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Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Reag após violações graves ao sistema financeiro

Decisão atinge gestora ligada ao caso Banco Master e a investigações sobre fraudes e lavagem de dinheiro; bens de controladores e ex-administradores ficam indisponíveis


O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., medida motivada por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Com a decisão, todas as operações da instituição foram encerradas de forma imediata, e os bens dos controladores e ex-administradores tornaram-se indisponíveis, conforme prevê a legislação.

Segundo o BC, fundos administrados pela Reag Trust estruturaram operações fraudulentas com o Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024. Em relatório encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU), a autoridade monetária apontou falhas severas de gestão de risco, crédito e liquidez, além de operações em desacordo com as regras prudenciais do sistema financeiro.


Ligação com investigações e a Operação Carbono Oculto

A Reag já havia sido alvo de investigações por suspeitas de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro, especialmente no âmbito da Operação Carbono Oculto, que apura conexões entre o setor de combustíveis e empresas financeiras. A gestora também aparece como investigada na Operação Compliance Zero, que mira um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias no Banco Master.

De acordo com as apurações, a Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos utilizados para movimentações atípicas de recursos, ocultação de riscos e possíveis práticas de fraude e lavagem de dinheiro.


O que diz o Banco Central

Em nota, o Banco Central afirmou que continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar responsabilidades no âmbito de suas competências legais. O órgão ressaltou que o resultado das investigações pode levar à aplicação de sanções administrativas e ao encaminhamento de informações a outras autoridades competentes.

A autoridade monetária explicou ainda que a Reag se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial, que reúne instituições de pequeno porte, com impacto irrelevante para a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional, representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN. Por isso, eventuais problemas na instituição não representam risco sistêmico.


Impacto para fundos e investidores

A liquidação atinge a instituição, mas não extingue automaticamente os fundos de investimento administrados por ela. Esses fundos permanecem ativos, porém deverão buscar novas instituições para assumir sua administração e gestão.

A APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda. foi nomeada pelo Banco Central como liquidante da Reag.


Conexão com o caso Banco Master

O caso da Reag se insere no contexto mais amplo do escândalo envolvendo o Banco Master, investigado por fraude bilionária. O banco já havia sido colocado em liquidação extrajudicial pelo BC em novembro e teve seu controlador, Daniel Vorcaro, preso na primeira fase da Operação Compliance Zero.

Nesta semana, a segunda fase da operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag, além de endereços ligados a Vorcaro e seus familiares. Segundo a Polícia Federal, houve apreensão de bens de alto valor, como carros e relógios de luxo, e bloqueio de valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.

Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o caso pode representar a maior fraude bancária já registrada no país, ampliando a pressão institucional por responsabilizações e pelo aprofundamento das investigações.