Caso começou com mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, avançou para acusações entre ministros, provocou uma guerra de decisões sobre o comando da Polícia Federal e levou Edson Fachin a centralizar os procedimentos na Presidência do Supremo
O Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa uma crise interna provocada pelos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master e pelos contatos mantidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades públicas.
O caso começou a ganhar força com a divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Os registros citam o ministro Alexandre de Moraes, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A partir desse material, decisões e acusações passaram a envolver diretamente os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça e Flávio Dino. A disputa culminou no afastamento e na posterior reintegração da cúpula da PF por decisões conflitantes tomadas em um intervalo de aproximadamente 24 horas.
Diante da sobreposição de ordens, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu intervir. Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e Dino, retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, concentrou procedimentos sob a responsabilidade da Presidência da Corte e convocou uma sessão plenária para discutir a crise.
A seguir, veja a linha do tempo dos principais acontecimentos no STF.
Março de 2025: Mendonça recebe Vorcaro no STF
Um dos episódios mais antigos conhecidos ocorreu em março de 2025, quando André Mendonça recebeu Daniel Vorcaro para uma reunião.
O encontro veio a público somente em setembro de 2026, após a divulgação de mensagens apreendidas pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero. Nos registros, o advogado Ciro Rocha Soares, ligado ao ex-dono do Banco Master, aparece participando da articulação para que a conversa fosse realizada.
Depois da revelação, Mendonça confirmou ter recebido Vorcaro, mas afirmou que o encontro aconteceu uma única vez e tratou exclusivamente da Suspensão de Tutela Provisória 976, a STP 976.
O processo envolvia créditos de precatórios de interesse do Banco Master. A instituição havia adquirido o direito de receber esses valores por meio de fundos de investimento.
Segundo Mendonça, a reunião ocorreu aproximadamente 11 meses antes de ele assumir a relatoria das investigações sobre o Banco Master, em fevereiro de 2026. O ministro também declarou que sua posição no processo dos precatórios foi contrária aos interesses defendidos por Vorcaro.
O gabinete informou que os memoriais apresentados pelo empresário e por seu advogado foram registrados e permanecem arquivados.
Janeiro de 2024: Moraes aparece como último editor de contrato ligado ao Banco Master
Outro acontecimento anterior à crise, mas que só foi revelado posteriormente, envolve um contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Metadados indicaram que um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” realizou, em 11 de janeiro de 2024, a última modificação em uma minuta do contrato.
O acordo previa remuneração mensal de R$ 3,6 milhões durante três anos. Caso fosse cumprido integralmente, o valor poderia chegar a aproximadamente R$ 131 milhões.
O escritório confirmou que Moraes teve acesso ao documento, mas afirmou que a análise teve como finalidade verificar a existência de possíveis impedimentos legais para a contratação. A banca sustentou que o ministro nunca julgou uma causa envolvendo o Banco Master e que o contrato não previa atuação perante o STF.
Dados encaminhados ao Senado indicaram que o escritório recebeu R$ 80,2 milhões entre 2024 e 2025. Os pagamentos foram interrompidos após a liquidação do banco.
A existência do contrato e a participação de Moraes na análise da minuta não comprovam, isoladamente, qualquer irregularidade. Esses elementos, porém, passaram a ser examinados em conjunto com as mensagens enviadas posteriormente por Vorcaro ao ministro.
Novembro de 2025: Vorcaro envia mensagens antes de ser preso
Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua prisão, Daniel Vorcaro enviou mensagens nas quais demonstrava preocupação com a possibilidade de uma operação policial.
Em um dos registros recuperados, o empresário perguntou a Alexandre de Moraes se deveria deixar o Brasil até a segunda-feira seguinte. Também fez questionamentos sobre o Banco Central, sobre uma pessoa identificada como Ricardo e sobre a possibilidade de medidas serem adotadas contra ele.
Pouco antes da prisão, Vorcaro teria perguntado se Moraes havia conseguido obter informações ou impedir a operação.
As respostas atribuídas ao ministro não foram recuperadas pela Polícia Federal. Por esse motivo, o material conhecido revela as perguntas enviadas pelo empresário, mas não permite reconstruir integralmente as conversas ou concluir qual foi a atuação de Moraes.
A dificuldade está relacionada ao método de comunicação adotado por Vorcaro. Segundo os investigadores, o empresário escrevia determinadas mensagens em um bloco de notas, fazia capturas de tela e enviava as imagens pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única.
17 de novembro de 2025: Vorcaro é preso em Guarulhos
Daniel Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
O ex-banqueiro tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, responsável por investigar suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Como as mensagens foram enviadas nos dias anteriores à detenção, a Polícia Federal passou a apurar se Vorcaro estava tentando descobrir detalhes sigilosos da operação ou obter apoio para impedir o cumprimento das medidas.
O conteúdo conhecido até agora não permite afirmar se o empresário recebeu informações privilegiadas. A investigação tenta descobrir quem respondeu às mensagens, quais orientações foram fornecidas e se alguma autoridade adotou providências para beneficiar Vorcaro.
Fevereiro de 2026: Mendonça assume investigações sobre o Banco Master
André Mendonça passou a conduzir no STF os procedimentos relacionados ao Banco Master em fevereiro de 2026.
A partir desse momento, ficaram sob sua supervisão medidas ligadas às suspeitas de fraudes financeiras, à atuação de fundos de investimento e aos contatos mantidos por Daniel Vorcaro com autoridades.
O ministro também se tornou responsável por analisar elementos obtidos pela Polícia Federal nos aparelhos apreendidos durante a Operação Compliance Zero.
Essa posição colocou Mendonça no centro da crise quando o material começou a revelar referências a integrantes da própria Corte, à direção da Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
31 de agosto de 2026: Mendonça pede explicações à PGR
Na segunda-feira, 31 de agosto, André Mendonça encaminhou um ofício à PGR solicitando esclarecimentos sobre uma mensagem encontrada no celular de Vorcaro.
O empresário teria mencionado a necessidade de obter proteção de Paulo Gonet e Andrei Rodrigues. Segundo a interpretação dos investigadores, Vorcaro teria pedido ao interlocutor que conversasse com os dois para impedir medidas contra ele ou contra o Banco Master.
Mendonça concedeu cinco dias para a manifestação da PGR.
O material não comprova que Gonet ou Andrei tenham recebido o pedido, oferecido proteção ou interferido na investigação. O objetivo do ofício era justamente esclarecer o contexto das referências e verificar se houve alguma comunicação com os dois.
Naquele momento, a identidade do destinatário da mensagem ainda não estava oficialmente confirmada, embora investigadores considerassem a possibilidade de que o conteúdo tivesse sido enviado a Alexandre de Moraes.
1º de setembro: Mendonça derruba sigilo e expõe mensagens
Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo da ação que reunia mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
A decisão permitiu o acesso público a documentos relacionados à investigação. Entre os registros estavam as perguntas de Vorcaro sobre uma eventual saída do país, a possibilidade de uma operação policial e pedidos por informações antes de sua prisão.
Também vieram a público os metadados do contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes.
A divulgação colocou a relação entre Moraes e Vorcaro no centro da crise. De um lado, havia um contrato milionário mantido entre o banco e o escritório da esposa do ministro. De outro, apareceram mensagens nas quais o ex-banqueiro procurava Moraes em um momento de preocupação com uma possível operação da PF.
As respostas do magistrado, entretanto, não foram recuperadas, e não havia conclusão sobre eventual repasse de informações ou interferência nas investigações.
2 de setembro: Mendonça confirma reunião com Vorcaro
No dia seguinte, 2 de setembro, André Mendonça confirmou publicamente que também havia se reunido com Vorcaro, em março de 2025.
A manifestação ocorreu depois que mensagens mostraram a participação do advogado Ciro Rocha Soares na marcação do encontro.
Mendonça sustentou que apenas ouviu o empresário, que a audiência tratou de precatórios e que sua posição posterior foi desfavorável aos interesses do Banco Master.
O ministro também destacou que ainda não era relator do caso Master na data da reunião. A confirmação, no entanto, acrescentou outro contato entre Vorcaro e um integrante do Supremo à sequência de revelações.
4 de setembro: relatórios da PF acusam Mendonça de atuação desigual
Em 4 de setembro, a crise mudou de direção. Relatórios atribuídos à inteligência da Polícia Federal passaram a questionar a atuação de André Mendonça na condução de investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS.
Os documentos apontaram uma possível assimetria no tratamento dado a políticos investigados, comparando decisões envolvendo os senadores Weverton Rocha e Ciro Nogueira.
Segundo a análise, um procedimento com elementos considerados mais frágeis teria recebido uma avaliação mais favorável, enquanto outro, supostamente acompanhado por documentos e mensagens mais consistentes, enfrentou exigências maiores.
A PF também comparou o tempo de análise de pedidos relacionados a diferentes autoridades. Os prazos citados variavam entre nove e 75 dias.
Os relatórios levantaram ainda suspeitas sobre a participação de Mendonça em negociações de colaborações premiadas e sobre a possibilidade de concessão de benefícios não previstos em lei.
4 de setembro: Alcolumbre aparece como possível “alvo estratégico”
Nos mesmos documentos, a PF levantou a hipótese de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pudesse ser um “provável alvo estratégico”.
A avaliação considerava o poder de Alcolumbre dentro do Congresso e sua competência para decidir sobre o andamento de pedidos de impeachment contra ministros do STF.
O relatório também recordava as divergências ocorridas durante a indicação de Mendonça ao Supremo. Na época, Alcolumbre foi apontado como um dos responsáveis pela demora na realização da sabatina do então indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A expressão empregada pela PF representava uma hipótese investigativa e não uma conclusão de que Mendonça tenha direcionado apurações contra o presidente do Senado.
Moraes pede apuração contra Mendonça
Após receber os relatórios, Alexandre de Moraes encaminhou o material a Edson Fachin e pediu a apuração das condutas atribuídas a André Mendonça.
Moraes apontou possíveis indícios de abuso de autoridade, improbidade administrativa, crime de responsabilidade e favorecimento de grupos políticos.
Também solicitou que fosse avaliado o afastamento de Mendonça da relatoria dos procedimentos relacionados às operações Compliance Zero e Sem Desconto.
O material foi inserido inicialmente no inquérito das fake news, que permanecia sob a relatoria de Moraes. A utilização desse procedimento para analisar atos de outro ministro do STF aumentou os questionamentos sobre a imparcialidade e os limites do inquérito.
A oposição interpretou a iniciativa como uma possível retaliação após Mendonça tornar públicas as mensagens entre Moraes e Vorcaro. Essa leitura foi apresentada por parlamentares, mas ainda não foi confirmada pelas apurações institucionais.
PGR questiona legalidade do procedimento
A Procuradoria-Geral da República reagiu à escalada da crise e defendeu a nulidade de parte dos atos.
A PGR argumentou que a apuração não poderia avançar da forma como havia sido conduzida sem uma iniciativa formal do Ministério Público ou da própria autoridade policial.
Também foram levantadas dúvidas sobre o tratamento de informações envolvendo autoridades com foro no STF e sobre a origem dos relatórios utilizados contra Mendonça.
Fachin reconheceu que havia questionamentos relacionados a possíveis vícios formais, mas optou por solicitar esclarecimentos antes de decidir sobre a validade dos atos.
Fachin abre procedimento e dá cinco dias para explicações
Diante das acusações cruzadas, o presidente do STF determinou que Moraes, Mendonça, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues apresentassem informações no prazo de cinco dias úteis.
Fachin decidiu reunir os esclarecimentos antes de avaliar se o caso deveria ser arquivado, aprofundado ou submetido ao Plenário.
O presidente da Corte buscava esclarecer a origem dos relatórios, a atuação da Polícia Federal, as decisões de Mendonça e o uso do inquérito das fake news para apurar fatos relacionados ao próprio STF.
A abertura do procedimento marcou a primeira tentativa de centralizar institucionalmente uma crise que até então avançava por decisões e iniciativas individuais.
8 de setembro: Mendonça afasta a cúpula da Polícia Federal
A crise atingiu um novo patamar em 8 de setembro, quando André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da PF.
A medida também retirou Leandro Almada da Costa do comando da Diretoria de Inteligência Policial.
Mendonça afirmou que estaria sendo monitorado pela Polícia Federal havia mais de 30 dias. Para o ministro, os afastamentos eram necessários para impedir constrangimentos ilegais contra integrantes do STF, agentes da advocacia pública e servidores da própria corporação.
A decisão também suspendeu a elaboração e a circulação de relatórios de inteligência destinados a analisar atos praticados durante o exercício de funções constitucionais relacionadas à prestação jurisdicional, à advocacia pública e à atividade policial.
O ministro rejeitou um pedido do Partido Novo para prender Andrei Rodrigues, mas acolheu a solicitação de afastamento. A decisão foi encaminhada para análise da Segunda Turma do Supremo.
9 de setembro: Dino determina retorno de Andrei Rodrigues
Na manhã de 9 de setembro, Flávio Dino suspendeu os efeitos da decisão de Mendonça e determinou a reintegração imediata de Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
Dino entendeu que o Partido Novo não tinha legitimidade para pedir medidas cautelares pessoais em um procedimento penal. Segundo o ministro, esse tipo de solicitação deveria partir da autoridade policial ou do Ministério Público.
O magistrado também considerou que o afastamento da cúpula da PF e a paralisação da área de inteligência poderiam prejudicar centenas de investigações.
Outro argumento foi o de que Mendonça aparecia como interessado no procedimento aberto pela Presidência do STF e, por essa razão, não deveria tomar uma decisão individual sobre a mesma controvérsia.
A ordem de Dino restabeleceu as atribuições dos delegados e criou uma proteção contra novas cautelares baseadas exclusivamente no cumprimento regular de decisões judiciais.
9 de setembro: Fachin suspende as duas decisões
Horas depois, Edson Fachin interveio e suspendeu tanto a ordem de Mendonça quanto a decisão de Dino.
Ao anular temporariamente os efeitos das duas determinações, Fachin restabeleceu o quadro existente antes da disputa: Andrei Rodrigues permaneceu como diretor-geral da Polícia Federal e Leandro Almada continuou à frente da Inteligência da corporação.
O presidente do STF considerou grave a situação em que decisões de ministros eram desafiadas horizontalmente por outros integrantes da Corte enquanto recursos e julgamentos sobre o mesmo tema ainda estavam pendentes.
Fachin também intimou Andrei Rodrigues a apresentar informações em 48 horas. Depois da resposta, a Presidência deverá decidir sobre a permanência do diretor-geral da PF no procedimento específico sob análise.
A medida consolidou o movimento de Fachin para retirar a condução da crise das decisões individuais e levá-la ao colegiado.
Fachin retira Moraes do inquérito das fake news
Também em 9 de setembro, Edson Fachin revogou a designação de Alexandre de Moraes como relator do inquérito das fake news e assumiu a condução do procedimento.
Moraes estava à frente da investigação desde 2019, quando foi designado pelo então presidente do STF, Dias Toffoli. O modelo sem sorteio foi posteriormente validado pelo Plenário.
Fachin preservou os atos já praticados. Ações penais ligadas ao inquérito que já tiveram denúncias recebidas continuarão tramitando normalmente.
A Presidência do STF também retirou do inquérito das fake news a decisão de Moraes envolvendo André Mendonça e seus respectivos anexos. O material foi transferido para um procedimento sob responsabilidade direta de Fachin.
A decisão ocorreu cinco dias depois de o presidente do Supremo defender publicamente a urgência de encerrar o inquérito, aberto há mais de sete anos.
Presidente do STF tenta recuperar o controle institucional
As medidas adotadas por Fachin representam uma tentativa de retomar o controle da crise e impedir novas decisões conflitantes entre ministros.
Ao suspender as ordens de Mendonça e Dino, retirar Moraes do inquérito das fake news e concentrar os procedimentos na Presidência, Fachin estabeleceu uma instância única para a análise inicial dos acontecimentos.
A intervenção também busca separar as diferentes frentes da controvérsia. Uma delas trata das mensagens de Vorcaro e dos possíveis contatos com autoridades. Outra examina os relatórios da Polícia Federal sobre Mendonça. Há ainda os questionamentos sobre a atuação da cúpula da PF, a participação da PGR e a validade das decisões tomadas dentro do inquérito das fake news.
Na avaliação apresentada por Fachin, o STF enfrenta um quadro de conflitos e sobreposições processuais capaz de prejudicar o funcionamento da Corte.
A Presidência passou a atuar para impedir que ministros diretamente citados ou afetados pelas apurações continuassem adotando medidas individuais sobre os mesmos fatos.
10 de setembro: Moraes anuncia pronunciamento
Alexandre de Moraes convocou um pronunciamento à imprensa para a manhã desta quinta-feira, 10 de setembro.
A assessoria do ministro não informou oficialmente o conteúdo da manifestação. Nos bastidores do Supremo, porém, a expectativa é que Moraes defenda sua atuação à frente do inquérito das fake news e apresente considerações sobre as investigações conduzidas no procedimento.
Esta será a primeira manifestação pública do ministro desde que Fachin retirou dele a relatoria do inquérito e concentrou a análise dos desdobramentos sob responsabilidade da Presidência.
Segundo a organização divulgada, somente a TV Justiça poderá produzir imagens da fala e disponibilizar o material aos demais veículos de imprensa.
15 de setembro: Plenário discutirá rumos das investigações
Fachin convocou uma sessão do Plenário do STF para a próxima terça-feira, 15 de setembro.
Os ministros deverão discutir os desdobramentos dos relatórios da Polícia Federal, as acusações envolvendo integrantes da Corte e os próximos passos das investigações relacionadas ao caso Master.
O colegiado também poderá analisar a validade dos procedimentos, os limites de atuação de cada ministro e o futuro das medidas relacionadas a Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
A sessão será determinante para saber se a intervenção de Fachin conseguirá encerrar a guerra de decisões individuais e estabelecer uma condução colegiada para a crise.
O que o STF ainda precisa esclarecer
Apesar da grande quantidade de documentos e decisões divulgados, os principais pontos permanecem sem uma conclusão definitiva.
A investigação precisa esclarecer se Alexandre de Moraes respondeu às mensagens de Daniel Vorcaro e se forneceu informações sobre a operação que resultou na prisão do empresário. Também será necessário determinar o contexto das referências a Andrei Rodrigues, Paulo Gonet e Gabriel Galípolo.
No caso de André Mendonça, o STF deverá analisar se houve tratamento desigual de autoridades, participação indevida em negociações de delação premiada ou direcionamento político de investigações.
Outra frente envolve a origem e a legalidade dos relatórios atribuídos à Polícia Federal, além da afirmação de Mendonça de que teria sido monitorado pela corporação.
Até o momento, nenhuma das acusações representa uma condenação ou conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos ministros, dos dirigentes da PF ou das demais autoridades citadas.
A decisão de Fachin de concentrar os procedimentos e levar o caso ao Plenário deverá definir se o tribunal abrirá novas investigações, determinará diligências adicionais ou encerrará parte das apurações.
O desafio do presidente do STF será conduzir um procedimento que envolve integrantes da própria Corte, a direção da Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e autoridades de outros Poderes, ao mesmo tempo em que tenta preservar a estabilidade e a credibilidade institucional do Supremo.