleradas.
Ao mesmo tempo, Trump declarou que Washington ainda busca um acordo para encerrar a guerra.
A combinação de ataques militares e declarações favoráveis à negociação demonstra a dificuldade de construir uma saída diplomática enquanto Estados Unidos e Irã continuam ampliando suas operações.
Estados Unidos e Arábia Saudita atacam grupos no Iraque
A escalada também alcançou o território iraquiano.
Forças dos Estados Unidos e da Arábia Saudita realizaram ataques conjuntos contra instalações utilizadas por grupos alinhados ao Irã no leste do Iraque.
A operação foi apresentada como uma resposta a dezenas de ataques com drones contra alvos americanos e estruturas petrolíferas sauditas. Segundo Washington, as ofensivas partiram de áreas controladas por milícias apoiadas pela Guarda Revolucionária.
A ação marcou a primeira participação pública da Arábia Saudita em bombardeios ao lado dos Estados Unidos durante a atual guerra.
O envolvimento direto de Riad aumenta o risco de retaliações contra o território saudita e contra sua infraestrutura de produção e exportação de petróleo.
Ataque com drone atinge navios de gás no Egito
Outro episódio que ampliou a preocupação regional aconteceu no porto de Damietta, na costa mediterrânea do Egito.
O governo egípcio confirmou que um drone provocou um incêndio em dois navios ligados ao transporte e armazenamento de gás. O primeiro impacto atingiu o Energos Winter, unidade flutuante pertencente a uma empresa americana.
As chamas se espalharam posteriormente para uma segunda embarcação, identificada como Gaslog Salem.
As equipes de emergência conseguiram controlar o incêndio e não houve registro de mortos ou feridos.
Nenhum país ou grupo assumiu a responsabilidade pelo ataque. Por isso, a autoria permanece sob investigação, apesar de o episódio acontecer em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã.
Ataque ameaça ampliar conflito para o Mediterrâneo
O incidente em Damietta chama atenção por ter ocorrido no Mediterrâneo, próximo às rotas que levam ao Canal de Suez.
Até então, grande parte da preocupação com a navegação comercial estava concentrada no Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, e no Mar Vermelho.
O ataque contra uma estrutura de gás no Egito demonstra que instalações localizadas fora das principais áreas de combate também podem ser alcançadas.
A embarcação atingida possui capacidade importante para o abastecimento egípcio. Uma paralisação prolongada poderá reduzir a capacidade do país de importar gás natural liquefeito durante o período de maior demanda.
Houthis anunciam bloqueio contra a Arábia Saudita
O risco para a navegação aumentou depois que os Houthis, grupo do Iêmen alinhado ao Irã, anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita.
O movimento ameaça embarcações relacionadas ao país e amplia a insegurança nas rotas próximas ao Mar Vermelho e ao Estreito de Bab el-Mandeb.
O envolvimento dos Houthis acrescenta mais uma frente ao conflito. O grupo possui capacidade para lançar drones e mísseis contra navios, instalações portuárias e estruturas energéticas na Península Arábica.
A declaração ocorreu antes da participação saudita nos ataques realizados contra grupos alinhados ao Irã no Iraque, aumentando o temor de novas retaliações.
Estreito de Ormuz permanece no centro da disputa
O Estreito de Ormuz continua sendo um dos principais pontos de tensão da guerra.
A passagem marítima fica entre o Irã e Omã e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Antes do conflito, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passava pela região.
O Irã afirma controlar o estreito e exige que as embarcações utilizem rotas autorizadas por Teerã.
Na quarta-feira, as autoridades iranianas disseram ter atacado três petroleiros que tentavam atravessar a região por um trajeto não autorizado.
As ações contra navios elevaram os custos de transporte, afetaram o mercado internacional de energia e aumentaram o risco de interrupções no fornecimento global.
Irã rejeita proposta apresentada por Omã
Omã apresentou uma proposta apoiada por países do Golfo para criar um novo modelo de administração do Estreito de Ormuz.
O plano incluía a possibilidade de cobrança de taxas voluntárias pelo uso da passagem marítima, além de mecanismos destinados a diminuir o risco de novos confrontos.
O Irã rejeitou a proposta, mantendo o estreito como um dos maiores obstáculos às negociações de paz.
Teerã sustenta que possui autoridade sobre a rota. Outros países, entretanto, defendem que a passagem deve permanecer aberta à navegação internacional.
Cessar-fogo temporário fracassou em junho
A guerra começou em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha de bombardeios contra o território iraniano.
Na época, Trump afirmou que as operações durariam apenas algumas semanas. O conflito, porém, continuou e passou a envolver forças americanas, israelenses, iranianas e grupos aliados de Teerã em diferentes países.
Um acordo temporário de cessar-fogo foi firmado em junho, mas fracassou após a retomada dos confrontos relacionados ao Estreito de Ormuz.
Desde então, ataques contra bases militares, instalações petrolíferas e embarcações comerciais voltaram a ocorrer com frequência.
Guerra ameaça envolver mais países
A sequência de operações demonstra que o conflito deixou de estar concentrado apenas no território iraniano.
A Jordânia precisou interceptar mísseis lançados contra bases americanas. A Arábia Saudita passou a participar diretamente de bombardeios no Iraque. O Egito teve navios atingidos por um drone em seu território, enquanto os Houthis ameaçam as rotas marítimas sauditas.
Cada nova ofensiva aumenta a possibilidade de retaliação e reduz o espaço para uma negociação diplomática.
A expansão geográfica dos ataques representa o principal risco da atual fase da guerra, especialmente porque envolve países estratégicos para o transporte de petróleo, gás e mercadorias.
