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Copa do Mundo tem dia de equilíbrio com quatro empates e tropeços de favoritos

Rodada desta segunda-feira foi marcada por resultados apertados, estreias históricas, pressão de seleções tradicionais e atuações decisivas de equipes consideradas azarões no Mundial


Copa do Mundo registra quatro empates em um dia de surpresas

A Copa do Mundo teve uma segunda-feira marcada pelo equilíbrio, pela resistência defensiva e por tropeços de seleções apontadas como favoritas em seus grupos. Em quatro partidas disputadas ao longo do dia, nenhum time conseguiu sair de campo com a vitória. Foram quatro empates, resultados que deixaram as chaves abertas e aumentaram a pressão para a sequência da fase de grupos.

O primeiro grande impacto veio logo na abertura da programação, quando Cabo Verde segurou a Espanha em um empate por 0 a 0, em uma estreia histórica para a seleção africana. Mais tarde, a Bélgica saiu atrás contra o Egito, reagiu no segundo tempo e ficou no 1 a 1. No Grupo H, o Uruguai também precisou buscar o empate diante da Arábia Saudita, em Miami. Já no fechamento da rodada, Irã e Nova Zelândia protagonizaram o jogo mais movimentado do dia, com empate por 2 a 2 em Los Angeles.

A sequência de resultados reforçou uma marca importante deste início de Mundial: a diferença técnica entre favoritos e seleções consideradas menores não tem sido suficiente para garantir vitórias tranquilas. Organização, intensidade defensiva e eficiência nos momentos certos transformaram a rodada em um alerta para equipes tradicionais.


Cabo Verde faz história e segura a Espanha em Atlanta

A grande surpresa do dia aconteceu no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Apontada como uma das candidatas ao título, a Espanha estreou com um empate sem gols contra Cabo Verde, seleção que disputava a primeira partida de sua história em Copas do Mundo.

O resultado teve peso histórico para os cabo-verdianos. Mesmo diante de uma seleção tecnicamente superior, Cabo Verde apresentou uma atuação defensiva praticamente perfeita. O time africano se fechou bem, reduziu os espaços da Espanha e contou com uma atuação decisiva do goleiro Vozinha, um dos grandes personagens da rodada.

A Espanha teve mais posse de bola durante quase todo o confronto, mas encontrou enorme dificuldade para transformar o domínio territorial em chances claras. A equipe de Luis de la Fuente iniciou a partida sem Lamine Yamal e Nico Williams entre os titulares, o que reduziu a profundidade e a capacidade de desequilíbrio pelos lados do campo.

A melhor sequência espanhola veio ainda no primeiro tempo. Rodri cruzou, Cucurella encontrou Ferran Torres na área, e o atacante acertou o travessão. No rebote, Mikel Oyarzabal parou em grande defesa de Vozinha. O goleiro cabo-verdiano ainda apareceu em outras oportunidades antes do intervalo, impedindo que a Espanha abrisse o placar.

Na segunda etapa, o cenário se repetiu. A Espanha pressionou, tentou acelerar a circulação da bola e acionou Lamine Yamal na reta final, mas não conseguiu quebrar o bloqueio adversário. Cabo Verde, por sua vez, resistiu com disciplina e ainda levou perigo nos minutos finais, em finalizações que exigiram atenção do goleiro Unai Simón.

O 0 a 0 foi histórico para Cabo Verde e frustrante para a Espanha. Para a seleção africana, o empate teve sabor de vitória. Para os espanhóis, ficou a sensação de desperdício e a lembrança de um retrospecto incômodo: a equipe voltou a ter dificuldades em uma estreia de Copa do Mundo.

Vozinha fez grande jogo contra a Espanha • Photo by Maddie Meyer – FIFA/FIFA via Getty Images

Imprensa repercute tropeço espanhol e exalta Vozinha

O empate da Espanha teve repercussão imediata na imprensa internacional. Jornais espanhóis trataram o resultado como um começo decepcionante para uma seleção que chegou ao Mundial cercada de expectativa. A atuação ofensiva foi alvo de críticas, principalmente pela falta de criatividade e pela dificuldade em transformar volume de jogo em gols.

A figura de Vozinha ganhou destaque. Aos 40 anos, o goleiro de Cabo Verde foi decisivo e virou símbolo da resistência africana diante de uma das seleções mais fortes do torneio. Suas defesas mantiveram o placar zerado e garantiram um ponto histórico para o país em sua primeira participação na competição.

O resultado também mexeu com o Grupo H. Com o empate entre Espanha e Cabo Verde, a chave começou sem liderança isolada após a primeira partida. A situação ficou ainda mais embolada horas depois, com o empate entre Uruguai e Arábia Saudita.


Bélgica leva susto do Egito e evita derrota em Seattle

No Lumen Field, em Seattle, a Bélgica também encontrou dificuldades em sua estreia. A seleção europeia ficou no 1 a 1 com o Egito, em partida válida pelo Grupo G. O resultado teve gosto amargo para os belgas, que entraram em campo como favoritos, mas precisaram reagir após sair atrás no placar.

O Egito começou o jogo com boa organização defensiva e apostando na inspiração de Mohamed Salah. Aos 19 minutos do primeiro tempo, o camisa 10 participou da jogada que terminou no gol africano. Emam Ashour recebeu na entrada da área e acertou uma bela finalização para vencer Thibaut Courtois, colocando o Egito em vantagem.

Ashour comemora gol do Egito contra a Bélgica • Sarah Stier – FIFA/FIFA via Getty Images

A Bélgica teve mais posse de bola, mas encontrou problemas parecidos com os da Espanha: muito controle territorial e pouca objetividade. Kevin De Bruyne e Jérémy Doku tentaram acelerar as ações ofensivas, mas a marcação egípcia conseguiu neutralizar boa parte das jogadas.

No segundo tempo, a pressão belga aumentou. De Bruyne acertou a trave em cobrança de falta, e a equipe passou a empurrar o Egito para o campo de defesa. Mesmo assim, os africanos continuaram perigosos nos contra-ataques, especialmente com Omar Marmoush.

A entrada de Romelu Lukaku mudou o panorama da partida. Aos 21 minutos da etapa final, Thomas Meunier cruzou pela direita em direção ao centroavante, e Mohamed Hany acabou desviando contra o próprio gol ao tentar cortar a jogada. O gol contra garantiu o empate belga.

Após igualar o placar, a Bélgica seguiu pressionando em busca da virada. Lukaku teve finalização bloqueada dentro da área, e Brandon Mechele obrigou Mostafa Shobeir a fazer grande defesa. O Egito, porém, resistiu até o fim e garantiu um ponto importante na estreia.


Egito sai fortalecido, enquanto Bélgica deixa dúvidas

O empate teve leituras diferentes para as duas seleções. Para o Egito, o resultado representou uma atuação competitiva contra um adversário tradicional do futebol europeu. A equipe mostrou organização, intensidade e capacidade de explorar espaços em velocidade.

Para a Bélgica, o placar evitou um tropeço maior, mas deixou dúvidas. A equipe teve volume, mas demorou a encontrar soluções ofensivas e só chegou ao empate em um lance de desvio contra. A dependência de jogadas individuais e a dificuldade para furar defesas compactas podem se tornar problemas na sequência da Copa.

Com o resultado, Bélgica e Egito somaram um ponto no Grupo G. A chave ficaria ainda mais equilibrada com o empate entre Irã e Nova Zelândia, que fechou a rodada.


Uruguai reage no segundo tempo e busca empate contra a Arábia Saudita

No Hard Rock Stadium, em Miami, o Uruguai teve uma estreia de altos e baixos. A seleção comandada por Marcelo Bielsa ficou no 1 a 1 com a Arábia Saudita, após sair atrás no placar e reagir na segunda etapa.

O primeiro tempo uruguaio foi abaixo do esperado. A equipe teve mais posse de bola em alguns momentos, mas apresentou pouca mobilidade, pouca profundidade e dificuldade para transformar ataques em chances reais. A Arábia Saudita, por outro lado, cresceu na reta final da etapa inicial e passou a incomodar em bolas paradas e jogadas de velocidade.

O gol saudita saiu aos 38 minutos. Após cobrança de escanteio, Kanno finalizou de cabeça, Muslera fez a defesa, mas o rebote ficou com Al-Amri, que aproveitou a sobra e abriu o placar.

A desvantagem obrigou o Uruguai a mudar de postura. Na volta do intervalo, a equipe sul-americana aumentou a intensidade, passou a ocupar o campo ofensivo e criou uma sequência de oportunidades. Viñas teve boas chances, Ugarte acertou o travessão e a pressão uruguaia se tornou constante.

O empate veio aos 35 minutos do segundo tempo. Após cruzamento na área, Viñas subiu para disputar, o goleiro saudita se atrapalhou, e Maxi Araújo apareceu no rebote para deixar tudo igual.

Nos minutos finais, o Uruguai seguiu em cima e quase virou. Valverde acertou um belo chute nos acréscimos, mas o goleiro saudita fez grande defesa e garantiu o empate.

Araújo marcou o gol do Uruguai na Copa do Mundo • (Photo by Carmen Mandato – FIFA/FIFA via Getty Images)

Bielsa critica atuação uruguaia e cobra mais intensidade

Apesar da reação no segundo tempo, o técnico Marcelo Bielsa não escondeu a insatisfação com o resultado. Para o treinador, o Uruguai deixou escapar uma vitória contra um adversário que, na avaliação dele, deveria ter sido superado.

A crítica principal foi direcionada ao primeiro tempo. A Celeste teve dificuldades para pressionar, criar jogadas dinâmicas e encontrar profundidade. A equipe só apresentou um futebol mais agressivo depois das mudanças feitas na etapa final.

O empate deixou o Grupo H completamente embolado. Espanha, Cabo Verde, Uruguai e Arábia Saudita terminaram a primeira rodada com um ponto cada. A próxima rodada será decisiva para definir quem assume o controle da chave.


Irã e Nova Zelândia fazem o jogo mais movimentado do dia

A partida mais agitada da segunda-feira ficou para o encerramento da rodada. No SoFi Stadium, em Los Angeles, Irã e Nova Zelândia empataram por 2 a 2, em confronto válido pelo Grupo G.

A Nova Zelândia começou melhor e abriu o placar logo no início. Chris Wood recebeu na frente e serviu Elijah Just, que finalizou com firmeza para colocar os All Whites em vantagem. A equipe da Oceania ainda teve oportunidades para ampliar, mas não conseguiu aproveitar.

Elijah Just, da Nova Zelândia, celebrando um dos seus gols sobre o Irã, em partida da primeira rodada da Copa do Mundo • Matt McNulty – FIFA/FIFA via Getty Images

O Irã respondeu aos poucos. Mehdi Taremi acertou a trave em uma boa finalização, e a pressão iraniana começou a crescer. Aos 32 minutos do primeiro tempo, Ramin Rezaeian aproveitou sobra dentro da área e bateu para empatar o jogo.

Na segunda etapa, a Nova Zelândia voltou a ficar à frente. Elijah Just tabelou com Chris Wood, entrou na área e marcou seu segundo gol na partida. A vantagem, porém, durou pouco. Aos 19 minutos, Rezaeian cruzou na medida para Mohammad Mohebi cabecear firme e igualar novamente o placar.

O Irã teve mais posse de bola nos minutos finais, mas encontrou dificuldade para criar chances claras. A Nova Zelândia também levou perigo em jogadas pontuais, incluindo uma cabeçada de Chris Wood já nos acréscimos, defendida por Alireza Beiranvand.

O empate por 2 a 2 deixou o Grupo G totalmente equilibrado, com todas as seleções somando um ponto após a primeira rodada.


Irã também enfrenta entraves fora de campo

Além do empate dentro de campo, a seleção iraniana viveu uma estreia marcada por problemas logísticos e políticos. Após a partida contra a Nova Zelândia, a delegação relatou dificuldades para deixar os Estados Unidos e retornar ao México, onde está hospedada durante a primeira fase.

Segundo informações divulgadas após o jogo, integrantes da seleção teriam enfrentado atrasos em procedimentos de imigração no aeroporto de Los Angeles. A situação ocorre em meio a restrições impostas à permanência da equipe iraniana nos Estados Unidos durante a Copa.

O episódio aumenta a complexidade da campanha do Irã no Mundial. A seleção ainda terá compromissos em território norte-americano e precisará lidar não apenas com os desafios esportivos, mas também com uma logística considerada desgastante pela comissão técnica.


Grupos G e H ficam completamente abertos

Os quatro empates deixaram os Grupos G e H em situação de equilíbrio total. No Grupo G, Bélgica, Egito, Irã e Nova Zelândia terminaram a primeira rodada com um ponto cada. O mesmo aconteceu no Grupo H, com Espanha, Cabo Verde, Uruguai e Arábia Saudita empatados na classificação.

Esse cenário aumenta a importância da segunda rodada. No Grupo H, a Espanha enfrentará a Arábia Saudita pressionada por uma resposta imediata, enquanto Cabo Verde tentará confirmar a boa impressão diante do Uruguai. Já no Grupo G, Bélgica e Irã farão um duelo direto importante, enquanto Egito e Nova Zelândia buscarão a primeira vitória.

A rodada também mostrou que a Copa do Mundo não terá espaço para favoritismo sem desempenho. Espanha, Bélgica e Uruguai entraram em campo com maior peso histórico, mas saíram com apenas um ponto. Cabo Verde, Egito, Arábia Saudita e Nova Zelândia provaram que organização e competitividade podem equilibrar confrontos contra adversários tecnicamente superiores.


Rodada reforça equilíbrio e acende alerta para favoritos

O dia de quatro empates na Copa do Mundo deixou uma mensagem clara: nenhuma seleção terá vida fácil na fase de grupos. A Espanha parou em Cabo Verde e no goleiro Vozinha. A Bélgica precisou de um gol contra para evitar derrota diante do Egito. O Uruguai só reagiu após um primeiro tempo ruim contra a Arábia Saudita. E Irã e Nova Zelândia fizeram um duelo aberto, com alternância no placar e chances para os dois lados.

Mais do que resultados isolados, a rodada expôs tendências importantes do Mundial. As seleções consideradas favoritas terão de lidar com adversários cada vez mais organizados, fisicamente preparados e capazes de competir em alto nível. Ao mesmo tempo, os chamados azarões mostraram que podem pontuar e influenciar diretamente o caminho dos grupos.

Com tudo igual nas duas chaves, a próxima rodada ganha peso decisivo. Para os favoritos, será a chance de recuperação. Para os azarões, a oportunidade de transformar bons começos em campanhas históricas.

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