Governador afirma que o Estado manteve diálogo com a categoria, enquanto sindicato diz que greve ocorre por falta de garantia formal de manutenção dos empregos.
A greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), iniciada na manhã desta terça-feira (4), provocou alterações na circulação dos trens e levou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a criticar duramente a paralisação. Em publicação nas redes sociais, o governador afirmou que o movimento é resultado de uma “instrumentalização política” e que prejudica diretamente os passageiros.
Segundo Tarcísio, o Governo do Estado permaneceu aberto ao diálogo durante as negociações e garantiu que a concessão das linhas tem como objetivo modernizar o sistema ferroviário paulista.
“A aposta na baderna e na paralisação dos serviços não vai intimidar o governo, que esteve e seguirá aberto ao diálogo”, declarou o governador. Ele afirmou ainda que a concessão permitirá investimentos em novos trens, melhorias na infraestrutura, ampliação das linhas e aumento da confiabilidade do sistema.
O governador também disse que foram apresentadas garantias para a manutenção dos empregos dos trabalhadores, mas que as propostas teriam sido rejeitadas pelo sindicato, que, segundo ele, também desconsiderou a decisão da Justiça do Trabalho.
Operação afetada
A paralisação atinge as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM.
Durante a manhã, a Linha 11-Coral operou parcialmente entre Barra Funda e Guaianases. A Linha 12-Safira circulou apenas entre Brás e Engenheiro Goulart, enquanto a Linha 13-Jade teve a operação totalmente interrompida.
Para reduzir os impactos aos passageiros, o Governo de São Paulo acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), disponibilizando 128 ônibus gratuitos para atender usuários em trechos afetados.
Além disso, o Metrô antecipou a abertura das Linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata para as 4h e reforçou a circulação de trens, especialmente na Linha 3-Vermelha.
As demais linhas da CPTM não foram afetadas. As linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda seguem operando normalmente por serem administradas pela iniciativa privada, enquanto a Linha 10-Turquesa também mantém a circulação habitual.
Sindicato contesta governo
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil afirma que a greve foi mantida porque o governo estadual não apresentou uma garantia formal de preservação dos empregos dos funcionários da CPTM durante o processo de concessão das linhas.
Segundo a entidade, representantes da categoria se reuniram na segunda-feira (3) com integrantes do Governo do Estado, mas o encontro terminou sem acordo.
Entre as principais reivindicações estão a garantia dos postos de trabalho, a reestatização das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, além da aprovação do Projeto de Lei nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), que prevê a absorção dos funcionários da CPTM por órgãos da administração pública estadual após as concessões.
O que diz a CPTM
Em nota, a CPTM lamentou a paralisação e informou que apresentou propostas durante as negociações com a categoria.
A companhia destacou ainda que recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento da decisão judicial, o sindicato poderá ser multado em R$ 400 mil por dia.
