Líder da oposição venezuelana diz que reunião foi “excelente”; gesto ocorre em meio a disputas sobre o futuro político da Venezuela
Entrega simbólica da medalha do Nobel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta quinta-feira (15) a medalha do Prêmio Nobel da Paz das mãos da líder da oposição venezuelana María Corina Machado, durante um encontro na Casa Branca. A informação foi confirmada por um representante do governo americano, que afirmou que Trump pretende manter a medalha.
Em publicação nas redes sociais, o presidente declarou que Machado lhe entregou a medalha “pelo trabalho que tenho feito”, classificando o gesto como uma demonstração de respeito mútuo. A Casa Branca divulgou posteriormente uma foto do encontro, com Trump exibindo a medalha em uma moldura dourada, acompanhada de uma mensagem de agradecimento por sua “liderança extraordinária na promoção da paz por meio da força”.
Machado busca influência sobre os rumos da Venezuela
Segundo Machado, o encontro foi “excelente”, embora ela não tenha detalhado o conteúdo das conversas. O gesto simbólico ocorreu em um momento sensível, no qual a líder oposicionista tenta influenciar a posição de Trump sobre o futuro político da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas no início do mês.
A tentativa de aproximação acontece depois de Trump descartar publicamente a ideia de instalar Machado como líder da Venezuela no curto prazo, alegando que ela não teria apoio político suficiente dentro do país neste momento.
Apesar da entrega da medalha, o Prêmio Nobel da Paz continua oficialmente pertencendo a María Corina Machado. O Instituto Nobel da Noruega já deixou claro que o prêmio não pode ser transferido, compartilhado ou revogado, reforçando o caráter estritamente simbólico do gesto.
Interesse antigo de Trump pelo Nobel
Trump já manifestou diversas vezes o desejo de receber o Prêmio Nobel da Paz e chegou a fazer campanha aberta pela honraria antes de Machado ser premiada no mês passado. Após ter sido preterido, o presidente reclamou publicamente da decisão.
Questionado recentemente se teria pedido a medalha, Trump negou. “Ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz”, disse o republicano em entrevista, tentando minimizar a polêmica em torno do episódio.
Primeiro encontro presencial entre Trump e Machado
O almoço na Casa Branca, que durou pouco mais de uma hora, marcou o primeiro encontro presencial entre Trump e María Corina Machado. Após a reunião, a líder venezuelana seguiu para o Capitólio, onde se reuniu com mais de uma dezena de senadores democratas e republicanos, tradicionalmente mais receptivos às pautas da oposição venezuelana.
A secretária de imprensa da Casa Branca afirmou que Trump aguardava a reunião, mas manteve uma avaliação “realista” sobre a capacidade de Machado de liderar o país no curto prazo.

Democracia em segundo plano, petróleo como prioridade
Apesar das expectativas de setores da oposição e da diáspora venezuelana, Trump tem deixado claro que sua prioridade é garantir acesso dos Estados Unidos ao petróleo venezuelano, e não necessariamente conduzir um processo de redemocratização.
O presidente elogiou em diversas ocasiões a atual líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura de Maduro. Em entrevista recente, Trump afirmou que Rodríguez tem sido “muito boa de negociar”.
Senadores democratas que se encontraram com Machado relataram ceticismo quanto a avanços democráticos. Segundo eles, a repressão política permanece praticamente inalterada, e há dúvidas sobre a realização de eleições livres no curto prazo.
Cenário político incerto na Venezuela
Machado foi impedida de concorrer às eleições presidenciais de 2024 por uma Suprema Corte alinhada ao chavismo. Observadores internacionais acreditam que o oposicionista Edmundo González, apoiado por ela, venceu o pleito, mas Maduro manteve-se no poder até ser capturado.
Embora o atual governo tenha anunciado a libertação de dezenas de presos políticos, organizações independentes afirmam que o alcance dessas medidas tem sido superestimado.
Em discurso recente, Delcy Rodríguez defendeu diplomacia com Washington e sinalizou abertura para reformas no setor petrolífero, com o objetivo de ampliar o acesso de investidores estrangeiros ao país.
Conclusão
A entrega da medalha do Nobel a Trump por María Corina Machado evidencia a disputa política e simbólica em torno do futuro da Venezuela, em um momento de profunda instabilidade. Enquanto a oposição busca apoio internacional para impulsionar a democratização, Trump deixa claro que seus interesses estão centrados em pragmatismo econômico e energético, mantendo o cenário político venezuelano em aberto e repleto de incertezas.



