Federação iraniana afirma que perdeu a cota oficial de ingressos destinada aos seus torcedores e vê possível interferência política na organização do torneio em meio às tensões com os Estados Unidos
Federação iraniana denuncia bloqueio de ingressos para torcedores
A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, a Federação de Futebol da República Islâmica do Irã (FFIRI) denunciou que a cota oficial de ingressos destinada aos seus torcedores foi retirada, impedindo a distribuição das entradas para os jogos da seleção.
Segundo a entidade, muitos torcedores já haviam comprado passagens, reservado hospedagens e organizado viagens para acompanhar a equipe durante o torneio quando foram informados de que os ingressos não poderiam mais ser disponibilizados.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (9), a federação afirmou que o processo de venda já estava em andamento e classificou a decisão como contrária aos princípios de igualdade entre os países participantes.
“Privar os torcedores iranianos do acesso à sua alocação legal e oficial de ingressos é uma ação contrária ao espírito que rege as competições internacionais e ao princípio da igualdade entre os países participantes”, afirmou a FFIRI.
Cada seleção possui uma cota reservada para seus torcedores
Pelas regras da Copa do Mundo, cada federação participante recebe aproximadamente 8% dos ingressos disponíveis para cada partida, podendo distribuí-los aos torcedores conforme critérios próprios.
A entidade iraniana afirma que a retirada dessa cota impede que milhares de apoiadores tenham acesso garantido aos jogos da seleção.
O Irã integra o Grupo G da competição e fará seus dois primeiros compromissos em Los Angeles, contra a Nova Zelândia, no dia 15 de junho, e contra a Bélgica, em 21 de junho. A terceira partida será diante do Egito, em Seattle, no dia 26.
Federação vê influência política na decisão
Sem apontar diretamente quem teria tomado a decisão, a FFIRI afirmou que o episódio levanta dúvidas sobre a interferência de fatores políticos em uma competição esportiva internacional.
“Esse desenvolvimento levanta sérias questões sobre a interferência de considerações não esportivas e políticas na organização do maior evento de futebol do mundo”, declarou a entidade.
A federação também pediu que a FIFA garanta os princípios de neutralidade, justiça e igualdade previstos nos regulamentos da competição e evite que questões externas prejudiquem o torneio.
Até o momento, a entidade máxima do futebol não respondeu oficialmente às acusações.
Guerra e tensão diplomática impactam preparação iraniana
A participação do Irã na Copa do Mundo vem sendo cercada por dificuldades desde o agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e o governo iraniano.
As incertezas começaram ainda nos meses que antecederam a competição, quando surgiram dúvidas sobre a concessão de vistos para integrantes da delegação iraniana e sobre as condições de permanência da equipe em território norte-americano.
Diante desse cenário, a federação decidiu transferir sua base de preparação de Tucson, no estado do Arizona, para a cidade mexicana de Tijuana, localizada próxima à fronteira com os Estados Unidos.
A mudança ocorreu para reduzir a permanência da delegação em solo norte-americano e evitar possíveis problemas relacionados à entrada da equipe no país-sede de seus jogos.
Vistos foram liberados, mas parte da delegação continua impedida de entrar nos EUA
Após semanas de negociações, os Estados Unidos concederam vistos para todos os jogadores da seleção iraniana cerca de dez dias antes da estreia da equipe na Copa do Mundo.
No entanto, parte da delegação segue enfrentando restrições. Segundo autoridades iranianas, pelo menos 15 integrantes da comitiva, incluindo dirigentes, membros da comissão técnica e profissionais das equipes médica e de apoio, não receberam autorização para entrar em território norte-americano.
Entre os nomes afetados estaria o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj. Segundo informações divulgadas pela imprensa iraniana, a restrição estaria relacionada a antigas ligações de integrantes da delegação com a Guarda Revolucionária Islâmica.
O governo dos Estados Unidos já havia informado anteriormente que pessoas ligadas à estrutura militar iraniana poderiam ter restrições para obtenção de vistos.
Jogadores terão que entrar e sair dos Estados Unidos no dia das partidas
Além das limitações impostas a parte da delegação, os próprios jogadores da seleção iraniana enfrentarão restrições durante a competição.
De acordo com o embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, os atletas poderão entrar nos Estados Unidos apenas no dia dos jogos e deverão retornar ao México logo após as partidas.
“Eles podem entrar pela manhã e terão que sair no mesmo dia”, afirmou o diplomata durante entrevista coletiva realizada em Tijuana.
Com isso, a seleção realizará viagens de ida e volta entre México e Estados Unidos durante toda a fase de grupos. A logística é considerada incomum para uma Copa do Mundo e representa um desafio adicional para a preparação da equipe.
Segundo o governo iraniano, a negativa de vistos para parte da delegação e as restrições impostas à permanência da seleção configuram um tratamento discriminatório contra o país.
FIFA mantém diálogo com dirigentes iranianos
Apesar das dificuldades, a FIFA informou que segue mantendo contato com a Federação Iraniana de Futebol.
Nesta terça-feira, o secretário-geral da entidade, Mattias Grafström, reuniu-se com o presidente da FFIRI após a chegada da delegação ao México.
Segundo comunicado da FIFA, o encontro ocorreu de forma positiva e a entidade continuará colaborando com a federação iraniana para garantir que a equipe tenha condições adequadas de participação durante o torneio.
A organização também afirmou que continuará acompanhando a situação da delegação e prestando apoio institucional ao país durante a competição.
Copa do Mundo começa sob clima de incerteza para o Irã
A polêmica envolvendo os ingressos se soma a uma série de dificuldades enfrentadas pelo Irã às vésperas da Copa do Mundo.
Além das restrições de vistos, da mudança de base de treinamento e das limitações de deslocamento impostas aos jogadores, a seleção chega ao torneio em meio a um cenário de tensão geopolítica que ultrapassa o campo esportivo.
Enquanto aguarda uma resposta da FIFA sobre a retirada da cota de ingressos, a federação iraniana tenta manter o foco na preparação da equipe para a estreia contra a Nova Zelândia.
Para os dirigentes do país, a participação no Mundial representa mais do que uma disputa esportiva. Em meio ao conflito militar e às divergências diplomáticas com os Estados Unidos, a presença da seleção na Copa tornou-se também um símbolo da tentativa iraniana de manter sua representação nos grandes eventos internacionais.









































































































