Rajadas ainda podem alcançar 50 km/h em áreas de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo; no Sul, redução da chuva não elimina o risco de elevação e transbordamento dos rios
Depois de rajadas superiores a 120 km/h provocarem mortes, quedas de árvores, destelhamentos, interrupções no transporte e falta de energia, os ventos começam a perder intensidade nesta quinta-feira (30). Mesmo assim, áreas do Sudeste, do Centro-Oeste e do litoral da Região Sul ainda podem registrar rajadas moderadas.
A frente fria responsável pela mudança brusca no tempo começou a avançar em direção ao oceano, na altura dos litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Com o afastamento do sistema, diminuem as condições necessárias para a formação de ventos tão intensos quanto os registrados na quarta-feira (29).
A situação ainda exige atenção. Cinco pessoas morreram durante a ventania, sendo três no estado de São Paulo e duas no Rio de Janeiro. Uma pessoa permanecia desaparecida no território fluminense.
Ventos podem alcançar 50 km/h
Embora a tendência seja de enfraquecimento, ainda há possibilidade de rajadas próximas dos 50 km/h em pontos de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, além do litoral da Região Sul.
O Instituto Nacional de Meteorologia mantém avisos para ventos costeiros nesta quinta-feira. As áreas sob atenção incluem trechos do sul da Bahia, do Espírito Santo e do litoral do Rio de Janeiro, especialmente as Baixadas Litorâneas e o Norte Fluminense.
A população deve evitar permanecer próxima de árvores, postes, placas, telhados frágeis e estruturas danificadas, principalmente durante a ocorrência de rajadas. Objetos soltos em varandas e áreas externas também devem ser recolhidos.
Mesmo com velocidades menores, o vento ainda pode derrubar galhos, deslocar telhas e agravar danos provocados durante a passagem mais intensa do fenômeno.
Encontro de massas de ar provocou rajadas intensas
Antes da chegada da frente fria, o Sudeste enfrentava uma combinação de calor e tempo seco. Ao mesmo tempo, uma massa de ar mais fria e úmida avançava a partir da Região Sul.
O encontro entre essas duas massas de ar com características muito diferentes criou um forte contraste de temperatura e umidade. Esse processo acelerou o deslocamento do ar e favoreceu a formação de uma faixa de ventos intensos antes da chegada das nuvens mais carregadas.
Na meteorologia, o fenômeno é conhecido como frente de rajada.
Esse tipo de sistema pode atravessar várias cidades em sequência e provocar ventos fortes mesmo em locais onde a chuva não se torna intensa. Isso acontece porque o ar frio pode avançar à frente das áreas de precipitação.
Foi o que ocorreu em diferentes pontos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Após um período de temperaturas elevadas, a chegada rápida do ar frio provocou uma mudança acentuada nas condições atmosféricas.
Rajadas ultrapassaram os 100 km/h
Na cidade do Rio de Janeiro, os termômetros chegaram aos 35,8°C na quarta-feira. Poucas horas depois, a entrada da frente fria aumentou a nebulosidade, derrubou as temperaturas e provocou rajadas muito fortes.
No Aeroporto Internacional do Galeão, os ventos chegaram a aproximadamente 105 km/h. Em outros pontos atingidos pelo sistema, os registros superaram os 120 km/h.
A passagem do fenômeno deixou árvores caídas, imóveis destelhados e estruturas danificadas. Também foram registrados apagões, interrupções no transporte público, cancelamentos de voos e restrições em atividades portuárias.
Com o resfriamento da atmosfera, o contraste térmico responsável pela intensificação das rajadas diminui. Além disso, a frente fria passa a atuar mais sobre o oceano e deixa de influenciar diretamente grande parte do Sudeste.
Isso não significa que o vento cessará imediatamente. Novas rajadas ainda podem ocorrer ao longo desta quinta-feira, mas a previsão não indica a repetição generalizada dos valores extremos observados no dia anterior.
São Paulo terá muitas nuvens e queda de temperatura
A frente fria mantém o céu encoberto e pode provocar chuva em diferentes áreas de São Paulo.
No oeste e no sudoeste paulista, a precipitação pode ocorrer desde a madrugada. As instabilidades também alcançam outros pontos do interior ao longo do dia, com possibilidade de pancadas acompanhadas por trovoadas.
No leste do estado, incluindo a capital e o litoral, o céu permanece com muitas nuvens. A chuva deve ocorrer de maneira mais fraca e isolada, intercalada com períodos de melhora.
Na cidade de São Paulo, o sol pode aparecer entre nuvens e a temperatura máxima deve ficar próxima dos 24°C. Durante a madrugada, os termômetros ficam em torno dos 14°C.
A queda de temperatura será mais perceptível no leste e no sul paulista. Durante a passagem da frente fria, algumas áreas da Região Metropolitana já haviam registrado redução de aproximadamente 8°C no intervalo de uma hora.
Apesar da mudança no tempo, o ar seco continua predominando no norte e no noroeste do estado. Nessas regiões, a umidade relativa pode ficar próxima ou abaixo dos 20% durante a tarde.
Rio de Janeiro ainda pode ter chuva e rajadas
No estado do Rio de Janeiro, a entrada de ventos frios e úmidos vindos do oceano mantém a presença de muitas nuvens.
Há previsão de chuva fraca a moderada, principalmente no litoral, na Região dos Lagos e no centro-sul fluminense. As rajadas ainda podem ocorrer, mas devem permanecer abaixo das velocidades extremas registradas na quarta-feira.
Na capital, a previsão indica sol entre muitas nuvens, possibilidade de chuva fraca e temperatura máxima próxima dos 28°C.
O litoral fluminense permanece entre as áreas que exigem maior atenção por causa da atuação dos ventos costeiros. Estruturas que foram danificadas durante o temporal anterior podem apresentar maior vulnerabilidade mesmo diante de rajadas menos intensas.
Minas Gerais enfrenta calor e baixa umidade
A maior parte de Minas Gerais continua sob condições de tempo firme nesta quinta-feira.
A umidade transportada do oceano pode aumentar a nebulosidade na Zona da Mata e no leste mineiro. Apesar disso, a possibilidade de chuva permanece baixa na maior parte dessas regiões.
Em Belo Horizonte, o dia terá predomínio de sol, com a temperatura máxima variando entre 29°C e 31°C.
A principal preocupação está relacionada à baixa umidade no norte, no oeste e no noroeste do estado. Nessas áreas, os índices podem ficar entre 12% e 20%, patamar que exige atenção com a hidratação e a exposição prolongada ao sol.
Espírito Santo permanece sob influência dos ventos marítimos
No Espírito Santo, a circulação de umidade vinda do mar favorece a ocorrência de chuva fraca e isolada nas áreas próximas ao litoral.
Os ventos podem ganhar intensidade principalmente no sul e no centro do estado. O litoral capixaba também está incluído na faixa de atenção para ventos costeiros.
A previsão indica que as rajadas serão menos intensas do que as registradas durante o avanço inicial da frente fria, mas ainda podem causar problemas pontuais.
Chuva diminui no Sul, mas rios continuam elevados
Depois de vários dias marcados por chuva forte e temporais, o Rio Grande do Sul e grande parte de Santa Catarina terão uma redução das precipitações nesta quinta-feira.
Com o afastamento da frente fria e a entrada de ar mais seco, o sol volta a aparecer entre nuvens. A chuva fica mais restrita a pontos da metade norte gaúcha e da região de divisa com Santa Catarina.
A melhora do tempo, entretanto, não representa o fim do risco hidrológico.
Rios e arroios continuam elevados em razão dos grandes volumes acumulados desde o início da semana. Mesmo sem chuva intensa no local, o nível pode continuar subindo porque a água das áreas mais altas demora a chegar aos cursos principais.
As bacias dos rios Uruguai, Guaíba, Taquari e Caí permanecem sob atenção. Ainda há possibilidade de novas elevações e transbordamentos, especialmente em áreas onde o solo está encharcado.
No Paraná, a chuva continua possível no oeste, no noroeste e no interior. Algumas pancadas podem ser acompanhadas por trovoadas e apresentar intensidade elevada.
Nova frente fria deve chegar no sábado
A trégua na chuva do Rio Grande do Sul deverá ser curta. No sábado (1º), uma nova frente fria associada a uma área de baixa pressão entre a Argentina e o Uruguai volta a provocar instabilidades.
As primeiras pancadas devem atingir a Campanha, o oeste e o sul gaúcho durante a madrugada e a manhã. No decorrer do dia, a chuva avança pelas Missões, Região Central, Costa Doce, Vales, Noroeste e Região Metropolitana de Porto Alegre.
Há possibilidade de chuva forte, descargas elétricas e novas rajadas de vento, principalmente na Campanha, no oeste, nas Missões e na Região Central.
Como os rios ainda estarão elevados e o solo permanecerá saturado, os novos volumes podem agravar alagamentos e inundações. Encostas e estruturas localizadas em áreas vulneráveis também exigem acompanhamento.
Mato Grosso do Sul pode ter chuva e trovoadas
No Centro-Oeste, as instabilidades se concentram principalmente em Mato Grosso do Sul. O estado pode registrar pancadas de chuva, trovoadas e rajadas próximas dos 50 km/h.
Em Mato Grosso, existe possibilidade de precipitação isolada. Goiás e o Distrito Federal permanecem com tempo firme e índices de umidade inferiores a 20% em algumas áreas.
O cenário de baixa umidade aumenta o risco de problemas respiratórios e de propagação de incêndios. A recomendação é reforçar a hidratação e evitar atividades físicas intensas nos períodos mais quentes do dia.
Norte tem pancadas, enquanto interior do Nordeste segue seco
No Nordeste, a chuva fica concentrada principalmente na faixa litorânea entre o norte da Bahia e o Rio Grande do Norte, além de trechos do litoral cearense.
No interior da região, o tempo continua quente e seco. No oeste baiano, a umidade relativa do ar também pode ficar abaixo dos 20%.
Na Região Norte, há previsão de pancadas moderadas a fortes em áreas do Amazonas, de Roraima, do Amapá e do Pará.
O sul do Pará e o Tocantins permanecem sob influência de uma massa de ar seco, com temperaturas elevadas e baixos índices de umidade.
Atenção deve continuar mesmo após enfraquecimento
A previsão indica um enfraquecimento gradual dos ventos que atingiram o Centro-Sul do país, mas os efeitos do temporal ainda exigem cuidado.
No Sudeste, o principal risco está nas rajadas remanescentes e em estruturas já comprometidas. No Sul, a preocupação se concentra no nível dos rios e na chegada de uma nova frente fria durante o fim de semana.
A redução da chuva e do vento não elimina imediatamente os perigos, especialmente em regiões com árvores danificadas, solo encharcado, imóveis destelhados ou cursos d’água próximos do limite de transbordamento.
