Propaganda eleitoral no rádio e na televisão começa nesta sexta-feira (28); Lula terá o maior tempo, enquanto outros oito presidenciáveis não participarão da distribuição
A campanha para a Presidência da República entra em uma nova etapa nesta sexta-feira (28 de agosto), com o início do horário eleitoral gratuito de 2026 no rádio e na televisão. Embora 12 candidatos estejam aptos a disputar o Palácio do Planalto, somente quatro terão espaço na propaganda eleitoral: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).
A redução ocorre porque a legislação eleitoral condiciona a participação no horário gratuito ao desempenho dos partidos nas eleições para a Câmara dos Deputados. As legendas precisam cumprir critérios mínimos de representatividade para ter acesso ao tempo de rádio e TV.
Com isso, oito candidatos à Presidência ficarão fora da propaganda eleitoral, mesmo permanecendo oficialmente na disputa. A diferença entre o tempo destinado aos quatro participantes também será expressiva: enquanto Lula terá mais de cinco minutos por programa, Augusto Cury contará com apenas 35 segundos.
Além dos blocos tradicionais transmitidos em horários determinados, os candidatos terão direito a inserções de 30 segundos distribuídas ao longo da programação das emissoras durante os 35 dias de campanha eleitoral.
Lula terá o maior tempo no horário eleitoral de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pela coligação Brasil Pronto Para Mais, ficará com a maior parcela do horário eleitoral gratuito. Ao todo, serão 5 minutos e 31 segundos em cada programa, além de 433 inserções distribuídas durante os 35 dias de propaganda.
Na segunda posição aparece Flávio Bolsonaro, candidato do PL, com 4 minutos e 20 segundos no programa eleitoral e 339 inserções ao longo do período.
O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, terá 2 minutos e 2 segundos, além de 159 inserções. Já o escritor Augusto Cury, candidato pelo Avante, contará com 35 segundos por programa e 47 inserções durante a campanha.
A distribuição evidencia o peso das bancadas partidárias na definição da propaganda. Quanto maior o número de deputados federais eleitos pelos partidos que apoiam uma candidatura, maior tende a ser o tempo disponível no rádio e na televisão.
Lula também é o único dos quatro candidatos com tempo de propaganda que participa da eleição por meio de uma coligação. Seu candidato a vice-presidente é Geraldo Alckmin, do PSB.
Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury disputam o pleito em chapas puras, nas quais os candidatos a presidente e vice-presidente pertencem ao mesmo partido.
Veja a ordem dos candidatos no primeiro dia de propaganda
A ordem de exibição dos programas no primeiro dia do horário eleitoral foi definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por meio de sorteio realizado na quinta-feira, 20 de agosto.
A propaganda presidencial desta sexta-feira começará com o programa do Avante, partido de Augusto Cury. Na sequência, será exibido o conteúdo do PSD, de Ronaldo Caiado.
O terceiro espaço ficará com o PL, de Flávio Bolsonaro, enquanto a Coligação Brasil Pronto Para Mais, de Lula, encerrará o primeiro programa eleitoral da corrida presidencial.
Portanto, a ordem inicial será: Avante, PSD, PL e Coligação Brasil Pronto Para Mais.
Essa sequência, entretanto, não permanecerá fixa durante toda a campanha. A legislação estabelece um sistema de alternância para evitar que uma mesma candidatura seja beneficiada ou prejudicada pela posição ocupada no programa.
A legenda ou coligação que aparecer em primeiro lugar em determinado dia será deslocada para a última posição no programa seguinte. Os demais participantes avançam sucessivamente, criando um sistema de rodízio durante o período eleitoral.
O TSE também realizou o sorteio de duas sobras de inserções com 30 segundos de duração. Os espaços adicionais ficaram com o PSD e com a Coligação Brasil Pronto Para Mais.
Oito presidenciáveis ficam fora do rádio e da televisão
A maior parte dos candidatos que participa da eleição presidencial de 2026 não terá tempo no horário eleitoral gratuito. Isso acontece porque os partidos responsáveis pelas candidaturas não alcançaram os requisitos de desempenho estabelecidos pela legislação eleitoral.
Ficarão fora da distribuição Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata).
A ausência da propaganda no rádio e na televisão não significa a retirada desses nomes da eleição. Todos continuam autorizados a fazer campanha por outros meios permitidos, como participação em eventos, entrevistas, debates, manifestações públicas, produção de conteúdo nas redes sociais e divulgação de propostas em plataformas digitais.
No entanto, ficar fora do horário eleitoral representa uma limitação importante, especialmente para candidatos com menor nível de conhecimento entre o eleitorado. A televisão e o rádio ainda oferecem um alcance nacional difícil de ser reproduzido apenas com atividades presenciais ou campanhas digitais.
Para os oito candidatos excluídos da distribuição, a internet, as entrevistas e os debates deverão assumir um papel ainda mais relevante na tentativa de apresentar propostas e conquistar visibilidade durante a campanha.
Como é calculado o tempo do horário eleitoral gratuito
A divisão do horário eleitoral é determinada pela representatividade dos partidos no Congresso Nacional. Conforme as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral, 90% do tempo total é distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos por cada partido na eleição anterior.
Isso significa que as candidaturas apoiadas por partidos ou coligações com bancadas maiores na Câmara dos Deputados recebem mais tempo para apresentar propostas, programas de governo e mensagens aos eleitores.
Os 10% restantes são divididos igualmente entre os partidos que superaram a cláusula de desempenho, também conhecida como cláusula de barreira.
A regra busca estabelecer um patamar mínimo de representatividade nacional para que as legendas tenham acesso a recursos públicos e instrumentos como o fundo partidário e o horário eleitoral gratuito.
Para cumprir a cláusula, o partido precisa ter elegido pelo menos 11 deputados federais, distribuídos em nove ou mais unidades da Federação. Há também a possibilidade de alcançar o requisito por meio da votação nacional.
Nesse caso, a legenda deve ter obtido no mínimo 2% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, também distribuídos por pelo menos nove unidades da Federação, com o mínimo de 1% dos votos válidos em cada uma delas.
As siglas que não alcançam nenhuma dessas condições ficam sem acesso ao tempo de propaganda, ainda que tenham candidatos oficialmente registrados para a disputa presidencial.
Coligações podem ampliar a presença de candidatos na TV
As coligações exercem influência direta na divisão do horário eleitoral porque permitem que o número de deputados dos partidos participantes seja considerado no cálculo da propaganda.
Na eleição presidencial de 2026, Lula é o único entre os quatro candidatos com tempo de televisão apoiado por uma coligação partidária. Essa composição contribui para que o petista lidere a distribuição, com mais de cinco minutos disponíveis em cada programa.
As demais candidaturas com acesso ao horário eleitoral foram registradas em chapas formadas por integrantes da própria legenda. Dessa forma, o cálculo considera apenas a representatividade do partido responsável pela candidatura.
A diferença também aparece no número de inserções. Lula terá 433 participações de 30 segundos, enquanto Augusto Cury, candidato com o menor tempo, terá 47 inserções ao longo dos 35 dias.
Somadas aos programas exibidos em blocos, essas inserções permitem que as campanhas apareçam em diferentes momentos da programação, alcançando públicos variados e reforçando mensagens consideradas estratégicas pelos candidatos.
Horário eleitoral marca nova fase da campanha presidencial
O início da propaganda gratuita representa um dos momentos mais importantes do calendário eleitoral. A partir desta sexta-feira, os candidatos com acesso ao rádio e à televisão poderão ampliar a apresentação de suas propostas e estabelecer uma comunicação mais frequente com os eleitores.
Os programas também costumam ser utilizados para construir a imagem pública dos presidenciáveis, destacar realizações políticas, responder a adversários e abordar temas com impacto direto na população, como economia, saúde, segurança pública, educação, emprego e políticas sociais.
Com apenas quatro participantes na propaganda presidencial, o horário eleitoral de 2026 terá uma concentração maior de tempo entre os candidatos apoiados pelas maiores bancadas.
Ao mesmo tempo, a exclusão de oito presidenciáveis reforça a diferença estrutural entre as campanhas e aumenta a importância das redes sociais e dos debates para as candidaturas sem espaço na televisão.
A propaganda eleitoral gratuita será exibida durante 35 dias, período no qual os quatro candidatos buscarão transformar o tempo disponível no rádio e na TV em maior alcance, conhecimento público e intenção de voto.
