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Meta fecha acordo de R$ 86,7 bilhões e terá de limitar uso de redes sociais por adolescentes

Entendimento com 29 estados americanos encerra processo sobre supostos danos causados a jovens e determina mudanças no Facebook e Instagram, como limite diário e bloqueio noturno


A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, concordou em pagar cerca de US$ 16,68 bilhões, aproximadamente R$ 86,7 bilhões, para encerrar um processo nos Estados Unidos que acusava a empresa de incentivar o uso excessivo das redes sociais por crianças e adolescentes.

O acordo firmado com 29 estados americanos também obriga a companhia a implementar novas medidas de proteção para usuários menores de 18 anos no Facebook e no Instagram. Entre as mudanças estão a adoção de limite diário de duas horas, bloqueio durante a madrugada, suspensão de notificações e possibilidade de utilizar um feed sem personalização.

A ação era considerada um dos principais testes jurídicos nos Estados Unidos sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia pelos possíveis danos causados por suas plataformas à saúde mental dos jovens.

Apesar de aceitar o acordo, a empresa comandada por Mark Zuckerberg negou ter cometido qualquer irregularidade.


Acordo encerra processo movido por 29 estados

O entendimento encerra reivindicações apresentadas por 29 estados americanos que acusavam a Meta de desenvolver conscientemente recursos capazes de aumentar a dependência de crianças e adolescentes nas redes sociais.

Segundo as acusações, mecanismos utilizados pelo Instagram e pelo Facebook teriam sido projetados para manter os usuários conectados por períodos prolongados, contribuindo para problemas relacionados à saúde mental.

Os autores das ações defendiam que a empresa precisava assumir responsabilidade pelos possíveis impactos provocados sobre jovens usuários, além de adotar mudanças estruturais nas plataformas.

O acordo interrompe um julgamento federal que poderia estabelecer um precedente importante para outros processos envolvendo redes sociais e proteção de menores nos Estados Unidos.

A Meta ainda enfrenta outras ações em tribunais estaduais e federais, mesmo após a resolução desse caso.


Meta terá de adotar limite diário de duas horas

Uma das principais mudanças previstas é a criação de um limite diário padrão de duas horas para usuários menores de 18 anos.

O período poderá ser alterado somente por um dos pais ou por um responsável legal. A medida pretende ampliar o controle das famílias sobre o tempo que crianças e adolescentes permanecem nas plataformas.

Embora o acesso não seja completamente proibido após o limite, a configuração padrão deverá funcionar como uma ferramenta de contenção do uso prolongado.

A Meta também terá de manter, revisar e aprimorar as medidas já existentes de segurança de conteúdo para adolescentes.

As mudanças valerão para usuários jovens do Facebook e do Instagram em todo o território dos Estados Unidos.


Facebook e Instagram terão bloqueio noturno

O acordo também prevê a implementação de um bloqueio noturno padrão entre meia-noite e 6h para os usuários menores de idade.

A restrição poderá ser removida pelos pais, mas deverá permanecer ativada como configuração inicial das contas de adolescentes.

Além do bloqueio de acesso durante a madrugada, as plataformas deverão interromper o envio de notificações para menores de 18 anos entre 22h e 7h e durante o horário escolar.

O objetivo é reduzir estímulos que possam fazer os adolescentes retornar repetidamente aos aplicativos durante períodos destinados ao sono, aos estudos e a outras atividades.

As notificações são consideradas um dos principais mecanismos utilizados pelas redes sociais para incentivar a abertura frequente dos aplicativos.


Adolescentes poderão escolher feed sem personalização

Usuários menores de 18 anos deverão receber a opção de utilizar um feed não personalizado.

Atualmente, grande parte dos conteúdos apresentados no Instagram e no Facebook é selecionada por sistemas automatizados com base no histórico de navegação, nas interações e nos interesses identificados pelas plataformas.

Esses sistemas podem recomendar publicações semelhantes às que já prenderam a atenção do usuário, aumentando o tempo de permanência no aplicativo.

A possibilidade de utilizar um feed sem personalização busca reduzir a influência dos algoritmos sobre os conteúdos apresentados aos adolescentes.

A medida também amplia a capacidade dos jovens e de seus responsáveis de escolher como as publicações serão exibidas.


Empresa deverá responder rapidamente a denúncias

A Meta terá de responder a 90% dos relatos feitos por adolescentes sobre conteúdos potencialmente prejudiciais em até seis horas.

A obrigação pretende acelerar a análise de denúncias envolvendo publicações que possam representar risco para usuários menores de idade.

A empresa também deverá revisar e melhorar continuamente os sistemas de segurança destinados aos adolescentes.

O acordo não detalha apenas a retirada de conteúdos, mas exige que a plataforma mantenha mecanismos de identificação, avaliação e resposta às denúncias.

A rapidez na análise é considerada essencial em situações envolvendo ameaças, assédio, exploração, automutilação ou conteúdos prejudiciais à saúde mental.


Crianças menores de 13 anos deverão ser removidas

Outra exigência é a adoção de medidas para identificar e remover crianças menores de 13 anos das plataformas.

As regras do Facebook e do Instagram já estabelecem uma idade mínima para a criação de contas. Entretanto, os estados americanos argumentaram que os controles utilizados pela empresa não impediam de maneira eficiente o cadastro de crianças.

Com o acordo, a Meta deverá aprimorar os mecanismos de identificação de contas administradas por usuários abaixo da idade permitida.

A empresa também poderá enfrentar maior cobrança sobre a eficiência das ferramentas utilizadas para confirmar a idade dos usuários.

O desafio envolve a criação de sistemas capazes de proteger crianças sem ampliar indevidamente a coleta de dados pessoais.


Estados também buscavam impedir contas infantis

Antes do acordo, os estados envolvidos pediam que a Justiça obrigasse a Meta a realizar mudanças significativas nas plataformas.

Entre as reivindicações estava a adoção de medidas mais rigorosas para impedir que crianças criassem contas no Facebook e no Instagram.

Os autores das ações também buscavam indenizações adicionais pelos supostos danos causados aos usuários jovens.

Em uma audiência realizada antes do início do julgamento, representantes dos estados afirmaram que o valor pretendido estaria mais próximo de US$ 200 bilhões.

A Meta declarou em um documento judicial que quatro estados envolvidos em ações relacionadas poderiam buscar multas de até US$ 1,4 trilhão.


Processos do caso Cambridge Analytica também são encerrados

O acordo também encerra processos movidos pela Califórnia, Illinois, Novo México e Washington, D.C., relacionados ao escândalo envolvendo a Cambridge Analytica.

Esses governos receberão US$ 459,3 milhões para encerrar as ações ligadas às alegações de violação de privacidade.

O caso Cambridge Analytica ganhou repercussão internacional após a revelação de que a empresa de consultoria havia coletado dados pessoais de milhões de usuários do Facebook.

As informações teriam sido utilizadas para criar perfis de eleitores e direcionar publicidade política sem o conhecimento adequado dos usuários.

As ações encerradas questionavam a responsabilidade da Meta pela proteção dos dados armazenados na plataforma.


Meta nega irregularidades no caso

Apesar do pagamento bilionário e da obrigação de modificar suas plataformas, a Meta não reconheceu ter cometido irregularidades.

A empresa aceitou o entendimento para encerrar o julgamento e as reivindicações apresentadas pelos estados.

A resolução evita que documentos internos, decisões corporativas e depoimentos de executivos sejam analisados durante um julgamento completo.

Também reduz o risco de uma eventual condenação estabelecer regras mais amplas ou multas superiores às previstas no acordo.

O entendimento, entretanto, representa uma das maiores respostas financeiras e regulatórias já impostas a uma empresa de redes sociais em um processo envolvendo a proteção de crianças e adolescentes.


Empresa ainda enfrenta outras ações nos Estados Unidos

O encerramento desse processo não resolve todos os problemas jurídicos enfrentados pela Meta.

A companhia continua sendo alvo de outras ações estaduais e federais relacionadas aos impactos do Facebook e do Instagram sobre jovens usuários.

As acusações afirmam que as plataformas foram projetadas com ferramentas capazes de estimular comportamentos repetitivos e aumentar o tempo de uso.

Entre os recursos questionados estão as recomendações personalizadas, a reprodução contínua de conteúdos, as notificações e os mecanismos de aprovação social.

Os processos também discutem se as empresas de tecnologia informaram adequadamente usuários e responsáveis sobre os riscos associados ao uso prolongado das redes sociais.


Acordo amplia pressão sobre empresas de tecnologia

O entendimento poderá aumentar a pressão para que outras plataformas adotem medidas semelhantes de proteção aos menores de idade.

O debate sobre a relação entre redes sociais e saúde mental ganhou espaço em diferentes países, principalmente diante do crescimento do uso de aplicativos por crianças e adolescentes.

Governos e organizações de proteção à infância defendem a criação de limites mais claros para notificações, algoritmos de recomendação, publicidade e coleta de dados.

As empresas de tecnologia argumentam que já oferecem ferramentas de supervisão familiar e configurações específicas para adolescentes. Os críticos, entretanto, afirmam que muitas dessas opções dependem de ativação manual e não impedem o uso excessivo.

No caso da Meta, o acordo estabelece que algumas proteções deverão ser ativadas como padrão. A alteração transfere aos responsáveis a decisão de flexibilizar os limites, em vez de exigir que eles encontrem e configurem cada ferramenta.


Mudanças atingirão adolescentes em todos os Estados Unidos

As medidas previstas no acordo deverão ser aplicadas às contas de adolescentes no Facebook e no Instagram em todo o território americano.

Os menores de 18 anos terão limite diário padrão de duas horas, bloqueio noturno, suspensão de notificações durante a noite e o período escolar, acesso opcional a um feed não personalizado e resposta mais rápida às denúncias.

A empresa também deverá melhorar as políticas de segurança e ampliar a identificação de crianças com menos de 13 anos.

O acordo de R$ 86,7 bilhões encerra um dos principais processos sobre os efeitos das redes sociais na juventude, mas mantém aberto o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais.