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Suspensão da vacina da dengue do Butantan abre nova fase de investigação sobre efeitos adversos

Ministério da Saúde interrompe temporariamente a aplicação do imunizante após registros de eventos graves e reforça monitoramento em todo o país enquanto especialistas investigam possíveis causas


Governo suspende temporariamente aplicação da vacina contra dengue

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan após o registro de eventos adversos graves que podem estar associados à aplicação da vacina.

A medida foi adotada depois que o sistema de farmacovigilância identificou 42 casos de reações severas, incluindo duas mortes, em pessoas que receberam a vacina. Segundo o governo federal, ainda não há comprovação de relação direta entre os casos e o imunizante, mas a interrupção temporária foi considerada necessária para aprofundar as investigações.

A vacina do Butantan é considerada um marco na saúde pública por ser a primeira vacina contra dengue do mundo aplicada em dose única e também o primeiro imunizante totalmente desenvolvido e produzido no Brasil para combater a doença.


Estados e municípios serão orientados a interromper aplicação

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os estados e municípios serão oficialmente comunicados para interromper a utilização da vacina até que a investigação seja concluída.

Apesar da suspensão, o Ministério da Saúde orientou que todas as doses disponíveis sejam mantidas armazenadas nas redes de refrigeração das unidades de saúde.

Segundo a pasta, a medida tem caráter preventivo e poderá ser revista após a conclusão das análises técnicas conduzidas pelos órgãos responsáveis.


Ministério intensificará busca por novos casos

Entre as ações previstas após o anúncio está a ampliação do monitoramento de possíveis reações adversas em pessoas vacinadas.

O Ministério da Saúde realizará reuniões com municípios que participaram da campanha de imunização para reforçar a busca ativa de casos suspeitos. As administrações locais serão orientadas a revisar registros médicos, investigar ocorrências recentes e notificar qualquer situação que possa ter relação com a vacina.

Além disso, a pasta passará a monitorar de forma mais rigorosa casos de dengue registrados em pessoas vacinadas recentemente, pacientes com sinais de alarme da doença e eventuais óbitos.

O acompanhamento será realizado por lote de vacina, unidade de saúde e território onde a aplicação ocorreu, permitindo uma análise mais detalhada dos registros.


Investigação tentará identificar fatores em comum entre os casos

A principal preocupação das autoridades sanitárias neste momento é compreender se existe alguma característica comum entre os pacientes que apresentaram reações adversas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) notificou o Instituto Butantan e deverá convocar um comitê de especialistas para conduzir a investigação epidemiológica dos casos.

Segundo especialistas em imunização, o objetivo é analisar fatores como idade, condições de saúde, histórico médico e circunstâncias da vacinação para verificar se existe algum padrão que possa explicar os eventos observados.

A infectologista Rosana Richtmann afirmou que a análise não se limitará aos casos mais graves.

De acordo com a especialista, todos os registros de reações serão avaliados para identificar possíveis características compartilhadas entre os pacientes afetados.


Pessoas vacinadas devem observar sintomas de alerta

O Ministério da Saúde orienta que pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias permaneçam atentas a qualquer alteração no estado de saúde.

A recomendação é procurar atendimento médico caso surjam sintomas compatíveis com dengue grave ou sinais de agravamento do quadro clínico.

Entre os principais sintomas que exigem atenção estão febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral.

Segundo o governo, o acompanhamento em unidades de saúde é importante para garantir diagnóstico precoce e tratamento adequado em casos suspeitos.


Farmacovigilância registrou mais de 3 mil notificações

Dados apresentados pelo Ministério da Saúde mostram que, entre janeiro e 30 de maio de 2026, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue após a vacinação.

O número representa cerca de 0,7% do total de pessoas imunizadas.

Dentre essas notificações, 42 pacientes apresentaram sinais de alarme, incluindo dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Os episódios correspondem a aproximadamente 0,008% dos vacinados e foram classificados como eventos muito raros.

As manifestações observadas não haviam sido identificadas nos estudos clínicos realizados antes da aprovação do imunizante nem constavam na bula da vacina.


Dois óbitos seguem sob análise das autoridades

Entre os casos investigados estão dois óbitos registrados após a vacinação.

O primeiro envolve uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas compatíveis com dengue grave 19 dias após receber o imunizante. Segundo as autoridades, ela apresentou comprometimento neurológico associado a um quadro de meningoencefalite e não resistiu.

O segundo caso refere-se a um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após a aplicação da vacina e evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave acompanhado de choque refratário.

Além dos óbitos, um terceiro caso considerado grave envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas poucos dias após a vacinação. Ela foi internada em unidade de terapia intensiva, mas se recuperou.

O Ministério da Saúde ressalta que, até o momento, não foi estabelecida uma relação causal definitiva entre a vacina e os casos registrados, motivo pelo qual a investigação continua em andamento.


Instituto Butantan participará da apuração

A Anvisa informou que notificou oficialmente o Instituto Butantan, que ficará responsável por analisar os dados disponíveis e fornecer informações complementares às autoridades sanitárias.

O trabalho será conduzido de forma conjunta entre a agência reguladora, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o próprio instituto.

A expectativa é que os resultados das investigações permitam determinar se os eventos observados possuem relação direta com o imunizante ou se foram provocados por outros fatores clínicos e epidemiológicos.


Suspensão não afeta vacina Qdenga disponível no SUS

O Ministério da Saúde esclareceu que a decisão não afeta a vacinação com a Qdenga, imunizante desenvolvido pela farmacêutica japonesa Takeda.

Incorporada ao Programa Nacional de Imunizações em 2023, a vacina continua sendo aplicada normalmente pelo Sistema Único de Saúde em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

Segundo a pasta, não houve qualquer alteração nas recomendações relacionadas à Qdenga, que permanece disponível nos municípios contemplados pela estratégia nacional de combate à dengue.

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