Cédulas e moedas responderam por apenas 12% do valor movimentado nos pontos de venda brasileiros em 2025, enquanto a média regional chegou a 23%
A consolidação do Pix transformou os hábitos de pagamento dos brasileiros e levou o país a registrar o menor uso de dinheiro em espécie da América Latina.
Em 2025, as cédulas e moedas representaram apenas 12% do valor movimentado nos pontos de venda brasileiros, segundo a 11ª edição do Global Payments Report 2026.
O percentual coloca o Brasil abaixo de países como Chile e Argentina e também da média mundial, de 14%. Na América Latina, o dinheiro em espécie ainda respondeu por 23% do valor transacionado presencialmente.
O crescimento dos pagamentos instantâneos foi determinante para a mudança. No Brasil, as transferências de conta para conta, impulsionadas pelo Pix, representaram 42% do comércio eletrônico e 34% dos valores movimentados nos estabelecimentos físicos.
Brasil possui menor uso de dinheiro físico na região
O levantamento mostra que o Brasil é o país latino-americano onde os consumidores menos utilizam dinheiro em espécie nos pagamentos presenciais.
Com participação de 12%, o método ficou abaixo da média mundial e distante do percentual geral registrado na América Latina.
O Chile aparece na segunda posição entre os países com menor utilização, com 16%. A Argentina vem em seguida, com 17%.
O resultado brasileiro reflete a rápida incorporação do Pix por consumidores, empresas, profissionais autônomos e órgãos públicos desde o lançamento do sistema.
A possibilidade de realizar transferências durante as 24 horas do dia, inclusive aos finais de semana e feriados, aumentou a conveniência dos pagamentos eletrônicos e reduziu a necessidade de carregar dinheiro físico.
México ainda concentra pagamentos em dinheiro
Apesar da queda observada no Brasil, o dinheiro continua sendo utilizado com frequência em outros países latino-americanos.
No Peru, o método correspondeu a 30% do valor transacionado nos pontos de venda. Na Colômbia, a participação chegou a 32%.
O México apresentou o maior percentual entre os países analisados, com 40% dos valores movimentados presencialmente em dinheiro físico.
As diferenças refletem fatores como acesso ao sistema bancário, cobertura de internet, disponibilidade de meios eletrônicos, confiança nas instituições financeiras e nível de informalidade das economias.
Regiões com menor acesso a contas bancárias, smartphones ou conexão estável tendem a apresentar uma dependência maior de cédulas e moedas.
América Latina supera média mundial no uso de cédulas
Em toda a América Latina, o dinheiro em espécie representou 23% dos valores movimentados nos pontos de venda em 2025.
A participação ficou nove pontos percentuais acima da média mundial, de 14%.
Embora alguns países estejam avançando rapidamente nos pagamentos digitais, a região ainda apresenta diferenças importantes de infraestrutura e inclusão financeira.
O Brasil ocupa uma posição distinta nesse cenário. Com o Pix, o país conseguiu ampliar o acesso aos pagamentos instantâneos sem exigir o uso de cartões ou máquinas tradicionais.
Para realizar uma transferência, o consumidor pode utilizar uma chave cadastrada, um código QR ou os dados bancários do destinatário. Essa simplicidade contribuiu para que o sistema passasse a ser aceito de pequenos comerciantes a grandes empresas.
Pix lidera pagamentos instantâneos no Brasil
O Pix consolidou-se como o principal sistema de pagamentos instantâneos do país e impulsionou o crescimento das transações conhecidas como A2A, realizadas diretamente de uma conta para outra.
Em 2025, essa modalidade respondeu por 42% do valor movimentado no comércio eletrônico brasileiro.
Nos pontos de venda físicos, a participação chegou a 34%. O resultado demonstra que o sistema deixou de ser utilizado apenas para transferências entre pessoas e passou a ocupar um espaço relevante nas compras de produtos e serviços.
O consumidor pode pagar diretamente pelo aplicativo da instituição financeira, enquanto o estabelecimento recebe o valor sem a necessidade de utilizar as redes convencionais de cartões.
O avanço também estimulou empresas a integrarem o Pix às lojas virtuais, aos aplicativos de entrega e aos sistemas de cobrança.
Argentina amplia transferências com sistema próprio
Outros países da América Latina também estão desenvolvendo sistemas de pagamentos instantâneos.
Na Argentina, o Transferencias 3.0 continua ampliando a utilização dos pagamentos de conta para conta. Em 2025, a modalidade representou 15% do comércio eletrônico e 10% do valor movimentado nos pontos de venda.
Embora os percentuais ainda estejam abaixo dos registrados no Brasil, os números mostram uma expansão gradual das transferências instantâneas entre os consumidores argentinos.
A Colômbia também avançou nessa direção com o lançamento do Bre-B, sistema criado pelo banco central do país em 2025.
A expectativa é que a ampliação dessas plataformas reduza a dependência do dinheiro físico e aumente a participação dos meios eletrônicos nos próximos anos.
Pagamento em dinheiro na entrega permanece relevante
O estudo também analisou o uso de dinheiro em compras realizadas pela internet.
A América Latina lidera mundialmente a utilização do modelo conhecido como cash on delivery, no qual o consumidor paga em dinheiro no momento da entrega do produto.
O México aparece em destaque. No país, essa modalidade correspondeu a 6% das transações do comércio eletrônico, o maior índice mundial.
O pagamento na entrega costuma ser utilizado por consumidores que não possuem cartão, conta bancária ou confiança suficiente para realizar o pagamento antecipadamente pela internet.
A modalidade também permanece relevante em regiões nas quais os meios digitais ainda não alcançaram toda a população.
No Brasil, o avanço do Pix oferece uma alternativa eletrônica acessível para as compras virtuais, contribuindo para reduzir a necessidade de pagamento físico no recebimento.
Carteiras digitais avançam abaixo da média global
As carteiras digitais continuam apresentando uma participação menor na América Latina quando comparadas ao restante do mundo.
Em 2025, elas responderam por 23% do valor movimentado no comércio eletrônico latino-americano, enquanto a média global atingiu 56%.
Nos pontos de venda, a participação regional foi de 16%, contra uma média mundial de 33%.
As carteiras digitais armazenam dados de pagamento e permitem a realização de compras por aplicativos, celulares e outros dispositivos. Dependendo da plataforma, elas podem ser conectadas a cartões, contas bancárias ou saldos próprios.
Apesar da distância em relação à média mundial, o relatório projeta crescimento dessa modalidade em toda a região.
Mercado Pago lidera expansão regional
Entre as plataformas que ganham espaço na América Latina está o Mercado Pago, braço financeiro do principal marketplace de comércio eletrônico da região.
O aplicativo é um dos meios de pagamento mais utilizados nos mercados onde atua e oferece serviços como transferências, pagamentos por código QR, cartões e recebimento de vendas.
O PayPal também mantém presença relevante no continente, especialmente nas compras realizadas em sites internacionais.
Além das plataformas globais e regionais, países latino-americanos possuem carteiras locais com forte presença. Na Colômbia, a Nequi aparece entre as principais opções, enquanto o Peru conta com a Yape.
A combinação entre pagamentos instantâneos e carteiras digitais deverá reduzir gradualmente o uso do dinheiro físico, embora o ritmo dessa transformação seja diferente em cada país.
Pix transforma hábitos de consumo no país
Os dados do Global Payments Report demonstram que o Brasil avançou mais rapidamente do que os vizinhos na substituição das cédulas e moedas.
A participação de apenas 12% nos pontos de venda não significa o desaparecimento do dinheiro físico. O método continua importante para consumidores sem acesso aos serviços digitais, para pequenos pagamentos e para situações em que os sistemas eletrônicos ficam indisponíveis.
Entretanto, o Pix ampliou significativamente as possibilidades de pagamento e aproximou consumidores e comerciantes das transações eletrônicas.
Com 42% do comércio eletrônico e 34% dos valores movimentados nos estabelecimentos físicos, os pagamentos de conta para conta já ocupam uma posição central na economia brasileira.
O desempenho coloca o Brasil à frente da transformação dos meios de pagamento na América Latina e serve de referência para os sistemas instantâneos desenvolvidos em outros países da região.
