Paralisação está prevista para começar à meia-noite de 4 de agosto caso o Governo de São Paulo não apresente garantias sobre a manutenção dos empregos
Os funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) aprovaram uma greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, com início previsto para a meia-noite de 4 de agosto.
A decisão foi tomada durante uma assembleia realizada na sexta-feira (24), após a CPTM reassumir temporariamente a operação dos três ramais devido aos problemas registrados durante os primeiros dias de gestão da concessionária Trivia Trens.
A paralisação ainda poderá ser evitada caso o Governo de São Paulo atenda às reivindicações apresentadas pelos ferroviários até o dia 3 de agosto.
A principal preocupação da categoria é a ausência de garantias sobre a preservação dos postos de trabalho após o período de 90 dias em que a CPTM permanecerá responsável pela operação das linhas.
Greve está prevista para 4 de agosto
De acordo com o sindicato que representa os trabalhadores, a paralisação deverá começar à meia-noite de 4 de agosto e atingir os funcionários responsáveis pelas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
A greve dependerá do resultado das negociações com o Governo de São Paulo. A categoria estabeleceu o dia 3 de agosto como prazo para receber respostas sobre as principais reivindicações.
Até lá, os trens deverão continuar circulando normalmente sob a administração temporária da CPTM.
Caso o movimento seja confirmado, milhares de passageiros da capital, da região do Alto Tietê e de Guarulhos poderão ser afetados.
Trabalhadores cobram garantia de emprego
Segundo o sindicato, os ferroviários foram chamados para reassumir os serviços em caráter emergencial após as falhas apresentadas durante a gestão da Trivia Trens.
No entanto, a categoria afirma que ainda não recebeu uma definição sobre o futuro dos contratos e dos postos de trabalho depois do período de operação temporária.
A suspensão da Trivia foi determinada por 90 dias. Ao final desse prazo, a concessionária poderá voltar a administrar as linhas, dependendo das avaliações técnicas e das decisões tomadas pelas autoridades estaduais.
Os funcionários da CPTM temem que a devolução dos ramais resulte em desligamentos ou transferências sem garantias trabalhistas.
Por isso, a preservação dos empregos tornou-se o principal ponto da mobilização aprovada em assembleia.
Categoria defende retomada definitiva pela CPTM
Além da manutenção dos postos de trabalho, os ferroviários defendem que as linhas permaneçam definitivamente sob gestão pública.
A categoria pede a reversão do processo de transferência dos ramais e argumenta que a CPTM possui experiência operacional, profissionais capacitados e estrutura para continuar administrando os serviços.
Os trabalhadores também cobram a aprovação do Projeto de Lei nº 730/2025, atualmente em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
A proposta prevê a absorção dos empregados da CPTM pelo Governo estadual, oferecendo uma alternativa para garantir a continuidade dos vínculos de trabalho mesmo com o avanço das concessões.
O projeto tornou-se uma das principais reivindicações dos ferroviários diante das mudanças no sistema metropolitano de transporte sobre trilhos.
Trivia assumiu as três linhas em 21 de julho
A Trivia Trens assumiu integralmente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade no dia 21 de julho.
A transferência fazia parte do processo de concessão do chamado Lote Alto Tietê, realizado pelo Governo de São Paulo. A empresa passou a ser responsável pela operação, manutenção e administração dos três ramais.
A Linha 11-Coral conecta a capital paulista a municípios como Ferraz de Vasconcelos, Poá, Suzano e Mogi das Cruzes. A Linha 12-Safira liga o Brás a Calmon Viana, em Poá, enquanto a Linha 13-Jade atende o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
Entretanto, apenas dois dias depois da transferência completa, uma sequência de problemas provocou uma crise operacional e afetou milhares de passageiros.
Incêndio na Linha 12 interrompeu circulação
Na manhã de 23 de julho, um incêndio em uma composição da Linha 12-Safira provocou o desligamento de subestações de energia.
O problema interrompeu a circulação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, além do Serviço Expresso Aeroporto.
Com a falta de energia, passageiros precisaram desembarcar das composições e, em alguns trechos, caminhar pelos trilhos. As falhas provocaram atrasos, interrupções e dificuldades de deslocamento em diferentes pontos da rede.
A Linha 11 chegou a funcionar parcialmente entre Palmeiras-Barra Funda e Tatuapé. Posteriormente, a circulação também foi afetada no trecho entre Itaquera e Estudantes, atingindo diretamente os passageiros do Alto Tietê.
O episódio aconteceu poucos dias após a concessionária assumir integralmente a operação e aumentou os questionamentos sobre a preparação da empresa para administrar os ramais.
Artesp suspendeu operação da Trivia por 90 dias
Após a sequência de falhas, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo determinou a suspensão temporária da operação da Trivia Trens.
A medida afastou a concessionária da gestão das linhas por um período de 90 dias. Durante esse intervalo, a CPTM voltou a administrar os três ramais.
A retomada ocorreu na sexta-feira (24), apenas três dias depois do início da operação integral da Trivia. Segundo a CPTM, os serviços voltaram à normalidade após a mudança.
A suspensão deverá ser utilizada para avaliações técnicas, identificação das causas das falhas e definição das medidas necessárias para garantir a segurança e a regularidade da circulação.
Não há, até o momento, uma decisão definitiva sobre o que acontecerá após o encerramento dos 90 dias.
Incerteza sobre futuro aumenta mobilização
A indefinição sobre o término da operação temporária está no centro do conflito entre os ferroviários e o Governo estadual.
Os trabalhadores afirmam que assumiram os serviços emergenciais para garantir a circulação dos passageiros, mas cobram garantias de que não serão dispensados depois que a situação estiver estabilizada.
Para a categoria, a CPTM não deve ser utilizada apenas para solucionar os problemas operacionais e, posteriormente, perder novamente a responsabilidade pelos ramais sem a preservação dos empregos.
A possibilidade de greve surge, portanto, menos de duas semanas depois da concessão e poucos dias após a companhia pública retornar às linhas.
Paralisação poderá atingir milhares de passageiros
As linhas envolvidas no movimento são fundamentais para o transporte metropolitano da região leste.
A Linha 11-Coral é uma das mais movimentadas da rede e atende diariamente passageiros que se deslocam entre o Alto Tietê e a capital. A Linha 12-Safira atravessa bairros da Zona Leste e chega a Poá, enquanto a Linha 13-Jade conecta o sistema ferroviário ao Aeroporto de Guarulhos.
Uma paralisação simultânea nos três ramais poderá provocar impactos em outras linhas da CPTM, no Metrô e nos serviços de ônibus intermunicipais e municipais.
Os passageiros deverão acompanhar os comunicados da CPTM, do sindicato e do Governo de São Paulo até 3 de agosto, quando termina o prazo estabelecido para as negociações.
A greve está aprovada, mas sua realização dependerá da resposta apresentada pelo Governo estadual às reivindicações dos ferroviários.
