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Mercado reage à corrida eleitoral: Ibovespa supera 186 mil pontos e dólar recua

Bolsa brasileira iniciou a terça-feira em alta após pesquisa BTG/Nexus indicar uma disputa mais equilibrada pela Presidência; moeda norte-americana acompanhou movimento de queda observado no exterior


O mercado financeiro brasileiro retomou as negociações após o feriado prolongado com maior procura por ativos de risco. Na abertura do pregão desta terça-feira (8), o Ibovespa avançou e ultrapassou os 186 mil pontos, enquanto o dólar operou em queda diante do real.

Às 10h04, pelo horário de Brasília, o principal índice da Bolsa brasileira subia 0,54%, aos 186.144 pontos. Poucos minutos antes, às 9h47, o dólar à vista registrava queda de 0,31%, negociado a R$ 5,1105 na venda.

O desempenho dos ativos domésticos ocorreu após a divulgação de uma nova rodada da pesquisa eleitoral BTG/Nexus. O levantamento mostrou cenários de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e diferentes adversários em simulações de segundo turno das eleições de 2026.

Os investidores também acompanharam o comportamento da moeda norte-americana no exterior, os indicadores econômicos divulgados no Brasil e a percepção da população sobre a situação da economia.


Ibovespa avança na abertura do pregão

O Ibovespa começou o dia em território positivo depois do primeiro feriado prolongado do segundo semestre. O índice alcançou 186.144 pontos ainda nos primeiros minutos de negociação, mantendo-se próximo de máximas recentes.

A alta refletiu a reação inicial dos investidores à atualização do cenário eleitoral brasileiro. Pesquisas que mostram uma disputa presidencial mais equilibrada tendem a provocar ajustes nas expectativas do mercado sobre política econômica, controle de gastos, investimentos públicos e trajetória da dívida.

O movimento, entretanto, não deve ser atribuído exclusivamente ao cenário político. O comportamento das bolsas internacionais, a cotação das commodities, as expectativas para os juros e o fluxo de capital estrangeiro também influenciam diretamente o Ibovespa.

A Bolsa brasileira já vinha apresentando valorização nas semanas anteriores. Desde 17 de agosto, o índice acumulava avanço de aproximadamente 11,5%, impulsionado pela melhora no apetite por ativos domésticos, pelo desempenho de empresas ligadas às commodities e pela redução de parte dos prêmios de risco.


Pesquisa eleitoral aponta disputa acirrada pela Presidência

A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury em diferentes simulações de segundo turno.

No confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o senador aparece com 46% das intenções de voto, enquanto o presidente registra 45%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois candidatos estão tecnicamente empatados.

Em uma das simulações de primeiro turno, Lula lidera com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%, e Augusto Cury, com 9%. O levantamento ouviu 2.002 eleitores por telefone entre os dias 4 e 7 de setembro, possui nível de confiança de 95% e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06790/2026.

Os números reforçaram a percepção de que a eleição presidencial poderá ser decidida em uma disputa apertada. Para o mercado, o crescimento da competitividade eleitoral amplia a necessidade de acompanhar as propostas econômicas dos candidatos, principalmente nas áreas fiscal, tributária e administrativa.


Cenário eleitoral influencia expectativas econômicas

A reação dos investidores a uma pesquisa eleitoral não significa necessariamente apoio direto a um candidato. O mercado busca antecipar como cada possível resultado poderá influenciar as contas públicas, a inflação, os juros e o ambiente de negócios.

Quando aumenta a percepção de uma disputa equilibrada, gestores de fundos e outros participantes podem rever suas projeções e redistribuir recursos entre ações, títulos públicos e moedas.

As propostas para o controle dos gastos federais estarão entre os principais pontos observados durante a campanha. Também deverão permanecer no radar a trajetória da dívida pública, a execução do Orçamento, a política de reajustes e subsídios e o relacionamento do próximo governo com o Congresso Nacional.

A aproximação da eleição tende a aumentar a sensibilidade dos ativos brasileiros às pesquisas de intenção de voto. Oscilações dentro da margem de erro, porém, não representam necessariamente uma mudança consolidada no cenário eleitoral.


Metade dos entrevistados desaprova o governo Lula

Além das intenções de voto, a pesquisa BTG/Nexus avaliou a percepção dos brasileiros sobre a administração federal.

De acordo com o levantamento, 50% dos entrevistados desaprovam o trabalho realizado pelo presidente Lula, enquanto 45% aprovam a gestão petista.

Os números indicam uma divisão significativa do eleitorado e ajudam a explicar a proximidade observada nos cenários de segundo turno. A avaliação do governo deverá continuar influenciada pelo comportamento da inflação, pelo emprego, pela renda das famílias e pela percepção sobre os serviços públicos.

Embora indicadores econômicos possam apresentar melhora, a maneira como a população percebe sua própria situação financeira possui grande peso eleitoral. Preços dos alimentos, despesas com habitação, energia, transporte e acesso ao crédito afetam diretamente a avaliação do governo.


Economia é considerada ruim ou péssima por 52%

A percepção dos entrevistados sobre a economia também foi medida. Para 52% dos brasileiros, a situação econômica do país está ruim ou péssima.

Outros 30% avaliam que o cenário está regular, enquanto apenas 16% consideram a economia ótima ou boa.

A avaliação negativa mostra que os resultados dos indicadores macroeconômicos ainda não são necessariamente percebidos da mesma forma pela população. Crescimento do Produto Interno Bruto, redução do desemprego ou desaceleração de índices de preços podem demorar a produzir uma sensação de melhora no cotidiano.

Para o mercado, essa insatisfação pode aumentar a pressão eleitoral por novas medidas de estímulo, ampliação de benefícios e intervenções sobre preços. Ao mesmo tempo, investidores acompanham o possível impacto dessas decisões sobre as despesas públicas.


Dólar cai para a faixa de R$ 5,11

Enquanto a Bolsa subia, o dólar apresentava desvalorização diante do real. Às 9h47, a moeda norte-americana recuava 0,31%, cotada a R$ 5,1105 na venda.

Na B3, o contrato de dólar futuro para outubro, considerado o mais líquido naquele momento, caía 0,30%, aos R$ 5,1380.

O movimento no Brasil acompanhava a desvalorização da moeda no exterior. O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,27%, aos 98,90 pontos.

Quando a moeda norte-americana perde força internacionalmente, divisas de países emergentes podem ganhar espaço. Esse comportamento, porém, depende também das condições internas, como juros, risco fiscal, cenário político e entrada de recursos estrangeiros.


Moeda norte-americana vinha de alta na sexta-feira

O dólar à vista havia encerrado a sessão de sexta-feira com valorização de 0,50%, vendido a R$ 5,1296.

Na retomada das negociações, parte desse avanço foi devolvida. A moeda voltou a se aproximar da faixa de R$ 5,11, mantendo a volatilidade observada nas últimas semanas.

Além das eleições brasileiras, o mercado de câmbio acompanha as decisões de juros nos Estados Unidos e na Europa, o comportamento da inflação internacional e as tensões geopolíticas.

Os preços do petróleo também permanecem no radar. Uma alta prolongada da commodity pode ampliar as pressões inflacionárias internacionais, afetar as expectativas para os juros e fortalecer a busca por ativos considerados mais seguros.


Indicadores econômicos permanecem no radar

A agenda desta terça-feira também inclui a divulgação de indicadores domésticos. O IGP-DI de agosto registrou avanço de 0,06%, depois de cair 0,86% em julho.

Embora a alta tenha sido pequena, os índices de preços são monitorados porque ajudam a indicar o comportamento da inflação em diferentes etapas da economia. Esses dados podem influenciar as projeções para a política monetária e para o ritmo de redução ou manutenção dos juros.

Investidores também acompanham as expectativas compiladas pelo Banco Central. As projeções para inflação, atividade econômica, câmbio e taxa Selic ajudam a orientar o preço dos títulos públicos e das ações negociadas na Bolsa.


Mercado deve continuar volátil até as eleições

A abertura positiva desta terça-feira mostra que o cenário político já ocupa uma posição central nas decisões do mercado. Com a proximidade das eleições, novas pesquisas, debates e propostas econômicas poderão provocar mudanças rápidas nas cotações.

O desempenho registrado durante os primeiros minutos do pregão não garante que o Ibovespa encerrará o dia em alta ou que o dólar manterá a queda. Os preços são atualizados continuamente e podem mudar conforme novas informações são incorporadas.

Ao longo das próximas semanas, o mercado deverá observar principalmente a evolução da disputa entre Lula e seus adversários, a avaliação da economia pela população e os compromissos fiscais apresentados pelos candidatos.

Enquanto o cenário eleitoral permanece indefinido, a tendência é de maior sensibilidade dos ativos brasileiros às pesquisas. A combinação entre política doméstica, juros internacionais e preços das commodities deverá determinar o comportamento da Bolsa e do dólar até o fim do pregão.