Terremoto de magnitude 4,4 teria provocado um deslizamento, bloqueado o rio Bhote Koshi e desencadeado a inundação que devastou comunidades próximas à fronteira com o Tibete
Uma enchente repentina deixou pelo menos 55 mortes confirmadas e 384 viajantes desaparecidos no norte do Nepal, próximo à fronteira com o Tibete, nesta quarta-feira (26). As autoridades alertam que os números podem aumentar, pois comunidades permanecem isoladas e as equipes de resgate ainda não conseguiram alcançar todas as áreas atingidas.
Entre os desaparecidos estão 291 estrangeiros e 93 cidadãos nepaleses, segundo um levantamento preliminar elaborado a partir de informações fornecidas por empresas de turismo e agências de viagens.
A inundação destruiu casas, estradas, pontes e projetos de geração de energia. Vilarejos localizados próximos ao rio Bhote Koshi foram atingidos pela força da correnteza, enquanto deslizamentos bloquearam acessos terrestres e dificultaram a chegada dos socorristas.
De acordo com o governo nepalês, um terremoto provocou um grande deslizamento de terra, que bloqueou o curso do rio. O acúmulo e a posterior liberação da água teriam desencadeado a enchente.
Número de mortos pode aumentar
As autoridades confirmaram pelo menos 55 mortes, mas admitem que o balanço ainda pode crescer conforme as equipes de busca avancem pelas regiões mais isoladas.
A destruição das estradas e a interrupção dos sistemas de comunicação impedem que o governo obtenha uma dimensão completa da tragédia. Algumas comunidades ainda não conseguiram enviar informações sobre vítimas, desaparecidos e danos materiais.
Autoridades do Nepal e do Tibete afirmaram temer grandes perdas humanas, principalmente em vilarejos construídos próximos aos rios e em áreas cercadas por encostas instáveis.
Além das mortes, há moradores feridos, desabrigados e isolados. Equipes de emergência tentam estabelecer rotas alternativas para levar alimentos, água potável e medicamentos às comunidades atingidas.
Terremoto teria desencadeado a enchente
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, informou que um terremoto registrado às 8h37, no horário local, provocou um grande deslizamento.
O material que desceu da encosta teria bloqueado o rio Bhote Koshi, formando uma barreira natural. O rompimento dessa estrutura pode ter liberado um grande volume de água de maneira repentina.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, detectou um tremor de magnitude 4,4 na região no mesmo horário citado pelo governo nepalês.
As autoridades continuam investigando as circunstâncias do desastre e verificam se as chuvas e as condições geológicas contribuíram para ampliar a intensidade da inundação.
Levantamento aponta 384 desaparecidos
O Conselho de Turismo do Nepal informou ter recebido uma lista preliminar com 384 viajantes desaparecidos nas áreas afetadas.
Desse total, 291 são estrangeiros e 93 são cidadãos do Nepal. Os dados estão sendo conferidos com empresas de turismo, guias, autoridades locais e órgãos de segurança.
Entre os estrangeiros desaparecidos estão 105 cidadãos indianos. A lista também inclui viajantes da Austrália, dos Países Baixos, da África do Sul, do Reino Unido e da Malásia.
Como os sistemas de comunicação foram interrompidos, parte das pessoas pode estar ilhada ou sem condições de entrar em contato com familiares e autoridades. Mesmo assim, o governo não descarta que novos nomes sejam adicionados à relação conforme outras regiões sejam vistoriadas.
Helicópteros enfrentam dificuldades no resgate
A destruição provocada pela enchente comprometeu as operações de busca. Helicópteros enviados às regiões de Syapru Besi e Timure, no distrito montanhoso de Rasuwa, não conseguiram pousar.
Segundo as autoridades, o transbordamento do rio atingiu possíveis áreas de desembarque. As estradas também foram bloqueadas por lama, destroços e deslizamentos.
Rasuwa possui aproximadamente 50 mil habitantes e está entre os locais mais afetados. O fornecimento de energia e as comunicações foram interrompidos em diferentes pontos do distrito.
O Exército do Nepal informou que algumas aeronaves precisarão esperar o nível da água baixar para realizar pousos com segurança. Enquanto isso, equipes procuram caminhos alternativos para retirar moradores e turistas ilhados.
A população que vive nas margens do rio Bhote Koshi foi orientada a procurar imediatamente áreas mais altas e distantes da água.
Vilarejos inteiros foram atingidos
Imagens divulgadas após o desastre mostram casas desmoronando, veículos sendo levados pela correnteza e uma ponte de metal sendo arrastada.
Moradores relataram que a água avançou rapidamente sobre comunidades próximas ao rio. Em alguns pontos, assentamentos inteiros foram destruídos.
O administrador distrital Narendra Pariyar afirmou que a tragédia pode ter causado um número elevado de vítimas e grandes prejuízos materiais. Ele pediu que os moradores deixassem as regiões próximas ao curso do rio.
O agente de saúde Tula Bahadur BK relatou que áreas residenciais foram completamente arrastadas e que integrantes de sua própria família estavam desaparecidos.
Canteiros de obras e instalações de energia também foram destruídos, comprometendo ainda mais o acesso às comunidades.
Sul-coreanos estão entre os desaparecidos
Pelo menos oito trabalhadores sul-coreanos estão desaparecidos. Eles atuavam em uma usina hidrelétrica na região e eram ligados às empresas Korea Energy e Doosan Energy.
Outros dez trabalhadores sul-coreanos ficaram ilhados e aguardavam o envio de um helicóptero para deixar a área.
A Coreia do Sul criou uma força-tarefa para acompanhar o caso e planeja enviar ao Nepal uma equipe conjunta de resposta rápida, formada por funcionários do governo, bombeiros e policiais.
A presença de estrangeiros em projetos de energia e de centenas de turistas na região provocou uma mobilização internacional para auxiliar nas buscas.
China reforça operações de busca
O presidente da China, Xi Jinping, determinou a realização de uma operação de busca e resgate em grande escala.
O desastre também atingiu áreas próximas ao Tibete. No condado de Gyirong, autoridades receberam relatos de desaparecidos após um deslizamento de lama atingir uma importante passagem terrestre entre os dois territórios.
Estradas, pontes, comunicações e projetos de energia foram danificados dos dois lados da fronteira. Nepal e China trabalham para localizar desaparecidos e restabelecer as rotas de acesso.
Autoridades ainda verificam informações
Os números divulgados permanecem preliminares. O Conselho de Turismo do Nepal está comparando registros de hotéis, empresas de viagens, guias e operadores turísticos para confirmar quantas pessoas estavam na região.
A prioridade é identificar quem conseguiu deixar as áreas afetadas, mas ainda não entrou em contato, e localizar grupos que possam estar isolados.
As autoridades também monitoram o risco de novos deslizamentos e inundações, especialmente em encostas danificadas pelo terremoto.
Com localidades ainda inacessíveis e centenas de pessoas desaparecidas, o governo reforça que o número de mortos e desaparecidos pode aumentar nas próximas horas.
