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Prévia da inflação desacelera a 0,06% em julho com queda nos preços dos alimentos

Resultado ficou abaixo das projeções do mercado, apesar da alta de 3,03% na energia elétrica e do avanço de 11,70% nas passagens aéreas


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do Brasil, registrou alta de 0,06% em julho, conforme os dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representa uma forte desaceleração em relação a junho, quando o indicador havia avançado 0,41%, e também ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro.

A projeção consultada pela Reuters indicava uma alta de 0,19%, enquanto a estimativa da Broadcast apontava avanço de 0,21%.

A estabilidade foi favorecida principalmente pela queda de 0,66% no grupo de alimentação e bebidas. O movimento compensou parte da pressão provocada pela energia elétrica residencial, que subiu 3,03% e exerceu o maior impacto individual sobre o índice.

No acumulado de 2026, o IPCA-15 apresenta alta de 3,51%. Em 12 meses, o indicador chegou a 4,52%, abaixo dos 4,80% registrados até junho. Os percentuais foram confirmados na divulgação oficial do IBGE.


Resultado fica abaixo das expectativas do mercado

A variação de 0,06% surpreendeu os analistas que esperavam uma inflação mais elevada no mês.

A diferença entre o resultado efetivo e as projeções foi de 0,13 ponto percentual em relação à previsão da Reuters e de 0,15 ponto na comparação com a estimativa da Broadcast.

O dado pode influenciar as avaliações sobre o comportamento dos preços no segundo semestre, mas ainda precisa ser analisado em conjunto com o IPCA oficial e outros indicadores econômicos.

A desaceleração não significa que todos os produtos e serviços ficaram mais baratos. O índice representa uma média e reúne movimentos diferentes dentro de cada grupo pesquisado.

Enquanto alimentos, roupas, educação e comunicação apresentaram queda, itens relacionados à moradia, energia elétrica, saúde e transportes registraram aumento.


Energia elétrica exerce maior pressão sobre o índice

O grupo habitação apresentou alta de 0,97% em julho, a maior entre os segmentos pesquisados pelo IBGE.

A principal influência veio da energia elétrica residencial, que aumentou 3,03% e representou o maior impacto individual sobre a prévia da inflação.

A conta de luz possui um peso relevante no orçamento das famílias e também influencia os custos das empresas. Por isso, reajustes na energia podem produzir reflexos indiretos nos preços de outros produtos e serviços.

A pressão do setor elétrico impediu que a deflação dos alimentos provocasse uma queda no índice geral.

Mesmo com a redução observada em diversos itens de consumo cotidiano, o IPCA-15 permaneceu no campo positivo.


Alimentos ficam 0,66% mais baratos

O grupo de alimentação e bebidas apresentou deflação de 0,66%, ajudando a conter a prévia da inflação.

A alimentação no domicílio recuou 1,14%, indicando redução média nos preços dos produtos comprados em supermercados, feiras e estabelecimentos semelhantes.

Entre os principais destaques está o tomate, que ficou 19,95% mais barato. A batata-inglesa apresentou queda de 10,03%, enquanto o café moído recuou 3,13%.

Esses produtos haviam contribuído para pressionar o orçamento doméstico em períodos anteriores. A queda observada em julho oferece um alívio, especialmente para as famílias que destinam uma parcela maior da renda à alimentação.

Os preços dos alimentos podem apresentar oscilações expressivas devido a fatores como clima, períodos de safra, custos de transporte e volume da oferta.


Tomate registra queda próxima de 20%

O tomate foi o principal destaque entre os produtos que ficaram mais baratos em julho.

A redução de 19,95% pode estar relacionada a um aumento da oferta do produto durante o período de coleta. Variações climáticas e mudanças na produção também costumam provocar movimentos intensos nos preços.

A batata-inglesa seguiu a mesma direção, com queda superior a 10%.

Já o café moído, que apresentou aumentos importantes nos últimos períodos, recuou 3,13%. Apesar da diminuição mensal, o produto ainda pode permanecer em níveis elevados quando comparado a períodos anteriores.

A continuidade da queda dependerá das condições das próximas safras, dos custos de produção e do comportamento das exportações.


Passagens aéreas sobem 11,70%

No grupo dos transportes, a variação foi de 0,11%.

O principal destaque ficou com as passagens aéreas, que registraram aumento de 11,70% em julho.

Os preços das viagens de avião costumam apresentar grande variação conforme a demanda, a antecedência da compra, os períodos de férias e a disponibilidade de assentos.

Julho concentra parte das férias escolares, o que tende a elevar a procura por viagens nacionais e internacionais.

Mesmo com o aumento expressivo das passagens, a variação geral do grupo foi menor porque outros componentes apresentaram movimentos mais moderados ou quedas capazes de compensar parte da pressão.


Saúde e cuidados pessoais registram alta

O grupo de saúde e cuidados pessoais avançou 0,28% em julho.

O segmento reúne despesas com medicamentos, produtos de higiene, serviços médicos e planos de saúde, entre outros itens.

As despesas pessoais também ficaram mais caras, com variação de 0,08%.

Embora os percentuais sejam inferiores ao observado na habitação, esses grupos possuem impacto direto no orçamento das famílias e contribuem para manter a inflação no campo positivo.

A evolução dos preços relacionados à saúde exige atenção porque parte dessas despesas não pode ser facilmente adiada ou substituída pelos consumidores.


Vestuário, educação e comunicação apresentam queda

Além dos alimentos, outros três grupos pesquisados pelo IBGE registraram deflação em julho.

Os preços do vestuário caíram 0,33%, enquanto educação apresentou recuo de 0,04%. O grupo de comunicação ficou 0,02% mais barato.

A redução nos preços das roupas pode estar relacionada às promoções realizadas pelo comércio para renovar estoques e encerrar coleções.

No caso da educação, os reajustes mais relevantes costumam ser concentrados no início dos períodos letivos. Por isso, as variações durante outros meses geralmente são menores.

A comunicação também permaneceu próxima da estabilidade, com uma queda limitada que exerceu pouco impacto sobre o resultado geral.


IPCA-15 acumula 3,51% no ano

De janeiro a julho, a prévia da inflação acumulou alta de 3,51%.

Nos últimos 12 meses, a variação ficou em 4,52%. O percentual representa uma desaceleração em relação aos 4,80% contabilizados nos 12 meses terminados em junho.

Em julho de 2025, o IPCA-15 havia registrado alta de 0,33%, resultado superior ao observado no mesmo mês deste ano.

A comparação mostra uma perda de força da inflação no período, embora alguns preços administrados e serviços continuem pressionando o orçamento.

A trajetória anual será importante para as decisões sobre a taxa básica de juros e para as projeções de crescimento da economia.


Prévia havia subido 0,41% em junho

Em junho, o IPCA-15 registrou alta de 0,41%, resultado 0,21 ponto percentual abaixo dos 0,62% observados em maio.

Naquele mês, a energia elétrica residencial também esteve entre as principais pressões. Os alimentos e bebidas, porém, haviam apresentado comportamento diferente do registrado agora.

Em julho, a queda da alimentação no domicílio contribuiu decisivamente para reduzir a variação geral a 0,06%.

Já o IPCA oficial de junho avançou 0,16%, depois de uma alta de 0,58% em maio.

Embora possuam metodologias semelhantes, o IPCA e o IPCA-15 utilizam períodos diferentes de coleta. Por isso, os resultados não são necessariamente iguais.


O que é o IPCA-15

O IPCA-15 é utilizado como uma prévia da inflação oficial porque segue metodologia semelhante à do IPCA.

A principal diferença está no período de coleta dos preços. O IPCA-15 considera valores levantados antes do encerramento do mês, enquanto o IPCA completo utiliza outra janela de referência.

O indicador acompanha os preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias, incluindo alimentação, habitação, transportes, saúde, educação, comunicação e vestuário.

Sua divulgação ajuda empresas, investidores, economistas e o próprio governo a avaliar a trajetória dos preços antes da publicação do IPCA oficial.

O resultado de julho mostra uma inflação praticamente estável, mas com movimentos opostos importantes: a energia elétrica e as passagens aéreas ficaram mais caras, enquanto alimentos essenciais apresentaram quedas expressivas.