Fenômeno associado a uma supercélula atingiu Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho; após os estragos, estado permanece sob risco de novas tempestades, inundações e deslizamentos
Um tornado atingiu três municípios da Região Noroeste do Rio Grande do Sul no fim da tarde desta terça-feira (28), deixando ao menos sete pessoas feridas, casas destruídas, propriedades destelhadas, árvores derrubadas e interrupções na rede elétrica.
O fenômeno foi confirmado pela Defesa Civil do estado nos municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho. Segundo o Centro de Monitoramento, o tornado tocou o solo por volta das 18h25 e estava associado a uma supercélula, tempestade caracterizada pela presença de uma corrente ascendente de ar em rotação.
As autoridades ainda trabalham para determinar a extensão dos danos. Um balanço divulgado após a ocorrência indicou que ao menos 70 residências podem ter sido atingidas nos três municípios, mas os números continuam sendo atualizados conforme as equipes conseguem chegar às comunidades afetadas.
Além dos estragos causados pelo tornado, o Rio Grande do Sul permanece sob alerta para inundações, alagamentos, tempestades severas e deslizamentos de terra em diferentes regiões.
Giruá está entre os municípios mais atingidos
Em Giruá, os danos se concentraram principalmente em comunidades localizadas no interior do município. Os primeiros levantamentos apontam que Rincão dos Coimbras, Rincão dos Mellos, Rincão dos Ribeiros, Amaral e Melgarejo estão entre as localidades mais atingidas.
Pelo menos quatro residências sofreram danos severos no município, e quatro pessoas ficaram feridas. Também foram registradas quedas de inúmeras árvores, bloqueios em estradas rurais e prejuízos envolvendo animais.
Imagens gravadas por moradores mostram estruturas destruídas, telhados arrancados e objetos espalhados pela força do vento. A veracidade de um dos principais vídeos que circulam nas redes sociais foi confirmada pelo prefeito de Giruá, Dari Paulo Prestes Taborda (PP).
O município mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, da Secretaria Municipal de Saúde e da Defesa Civil. Ambulâncias foram enviadas para as comunidades atingidas, enquanto servidores iniciaram o atendimento às famílias.
Máquinas trabalham para liberar estradas
A Secretaria de Obras de Giruá também mobilizou servidores, veículos e máquinas pesadas para remover árvores, desobstruir estradas e restabelecer o acesso às localidades rurais.
Os bloqueios dificultaram a chegada das equipes de emergência a algumas propriedades. Por isso, uma das prioridades foi liberar as vias utilizadas por ambulâncias, bombeiros e agentes da Defesa Civil.
O trabalho continuou durante a noite e foi ampliado com o amanhecer, quando as condições de visibilidade permitiram uma avaliação mais precisa da destruição.
Segundo a administração municipal, toda a estrutura disponível permanece mobilizada para preservar vidas, atender as famílias e minimizar os prejuízos provocados pela tempestade.
Sete de Setembro registra feridos e casas destruídas
O tornado também provocou danos no município de Sete de Setembro. De acordo com a Defesa Civil local, três pessoas ficaram feridas e precisaram ser encaminhadas ao hospital.
Duas residências foram completamente destruídas. Outras propriedades também sofreram avarias provocadas pelos ventos, mas o levantamento ainda estava em andamento.
Com os três feridos em Sete de Setembro e os quatro registrados em Giruá, o número confirmado chegou a sete pessoas feridas na região. Até o último balanço, não havia confirmação de mortes relacionadas ao fenômeno.
As equipes municipais passaram a avaliar a necessidade de distribuição de materiais emergenciais, incluindo lonas, telhas, alimentos, água e itens de higiene.
Senador Salgado Filho tem casas destelhadas
Em Senador Salgado Filho, diversas propriedades foram atingidas por destelhamentos, quedas de árvores e danos na rede de distribuição de energia elétrica.
O levantamento inicial indicou que ao menos 12 residências sofreram danos e aproximadamente 50 pessoas foram afetadas. Não havia, até a atualização mais recente, confirmação de feridos no município.
A queda de árvores e de estruturas também prejudicou o deslocamento em áreas rurais. Equipes locais trabalharam para liberar os acessos e avaliar as condições das famílias atingidas.
Os números podem aumentar à medida que novas propriedades forem vistoriadas. Grande parte dos danos ocorreu em comunidades do interior, onde as distâncias e os bloqueios dificultaram a consolidação imediata das informações.
Tornado foi provocado por uma supercélula
Segundo a Defesa Civil, o tornado estava associado a uma supercélula, um tipo de tempestade severa que apresenta uma corrente ascendente de ar em rotação.
Essas formações meteorológicas podem provocar granizo de grande tamanho, chuva intensa, rajadas violentas e tornados. No caso registrado no Noroeste gaúcho, também houve queda de granizo, embora de menor intensidade em algumas localidades.
Um tornado se forma quando uma corrente de ar giratória se estende da base da tempestade em direção ao solo. A formação geralmente apresenta o formato de um funil.
Quando o funil permanece apenas na base da nuvem e não toca a superfície, o fenômeno não é classificado como tornado. A confirmação ocorre quando a circulação alcança o solo e passa a provocar danos ao longo de sua trajetória.
A força do movimento giratório pode arrancar telhados, derrubar árvores, deslocar veículos e retorcer estruturas. Os estragos costumam formar um corredor relativamente estreito, acompanhando o caminho percorrido pelo fenômeno.
Defesa Civil havia emitido alerta antes do tornado
A Defesa Civil estadual informou que emitiu um Alerta Laranja às 17h14, pouco mais de uma hora antes da ocorrência.
O comunicado indicava a possibilidade de tempestade severa, granizo e rajadas intensas de vento. O alerta permaneceria válido até as 20h10.
Entretanto, o órgão explicou que não foi possível identificar antecipadamente a rotação próxima ao solo que indicaria a formação do tornado.
O monitoramento da região era realizado com informações do radar meteorológico localizado em Chapecó, em Santa Catarina. O equipamento estava a aproximadamente 200 quilômetros de distância da tempestade.
Por causa dessa distância, o feixe mais baixo do radar passava a mais de 4,5 quilômetros de altura sobre a área atingida. Essa limitação impediu a observação das camadas mais próximas da superfície, onde a circulação tornádica se desenvolveu.
Distância do radar dificultou previsão mais precisa
O caso evidencia uma dificuldade enfrentada pelo monitoramento meteorológico em regiões afastadas dos radares.
Quanto maior a distância entre o equipamento e a tempestade, maior é a altura em que o sinal passa sobre determinada região. Dessa forma, o radar pode identificar a estrutura geral da tempestade, mas não necessariamente consegue detectar circulações pequenas e próximas ao solo.
A Defesa Civil conseguiu alertar sobre o risco de tempo severo, mas não tinha elementos suficientes para emitir um aviso específico de tornado antes de o fenômeno tocar a superfície.
Por essa razão, o alerta mencionava principalmente chuva intensa, granizo e rajadas de vento, ameaças normalmente associadas às supercélulas.
Levantamento dos danos continua
Equipes da Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil de Santo Ângelo foram enviadas para apoiar os municípios atingidos.
Os agentes trabalham na identificação das famílias afetadas, na contabilização das residências danificadas e na definição dos materiais de ajuda humanitária que deverão ser encaminhados.
As autoridades alertam que os números divulgados nas primeiras horas são preliminares. Algumas localidades só puderam ser acessadas depois da remoção de árvores e da liberação das estradas.
O total de aproximadamente 70 casas atingidas representa um balanço posterior aos primeiros levantamentos municipais, que haviam confirmado danos severos em número menor de imóveis. A dimensão definitiva da destruição dependerá da conclusão das vistorias.
Rio Grande do Sul permanece sob alerta de inundações
Horas depois da passagem do tornado, a Defesa Civil manteve alertas para a elevação de rios em diferentes regiões do estado.
O risco de inundação é elevado em trechos dos rios Taquari, Caí, Jacuí, Sinos e Gravataí, em razão da chuva acumulada e da previsão de novos volumes. No Rio Taquari, há possibilidade de elevação acima da cota de inundação em municípios localizados entre Encantado e Taquari. Defesa Civil alerta para risco de inundação no Rio Taquari.
Nas áreas próximas aos rios, moradores devem acompanhar as orientações municipais e evitar locais alagados. A recomendação é procurar abrigo seguro sempre que houver determinação para saída preventiva.
As chuvas registradas nas cabeceiras das bacias aumentam o risco de elevação rápida dos níveis, mesmo em municípios onde a precipitação local não seja tão intensa.
Taquari pode ultrapassar cota de inundação
O Rio Taquari voltou a apresentar tendência de elevação depois dos grandes volumes de chuva registrados nas cabeceiras da bacia.
A Defesa Civil indicou a possibilidade de o nível ultrapassar temporariamente a cota de inundação em pontos do Vale do Taquari. O cenário é acompanhado com atenção porque centenas de pessoas ainda permanecem em abrigos após episódios recentes de cheia. Alerta aponta possibilidade de o Taquari ultrapassar 19 metros em Lajeado.
Além das grandes bacias hidrográficas, existe a possibilidade de elevação rápida de arroios, córregos e pequenos rios. Esses cursos de água podem reagir rapidamente às chuvas intensas e provocar alagamentos em áreas urbanas e rurais.
Chuvas também aumentam risco de deslizamentos
A instabilidade mantém o risco de movimentos de terra em municípios com encostas e solos encharcados.
Regiões de Novo Hamburgo e Três Coroas estão entre as áreas que exigem atenção para possíveis deslizamentos. A chuva acumulada reduz a estabilidade do solo e pode provocar quedas de barreiras, rachaduras e desabamentos.
Moradores devem observar sinais como inclinação de árvores e postes, aparecimento de rachaduras, movimentação de muros e alterações no escoamento da água.
Em caso de risco, a orientação é deixar o imóvel e acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Estado enfrenta sequência de eventos extremos
O tornado ocorreu em um momento no qual o Rio Grande do Sul já enfrentava chuvas intensas, elevação de rios e deslocamento de famílias.
Antes do fenômeno no Noroeste, municípios de outras regiões já registravam alagamentos e moradores fora de casa. A nova ocorrência aumentou a demanda sobre as equipes estaduais e municipais de emergência.
As prioridades são prestar atendimento aos feridos, garantir abrigo às famílias, restabelecer acessos e fornecer materiais de ajuda humanitária.
Enquanto o levantamento prossegue, a Defesa Civil recomenda que a população acompanhe somente informações divulgadas por canais oficiais e permaneça atenta a novos alertas enviados por telefone.
