Funcionários da Caixa rejeitaram proposta de renovação do acordo coletivo, enquanto trabalhadores do BB cruzaram os braços em determinadas regiões; planos de saúde estão no centro dos impasses
Os funcionários da Caixa Econômica Federal iniciaram nesta quinta-feira (10) uma greve nacional por tempo indeterminado. No Banco do Brasil, a paralisação é parcial e ocorre somente nas bases sindicais que não aprovaram os acordos apresentados durante as negociações da categoria.
Na Caixa, mais de 90% das bases sindicais consultadas rejeitaram a proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho. A paralisação deverá continuar até que novas assembleias avaliem eventuais avanços apresentados pelo banco.
As negociações permanecem abertas. A Caixa comprometeu-se a apresentar uma nova proposta aos representantes dos funcionários nesta quinta-feira.
O principal impasse envolve o Saúde Caixa, plano destinado aos trabalhadores da instituição. Os empregados contestam mudanças que aumentariam os valores pagos por titulares e dependentes e defendem uma participação maior do banco no custeio da assistência médica.
No Banco do Brasil, parte dos sindicatos aprovou a proposta da instituição, enquanto outras bases decidiram tentar reabrir as negociações. Por isso, a paralisação não atinge todas as unidades do BB.
Greve da Caixa é nacional e não tem prazo para terminar
A paralisação dos funcionários da Caixa foi aprovada em assembleias realizadas em diferentes regiões do país.
Segundo as entidades sindicais, 93 bases aprovaram a greve, enquanto outras 35 rejeitaram a proposta apresentada pelo banco, mas decidiram continuar negociando sem aderir imediatamente à paralisação.
A mobilização ocorre por tempo indeterminado. Isso significa que não existe uma data previamente estabelecida para o retorno ao trabalho.
A greve poderá ser encerrada caso a Caixa apresente uma proposta considerada suficiente pelos representantes dos funcionários e o novo texto seja aprovado em assembleias.
A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa informou que o movimento deverá ser mantido enquanto as negociações estiverem em andamento. A avaliação é de que a rejeição registrada nas assembleias demonstra a insatisfação dos trabalhadores com as condições oferecidas.
Mais de 90% das bases sindicais rejeitaram a proposta da Caixa, segundo as entidades responsáveis pela negociação.
Saúde Caixa está no centro da paralisação
O principal ponto de discordância é o modelo de financiamento do Saúde Caixa.
Atualmente, os funcionários pagam um percentual sobre o salário-base, além de valores adicionais por dependente. A proposta apresentada pela Caixa ampliaria parte dessas contribuições.
Segundo as informações divulgadas durante a negociação, a cobrança sobre o salário-base passaria de 3,5% para 5,5%. O valor mensal por dependente subiria de R$ 480 para R$ 870.
Para dependentes com idade entre 24 e 27 anos, a contribuição poderia aumentar de R$ 800 para R$ 1.050 por mês.
Os representantes dos trabalhadores consideraram que as alterações elevariam significativamente o custo da assistência médica para as famílias dos empregados.
Outro ponto questionado é o teto de participação da Caixa no plano de saúde, atualmente limitado a 6,5% da folha de pagamento. As entidades sindicais defendem o retorno ao modelo no qual o banco ficava responsável por 70% das despesas, enquanto os funcionários pagavam os 30% restantes.
A Caixa sustenta que as mudanças precisam considerar a sustentabilidade do plano. Já os sindicatos afirmam que a manutenção do teto transfere aos empregados uma parcela cada vez maior dos custos.
Caixa diz que mantém diálogo com funcionários
Em manifestação sobre a negociação, a Caixa afirmou que mantém aberto o diálogo com as entidades representativas dos trabalhadores.
O banco declarou estar comprometido com a renovação do acordo coletivo e com a busca de uma solução capaz de conciliar a valorização dos empregados, a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços prestados à população.
A rodada mais recente de negociação não terminou com um acordo. A expectativa é de que uma nova proposta seja apresentada e posteriormente submetida às assembleias.
A greve não será encerrada automaticamente pela apresentação de uma nova oferta. Os trabalhadores precisarão analisar o documento e votar pela aprovação ou rejeição das condições.
Banco do Brasil enfrenta greve apenas em algumas regiões
A situação do Banco do Brasil é diferente da registrada na Caixa.
No BB, a paralisação acontece somente nas regiões representadas por sindicatos que rejeitaram a proposta e aprovaram a greve.
Segundo o levantamento divulgado durante as negociações, 39 sindicatos aprovaram o acordo apresentado pelo banco, enquanto 60 rejeitaram a oferta e decidiram buscar a retomada das conversas.
Entre as entidades que recusaram a proposta, 27 aprovaram a paralisação a partir desta quinta-feira. Estão nesse grupo sindicatos de regiões como Belo Horizonte, Bahia, Ceará e Piauí.
Em São Paulo, Curitiba, Campo Grande, Niterói e Jundiaí, as respectivas representações sindicais aprovaram o acordo. Nessas bases, os funcionários não aderiram à greve pelo mesmo motivo.
Assim, a situação das agências do Banco do Brasil poderá variar conforme a cidade. Nem todas as unidades do banco estão paralisadas.
Plano de saúde também provoca impasse no Banco do Brasil
No Banco do Brasil, uma das principais divergências envolve o custeio do plano de saúde dos funcionários.
A proposta previa um aporte de R$ 360 milhões para manter o plano até novembro. Parte das entidades considerou a medida insuficiente por ter caráter temporário e não resolver definitivamente o problema de financiamento.
O BB informou que participou da mesa geral de negociação organizada pela Federação Nacional dos Bancos e também manteve uma mesa específica com as entidades que representam seus funcionários.
Segundo a instituição, diferentes rodadas foram realizadas até a apresentação da proposta submetida às assembleias em todo o país.
A rejeição em determinadas bases não significa que o acordo tenha sido recusado nacionalmente. A organização sindical descentralizada explica por que algumas regiões aderiram à paralisação e outras mantiveram o funcionamento regular.
Greve pode afetar atendimento nas agências
A principal consequência para os clientes deverá ser sentida no atendimento presencial.
Agências com adesão significativa poderão operar com equipes reduzidas ou limitar determinados serviços. O impacto dependerá da participação dos funcionários em cada unidade e das medidas adotadas pelas instituições para manter atividades consideradas essenciais.
A greve não significa necessariamente que todas as agências estarão fechadas. Em algumas unidades, poderá haver atendimento parcial; em outras, a interrupção poderá ser maior.
Os canais digitais, caixas eletrônicos e meios automáticos de pagamento tendem a continuar disponíveis, desde que não ocorra algum problema técnico independente da paralisação.
Contas, boletos e outros compromissos financeiros continuam com os respectivos vencimentos. Por isso, os clientes devem utilizar os canais alternativos disponibilizados pelos bancos sempre que possível.
Clientes do Banco do Brasil podem utilizar canais digitais
O Banco do Brasil orientou os clientes a utilizar o aplicativo, o internet banking e os correspondentes bancários durante a paralisação.
Também estão disponíveis a Central de Relacionamento, pelo telefone 4004-0001, para capitais e regiões metropolitanas, e o número 0800 729 0001, para as demais localidades.
O atendimento pelo WhatsApp é realizado pelo número (61) 4004-0001.
Os clientes devem confirmar se estão utilizando os canais oficiais antes de fornecer dados ou realizar qualquer transação. Períodos de greve ou instabilidade no atendimento podem ser usados por criminosos para aplicar golpes por mensagens e ligações falsas.
Bancários de instituições privadas aprovam convenção coletiva
Enquanto a Caixa permanece em greve e parte dos funcionários do Banco do Brasil está paralisada, os trabalhadores dos bancos privados aprovaram a nova Convenção Coletiva de Trabalho.
O acordo foi assinado na quarta-feira (9), após 13 rodadas de negociação realizadas durante mais de dois meses.
A convenção prevê a reposição integral da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além de aumento real de 0,6% por dois anos.
O mesmo reajuste será aplicado a verbas como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche e Participação nos Lucros e Resultados.
O texto também estabelece medidas relacionadas à saúde mental, ao combate ao assédio e ao chamado direito à desconexão, que trata dos limites para contatos profissionais fora do horário de trabalho.
Foram incluídas regras de transparência para o monitoramento digital dos funcionários, além de um programa de qualificação e recolocação profissional.
Acordo geral não encerrou disputas nos bancos públicos
A convenção coletiva estabelece condições gerais para a categoria bancária, mas Caixa e Banco do Brasil também possuem acordos específicos.
Por essa razão, a aprovação dos reajustes salariais e dos benefícios comuns não resolveu os impasses existentes nas duas instituições públicas.
Na Caixa, a principal discussão está concentrada no Saúde Caixa e nas condições do acordo específico dos empregados.
No Banco do Brasil, as divergências envolvem o plano de saúde e outros pontos próprios da relação entre a instituição e seus funcionários.
Os bancários dos bancos privados aceitaram as regras gerais, enquanto os trabalhadores dos bancos públicos mantiveram reivindicações relacionadas aos acordos internos.
Negociações definirão duração da greve
A duração da paralisação dependerá das próximas rodadas de negociação e das decisões tomadas pelos funcionários em assembleias.
Na Caixa, o movimento continuará enquanto não houver uma proposta capaz de ser submetida e aprovada pelas bases. Como a greve foi convocada por tempo indeterminado, não existe previsão oficial para o encerramento.
No Banco do Brasil, o cenário poderá mudar de uma região para outra, conforme as negociações avancem e os sindicatos realizem novas votações.
Durante esse período, os clientes devem priorizar aplicativos, internet banking, correspondentes bancários e terminais de autoatendimento.
A greve nacional atinge a Caixa, enquanto a paralisação do Banco do Brasil permanece parcial e restrita às bases sindicais que decidiram aderir ao movimento.