Search
Close this search box.

Quaest: Lula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro e lidera 2º turno com 44%

Levantamento Genial/Quaest aponta o presidente à frente do senador em uma eventual disputa presidencial de 2026. Pesquisa também mediu a reação dos eleitores ao caso envolvendo Daniel Vorcaro, às tarifas dos Estados Unidos e à classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas


Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno, aponta Quaest

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno para a Presidência da República.

De acordo com o levantamento, Lula aparece com 44% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 38%. Brancos, nulos e eleitores que afirmam que não votariam somam 14%, enquanto os indecisos representam 4%.

O resultado marca uma mudança em relação ao cenário anterior, quando havia empate técnico entre os dois nomes. Em maio, Lula tinha 42%, e Flávio Bolsonaro aparecia com 41%. Em abril, o senador estava numericamente à frente, com 42%, contra 40% de Lula. Já em março, os dois apareciam numericamente empatados, com 41% cada.

Com os novos números, Lula abre seis pontos percentuais de vantagem sobre Flávio Bolsonaro no cenário de segundo turno testado pela Quaest.


Levantamento ocorre após crise envolvendo Vorcaro e medidas dos Estados Unidos

A pesquisa de junho é a primeira divulgada pela Quaest desde a revelação de diálogos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, banqueiro preso em investigação sobre fraudes ligadas ao Banco Master.

O levantamento também foi realizado após medidas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos que impactam diretamente o Brasil, incluindo a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros e a decisão de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas.

Segundo a avaliação do diretor da Quaest, Felipe Nunes, a mudança mais expressiva ocorreu entre os eleitores independentes, grupo formado por pessoas que não se identificam nem como lulistas, nem como bolsonaristas, nem como integrantes da direita ou da esquerda.

Nesse segmento, Lula passou de 29% para 37%, enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 31% para 24%. Outros 30% dos independentes afirmam que não votariam em nenhum dos dois em um eventual segundo turno.


Eleitores independentes ganham peso na disputa

Os eleitores independentes representam cerca de um terço do eleitorado e podem ter papel decisivo em uma disputa presidencial apertada. Por isso, a movimentação registrada pela pesquisa chama atenção dentro do cenário eleitoral.

A Quaest indica que a perda de força de Flávio Bolsonaro nesse grupo ocorreu em meio à repercussão de temas recentes, como a relação com Daniel Vorcaro e as novas tensões entre Brasil e Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a pesquisa aponta melhora na percepção sobre o governo Lula, em um momento marcado por medidas econômicas anunciadas nos últimos meses, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda e o novo programa Desenrola, voltado a famílias endividadas.

Apesar da vantagem de Lula no levantamento atual, a disputa segue em um patamar mais competitivo do que no início da série histórica. Em agosto de 2025, quando a Quaest começou a testar esse cenário, Lula tinha 16 pontos de vantagem. Em dezembro, essa diferença caiu para 10 pontos, período em que Flávio Bolsonaro anunciou sua pré-candidatura.


Caso Master pesa na percepção sobre Flávio Bolsonaro

A pesquisa também mediu a percepção dos entrevistados sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Segundo o levantamento, 65% dos entrevistados avaliam que Flávio errou ao pedir dinheiro a Vorcaro para bancar a produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Outros 58% consideram que o senador pode estar escondendo algum envolvimento ilegal com o Banco Master, enquanto 62% afirmam acreditar que Flávio sabia que Vorcaro estava envolvido em corrupção.

A Quaest também aponta que aumentou de 9% para 16% o percentual de brasileiros que acreditam que a crise do Banco Master afeta mais a família Bolsonaro.

Esse bloco da pesquisa ajuda a explicar parte da oscilação negativa de Flávio Bolsonaro no cenário de segundo turno, especialmente entre eleitores independentes e entre setores da direita não bolsonarista.


Tarifas dos Estados Unidos também entram no debate eleitoral

Outro ponto medido pela Quaest foi a reação dos eleitores às medidas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil.

Sobre as novas tarifas propostas pela Casa Branca, 47% dos entrevistados dizem concordar mais com Lula, que acusa Flávio Bolsonaro de ter influenciado a decisão. Outros 35% afirmam concordar mais com Flávio, que nega ter pedido a aplicação de novas tarifas contra o país e diz ter atuado para evitar punições comerciais.

A pesquisa também mostra que 53% dos entrevistados acreditam que as punições impostas pelos Estados Unidos podem prejudicar empresas e bancos brasileiros.

Além disso, 46% dos entrevistados consideram que os Estados Unidos estão punindo o Brasil por causa do Pix, enquanto 36% avaliam que a medida seria uma retaliação a críticas feitas por Lula ao governo norte-americano.


Classificação de organizações criminosas divide entrevistados

A Quaest também perguntou aos eleitores sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas.

O levantamento mostra divisão no eleitorado sobre a medida adotada pelo governo norte-americano. 45% concordam com a classificação feita pelos Estados Unidos, enquanto outros 45% discordam. Os que não souberam ou preferiram não responder somam 10%.

Quando a pergunta trata da possibilidade de o próprio governo brasileiro classificar organizações criminosas como terroristas, o resultado muda. Nesse caso, 60% afirmam que o Brasil deveria adotar essa classificação, enquanto 29% discordam. Outros 11% não souberam ou não responderam.

A pesquisa também aponta que 47% dos entrevistados acreditam que Flávio Bolsonaro influenciou Donald Trump na decisão, enquanto 37% dizem que ele não teve participação. Os demais não souberam ou preferiram não responder.


Outros cenários de segundo turno também foram testados

Além da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, a Genial/Quaest testou outros cenários de segundo turno envolvendo o presidente e nomes da direita ou do campo de oposição.

Contra Renan Santos, do Missão, Lula aparece com 45%, enquanto Renan registra 31%. Brancos, nulos e eleitores que não votariam somam 20%, e os indecisos são 4%. O resultado representa o melhor desempenho de Renan Santos na série histórica da Quaest, embora ele ainda apareça menos competitivo do que Flávio Bolsonaro no confronto direto contra Lula.

Em um cenário contra Romeu Zema (Novo), Lula tem 45%, enquanto Zema aparece com 35%. Brancos, nulos e eleitores que não votariam somam 17%, e os indecisos representam 3%.

No cenário contra Ronaldo Caiado (PSD), Lula aparece com 45%. O desempenho de Caiado foi apresentado com variações nas divulgações sobre o levantamento, mas o cenário indica uma disputa mais apertada em relação a outros nomes testados pela Quaest.


Metodologia da pesquisa

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho de 2026.

As entrevistas foram realizadas de forma presencial. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo Banco Genial e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07661/2026.


Resultado mostra mudança no cenário eleitoral

A nova rodada da Quaest indica uma alteração no cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Depois de meses de empate técnico ou vantagem numérica apertada, o presidente aparece agora com vantagem de seis pontos percentuais sobre o senador.

A pesquisa também sugere que temas recentes, como a crise envolvendo o Banco Master, a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos e o debate sobre organizações criminosas, passaram a influenciar a percepção dos eleitores.

Ainda assim, o quadro eleitoral permanece em construção. A disputa de 2026 ainda depende da confirmação das candidaturas, das alianças políticas, da evolução da economia, da agenda internacional e do impacto de novos fatos sobre a opinião pública.

No recorte atual da Quaest, Lula lidera o cenário de segundo turno com 44%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 38%, em uma pesquisa que marca um novo momento da pré-campanha presidencial.

Veja também