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Após três dias de falhas, Artesp quer CPTM de volta às linhas da Trivia por 90 dias

Proposta prevê retomada temporária da operação conjunta nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Medida ainda será analisada pelo conselho diretor da agência


A Agência de Transporte do Estado de São Paulo, a Artesp, avalia determinar o retorno da CPTM à operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade por pelo menos 90 dias.

A proposta foi anunciada nesta quinta-feira (23) pelo diretor-presidente da agência, André Isper, depois de três dias consecutivos de falhas nas linhas recém-transferidas para a Trivia Trens.

Caso seja aprovada, a medida estabelecerá uma nova operação assistida, com CPTM e Trivia Trens atuando conjuntamente. A proposta será submetida ao conselho diretor da Artesp ainda nesta quinta-feira.


Proposta ainda precisa ser aprovada

O retorno da CPTM ainda não foi oficialmente determinado. A proposta precisa passar pela votação do conselho diretor da Artesp.

Apesar disso, André Isper afirmou considerar praticamente certa a aprovação da medida. Segundo o dirigente, a decisão está bem encaminhada e deverá ser concluída até o final da tarde.

A intervenção temporária ocorre após falhas registradas nos três primeiros dias da operação da Trivia Trens. Nesta quinta-feira, um possível curto-circuito em uma composição da Linha 12-Safira provocou um incêndio e interrompeu o fornecimento de energia, afetando as três linhas.

Para o diretor-presidente da Artesp, os problemas observados durante o início da nova operação foram “inaceitáveis” e exigem uma resposta imediata do órgão regulador.


CPTM poderá atuar por pelo menos 90 dias

A proposta da Artesp prevê que a CPTM volte a participar da operação por um período mínimo de 90 dias.

Durante esse intervalo, a estatal deverá trabalhar ao lado da Trivia Trens nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. A medida também poderá alcançar o Serviço Expresso Aeroporto, que utiliza trechos das linhas concedidas.

O objetivo será analisar as causas das falhas, revisar os procedimentos adotados pela nova concessionária e reorganizar a operação.

Segundo André Isper, o período servirá para apurar detalhadamente os problemas registrados, especialmente a ocorrência desta quinta-feira, e replanejar o serviço para impedir novos transtornos aos passageiros.


Retorno não representa cancelamento da concessão

A possível volta da CPTM não significa que o contrato de concessão da Trivia Trens será cancelado.

A proposta prevê uma atuação conjunta e temporária. A concessionária continuará responsável pelas linhas, mas voltará a contar com a experiência operacional e a supervisão direta da estatal durante o período de 90 dias.

O próprio contrato de concessão, firmado em 2025, prevê a possibilidade de retorno temporário da CPTM em situações que exijam reforço ou reorganização do serviço.

Na prática, a medida retomaria um modelo semelhante ao da operação assistida, encerrada antes de a Trivia assumir oficialmente o controle das linhas na terça-feira (21).


Artesp classifica situação como inaceitável

André Isper afirmou que os problemas registrados nos últimos dias foram muito graves e causaram impactos considerados inaceitáveis para a população.

O diretor-presidente reconheceu que as falhas em sequência prejudicaram diretamente os passageiros e afirmou que a agência precisa agir imediatamente como responsável pela fiscalização da concessão.

Para Isper, o retorno temporário da CPTM permitirá compreender o que falhou na transição e revisar toda a estrutura operacional das três linhas.

A Artesp também deverá avaliar os procedimentos de manutenção, atendimento ao passageiro, gerenciamento de ocorrências e comunicação adotados pela Trivia Trens.


Agência acompanha atuação da concessionária

Em nota oficial, a Artesp afirmou que acompanha desde o início da manhã a ocorrência que atingiu as três linhas.

Segundo o órgão, equipes fiscalizam as medidas adotadas pela concessionária para normalizar o serviço e prestar assistência aos passageiros afetados.

A agência declarou ainda que mantém fiscalização permanente sobre a prestação do serviço e que poderá adotar as medidas administrativas e contratuais consideradas necessárias.

A nota oficial, porém, não confirmou imediatamente o retorno da CPTM. Até a votação do conselho diretor, a retomada da operação conjunta permanece como uma proposta apresentada pela presidência da agência.


Experiência das linhas 8 e 9 foi citada pela Artesp

O diretor-presidente também mencionou os problemas registrados depois da concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda como exemplo da necessidade de fiscalização rigorosa sobre as empresas privadas.

Segundo Isper, a experiência anterior mostrou que a Artesp precisa acompanhar de perto o cumprimento dos contratos e cobrar resultados das concessionárias.

A proposta de retorno da CPTM por 90 dias surge como uma resposta à sequência de ocorrências registrada imediatamente após a transferência das três linhas para a Trivia.


Trivia apresentou falhas nos três primeiros dias

A Trivia Trens assumiu oficialmente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade na terça-feira (21).

Desde então, os três dias de operação foram marcados por falhas. A situação mais grave aconteceu nesta quinta-feira, quando o incêndio em um trem interrompeu o fornecimento de energia e provocou a paralisação das linhas.

Diante da sequência de problemas, a Artesp decidiu discutir o retorno da CPTM antes mesmo de a nova concessionária completar uma semana no comando do sistema.

Se aprovada, a operação conjunta deverá permanecer por pelo menos três meses. Depois desse período, a agência poderá avaliar se a Trivia possui condições de voltar a operar as linhas sem o apoio direto da estatal.