Durante audiência no Senado, Nelson Antônio de Souza detalhou a origem do prejuízo bilionário identificado após a operação e afirmou que parte dos ativos adquiridos não possuía lastro ou respaldo financeiro
Presidente do BRB detalha impacto financeiro da operação com o Banco Master
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira (9) que a instituição identificou possíveis perdas de R$ 8,8 bilhões após a análise das carteiras de ativos adquiridas do Banco Master.
A declaração foi feita durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, em resposta a questionamentos apresentados pela senadora Damares Alves.
Segundo o executivo, a revisão dos ativos foi realizada após a conclusão da operação envolvendo a aquisição de parte da estrutura financeira do Banco Master, transação que se tornou alvo de investigações e questionamentos de órgãos de controle.
Operação envolveu R$ 30 bilhões em ativos
Ao detalhar o negócio, Nelson Antônio de Souza explicou que a operação totalizou aproximadamente R$ 30 bilhões em ativos.
Desse montante, segundo ele, R$ 21,9 bilhões permaneceram sob responsabilidade do BRB, distribuídos em diferentes carteiras de investimentos e operações financeiras.
“Desses R$ 30 bilhões transacionados, R$ 21,9 bilhões permaneceram no BRB como ativos. Dentro desse montante, R$ 12,2 bilhões deram origem à Operação Compliance Zero”, afirmou o presidente da instituição durante a audiência.
A chamada Operação Compliance Zero investiga suspeitas relacionadas à composição e à qualidade dos ativos envolvidos na transação.
Carteira de R$ 2,6 bilhões não possuía lastro, afirma banco
Segundo o presidente do BRB, uma das primeiras irregularidades identificadas pela equipe técnica envolveu a chamada carteira Tirreno.
De acordo com Nelson Antônio de Souza, a análise revelou que aproximadamente R$ 2,6 bilhões registrados nessa carteira não possuíam qualquer lastro financeiro ou documentação que comprovasse sua existência.
“Foi identificado de imediato que R$ 2,6 bilhões, referentes à carteira Tirreno, não existiam, não tinham lastro nem qualquer respaldo”, declarou.
Após a descoberta, o banco decidiu ampliar a revisão sobre os demais ativos incluídos na negociação para identificar possíveis inconsistências adicionais e calcular o valor total que precisaria ser provisionado.
“A partir daí, passamos a analisar todas essas carteiras para identificar o que efetivamente precisava ser provisionado”, explicou.
Recomposição dos recursos envolve empréstimo do FGC
Para compensar as perdas identificadas, o BRB conta com um plano de recomposição financeira que envolve recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo Nelson Antônio de Souza, o acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal entre a União, o Banco Central e o BRB prevê um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao fundo.
A medida faz parte do conjunto de ações destinadas a preservar a estabilidade financeira da instituição após a identificação das inconsistências nos ativos adquiridos.
Dívida ativa do Distrito Federal também será utilizada
Além dos recursos provenientes do Fundo Garantidor de Créditos, parte da recomposição deverá ocorrer por meio da securitização da dívida ativa do Governo do Distrito Federal.
Segundo o presidente do BRB, o estoque da dívida ativa do GDF é estimado em aproximadamente R$ 52 bilhões, permitindo a obtenção de recursos adicionais para fortalecer o patrimônio da instituição.
“A complementação dos R$ 8,8 bilhões virá por meio da securitização da dívida do GDF, estimada em R$ 52 bilhões. R$ 2,2 bilhões serão oriundos da securitização. Desse total, R$ 1,17 bilhão já está incorporado ao BRB”, afirmou.
De acordo com o executivo, a combinação dos recursos provenientes do FGC e da securitização deverá permitir a recomposição integral dos valores provisionados pelo banco.
Caso segue sob acompanhamento de autoridades
A operação envolvendo o Banco Master continua sendo acompanhada por autoridades financeiras, órgãos de controle e parlamentares.
As investigações buscam esclarecer a origem dos ativos considerados irregulares, a existência de eventuais responsabilidades administrativas ou criminais e os impactos financeiros gerados pela negociação.
As declarações apresentadas pelo presidente do BRB no Senado representam uma das explicações mais detalhadas já divulgadas sobre os efeitos da operação para a instituição financeira.
O caso permanece no centro das discussões sobre governança bancária, fiscalização do sistema financeiro e mecanismos de controle utilizados em operações de grande porte envolvendo instituições financeiras brasileiras.
