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Ancelotti inicia renovação da Seleção e encerra ciclo de Neymar, Casemiro e Danilo

Após a eliminação para a Noruega na Copa do Mundo, treinador admite erros, aposta em jovens e estabelece a Copa América de 2028 como primeira missão do novo Brasil


A derrota para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 não encerrou apenas a participação brasileira no torneio. Para o técnico Carlo Ancelotti, o resultado também marcou o fim do ciclo de uma geração importante da Seleção Brasileira.

Em entrevista concedida pouco mais de três semanas depois da eliminação, o treinador confirmou que pretende promover uma renovação ampla no elenco. Neymar, Casemiro e Danilo foram citados diretamente como jogadores que chegaram ao fim de suas trajetórias com a camisa do Brasil.

A mudança não será completa ou imediata. Alguns atletas experientes, como o zagueiro Marquinhos, ainda podem continuar para auxiliar na transição. A prioridade, entretanto, passa a ser a identificação de jovens capazes de disputar a Copa América de 2028 e, posteriormente, a Copa do Mundo de 2030.


Neymar, Casemiro e Danilo encerram ciclo na Seleção

Ao analisar o futuro da equipe, Ancelotti declarou que a Copa do Mundo representou o encerramento de uma geração formada por jogadores com mais de 30 anos.

O treinador começou a lista por Neymar e, na sequência, mencionou Casemiro e Danilo. Os três exerceram papéis de liderança durante diferentes momentos recentes da Seleção e estiveram no grupo brasileiro no Mundial de 2026.

“Acho que com essa Copa do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses jogadores que na Copa do Mundo tinham mais de 30 anos”, afirmou.

Ao ser questionado sobre uma eventual presença dos veteranos nos próximos amistosos, Ancelotti indicou que pretende utilizar as partidas para observar atletas mais jovens e ainda pouco conhecidos pela comissão técnica.

O treinador também revelou que já conversou com alguns dos jogadores afetados pela decisão. Segundo ele, o fim de um ciclo é um processo natural na carreira de qualquer atleta.


Neymar já havia anunciado despedida da Seleção

A declaração de Ancelotti ocorreu depois de Neymar afirmar que não pretende mais defender o Brasil.

O atacante disse que seu tempo na equipe nacional chegou ao fim e demonstrou orgulho pela trajetória construída com a camisa brasileira. Aos 34 anos, ele encerra a passagem como maior artilheiro da história da Seleção em números reconhecidos pela Fifa, com 80 gols em 130 partidas.

Neymar participou de quatro edições da Copa do Mundo e conquistou a Copa das Confederações de 2013. Também integrou a geração campeã olímpica no Rio de Janeiro, em 2016, embora o torneio tenha sido disputado pela equipe olímpica.

A Copa de 2026 ficou marcada por problemas físicos e pela utilização limitada do atacante. Depois de chegar ao torneio ainda em recuperação, ele participou da fase final da campanha brasileira e entrou durante a derrota para a Noruega.

Ancelotti afirmou que a decisão de levar o jogador ao Mundial foi correta e destacou o comportamento do camisa 10 durante a competição. Mesmo assim, confirmou que a Seleção agora seguirá em outra direção.


Marquinhos pode representar continuidade no elenco

Apesar de anunciar uma renovação significativa, Ancelotti descartou a possibilidade de substituir todos os 26 jogadores que estiveram na Copa.

O treinador considera importante manter alguns atletas experientes para preservar parte do trabalho desenvolvido e ajudar os mais jovens durante a transição. Marquinhos foi citado como um dos jogadores que ainda podem ter espaço no próximo ciclo.

Para Ancelotti, o defensor pode oferecer liderança e continuidade em um momento de mudanças. A intenção é construir um elenco mais jovem sem eliminar completamente as referências que conhecem a rotina e a pressão de representar o Brasil.

“Não vou dizer que vou mudar todos os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem seguir com a linha de trabalho, como o Marquinhos”, explicou.

A renovação, portanto, será gradual, mas terá como direção principal o rejuvenescimento da equipe.


Copa América de 2028 será o primeiro objetivo

Embora a preparação tenha a Copa do Mundo de 2030 como horizonte, Ancelotti estabeleceu uma meta anterior para o novo grupo.

O treinador considera a Copa América de 2028 o primeiro grande teste da próxima geração. A ideia é chegar ao torneio continental com uma equipe renovada, competitiva e capaz de disputar o título.

O planejamento representa uma mudança em relação ao ciclo anterior. Ancelotti assumiu a Seleção em maio de 2025 e teve pouco mais de um ano para preparar o Brasil para o Mundial de 2026.

Agora, o italiano terá quatro anos para observar jogadores, ajustar o estilo da equipe e desenvolver novas lideranças.

O tempo maior, porém, não reduz a cobrança. Depois da eliminação precoce na Copa, o Brasil precisa equilibrar a reconstrução do elenco com a necessidade de voltar a conquistar títulos.


Amistosos serão utilizados para testar jovens

Os próximos amistosos terão papel fundamental no início da reformulação. A comissão técnica pretende utilizar as partidas para avaliar atletas que ainda receberam poucas oportunidades na equipe principal.

O Brasil já tem dois confrontos previstos contra a Austrália em setembro. A Confederação Brasileira de Futebol também negocia outros compromissos internacionais, incluindo uma possível partida contra a Índia.

Ancelotti afirmou que os amistosos serão usados para conhecer melhor os novos jogadores, analisar o talento disponível e acompanhar a evolução de cada atleta.

A comissão técnica também pretende ampliar a relação com os clubes. Como os jovens permanecem a maior parte do tempo em suas equipes, o treinador considera indispensável acompanhar o desenvolvimento em conjunto com os profissionais responsáveis pela formação diária.

Estêvão, Rayan, Endrick e Vitor Reis estão entre os nomes mencionados por Ancelotti como peças importantes para o futuro.


Seleção Sub-20 ganha importância no planejamento

A aproximação com as categorias de base será outro ponto central do novo ciclo.

Ancelotti defendeu uma conexão mais forte entre a Seleção principal e as equipes Sub-15, Sub-17 e Sub-20. O objetivo é identificar atletas que possam participar dos Jogos Olímpicos e, posteriormente, chegar em condições de disputar a Copa do Mundo de 2030.

A comissão técnica manterá contato direto com os treinadores das categorias inferiores e acompanhará de perto as principais competições de base.

Para Ancelotti, a Seleção pode auxiliar no desenvolvimento, mas os clubes continuam sendo fundamentais na formação. O treinador também reconheceu que muitos jovens brasileiros deixam o país cedo e podem encontrar dificuldades para receber minutos nas equipes europeias.

O italiano considera que permanecer por mais tempo no futebol brasileiro pode ajudar determinados talentos a evoluir antes da transferência internacional.


Ancelotti quer encontrar novos meio-campistas

Uma das prioridades da comissão técnica será encontrar meio-campistas com capacidade para controlar o ritmo das partidas.

Ao analisar a eliminação para a Noruega, Ancelotti comparou as características do Brasil com as da Espanha. Segundo ele, a equipe espanhola conseguiu sustentar um jogo de maior posse porque contava com vários jogadores de alto nível no meio-campo.

O Brasil, por outro lado, foi formado com atacantes rápidos e capazes de explorar espaços, como Vinicius Júnior, Endrick, Estêvão e Raphinha. Por isso, o treinador apostou em um estilo mais vertical.

Para o próximo ciclo, a chegada de meio-campistas com maior capacidade de organização pode permitir que a Seleção também controle os jogos por meio da posse de bola.

Ancelotti afirmou que o estilo não deve ser escolhido apenas por tradição. O modelo precisa respeitar as características dos jogadores disponíveis.


Novos goleiros também serão observados

A renovação deve alcançar ainda a posição de goleiro.

Na Copa do Mundo, o Brasil contou com Alisson, Ederson e Weverton, três nomes experientes. Ancelotti reconheceu a qualidade de Alisson e Ederson, mas afirmou que pretende observar novos atletas.

O treinador destacou que há jovens goleiros atuando no Campeonato Brasileiro e demonstrando potencial para integrar a Seleção.

A comissão técnica fará uma avaliação detalhada antes de decidir quem permanecerá no grupo e quais jogadores receberão oportunidades nos próximos compromissos.

Assim como acontecerá em outras posições, a mudança não significa necessariamente o afastamento imediato de todos os veteranos. A intenção é ampliar as opções e preparar sucessores para 2028 e 2030.


Técnico admite erro contra a Noruega

Além de apresentar os planos para o futuro, Ancelotti fez uma autocrítica sobre a eliminação brasileira na Copa do Mundo.

O treinador reconheceu que as substituições realizadas no segundo tempo contra a Noruega prejudicaram a estrutura da equipe. Neymar e Danilo Santos entraram nas vagas de Gabriel Martinelli e Rayan pouco antes da parada para hidratação.

Ancelotti pretendia aumentar a qualidade ofensiva e recuperar o controle da partida. O efeito, segundo sua própria avaliação, foi diferente.

“A autocrítica que eu posso fazer é que mudei a estrutura do time depois da parada para hidratação e aí perdemos o controle do jogo”, afirmou.

O italiano ressaltou que precisava tomar uma decisão em uma partida eliminatória. Algumas escolhas são premiadas pelo resultado, enquanto outras acabam se tornando erros.

O Brasil foi derrotado por 2 a 1 pela Noruega e sofreu sua eliminação mais precoce em uma Copa do Mundo desde 1990.


Posse de bola não é prioridade absoluta para Ancelotti

Um dos principais questionamentos após a derrota foi a baixa posse de bola da Seleção diante da Noruega.

Ancelotti relativizou a estatística e afirmou que parte do controle norueguês aconteceu no próprio campo defensivo. Para o treinador, o número isolado não determina qual equipe esteve mais próxima da vitória.

O italiano defendeu um jogo vertical, construído para aproveitar a velocidade e a capacidade de profundidade dos atacantes brasileiros.

Na avaliação do técnico, exigir um sistema baseado exclusivamente na posse poderia limitar as principais características de jogadores como Vinicius Júnior, Endrick e Estêvão.

A proposta poderá mudar caso surjam novos meio-campistas com qualidade para controlar a bola. O modelo da Seleção será adaptado ao perfil dos atletas disponíveis, e não definido apenas por uma ideia fixa de jogo.


Eliminação provocou período de reflexão

Ancelotti admitiu que a derrota teve um impacto pessoal profundo. Após a Copa, o treinador viajou ao Canadá para ficar próximo da família, descansar e refletir sobre os erros cometidos.

Segundo ele, uma eliminação em Copa do Mundo é diferente de uma derrota no futebol de clubes. Em uma equipe, existe a possibilidade de disputar outra partida poucos dias depois. Na Seleção, a espera por uma nova competição importante pode durar anos.

O treinador declarou que não dormiu na noite seguinte à derrota e precisou de tempo para assimilar a decepção.

Mesmo reconhecendo os erros contra a Noruega, Ancelotti defendeu o trabalho realizado durante o primeiro ano. Para ele, a avaliação dos jogadores e a escolha dos 26 convocados foram corretas diante das informações disponíveis naquele momento.


Ancelotti recusou convite da Itália

Durante a entrevista, o treinador também confirmou que foi procurado para assumir a seleção da Itália.

Ancelotti afirmou que a permanência no Brasil não foi determinada apenas pelo contrato, mas pelo compromisso construído ao longo do primeiro ano de trabalho.

O técnico disse ter sido bem recebido no país e garantiu que pretende continuar à frente da Seleção durante o processo de reconstrução.

Ele também reforçou que mora no Rio de Janeiro, paga impostos no Brasil e mantém residência fiscal no país, embora passe alguns períodos em sua casa no Canadá.

A decisão afasta, ao menos neste momento, a possibilidade de interrupção do projeto antes da Copa América de 2028.


Brasil inicia novo ciclo pressionado por títulos

A Seleção entrará no novo ciclo carregando a decepção da eliminação diante da Noruega e a pressão provocada pelo longo período sem conquistar uma Copa do Mundo.

O último título mundial brasileiro foi obtido em 2002. Até 2030, serão 28 anos de espera pelo hexacampeonato.

Ancelotti acredita que o Brasil possui qualidade técnica, estrutura e conhecimento metodológico para voltar a figurar entre as melhores seleções do planeta. O desafio será transformar o talento disponível em uma equipe equilibrada e competitiva.

A Copa América de 2028 funcionará como a primeira grande avaliação do projeto. Até lá, amistosos, competições de base e observações no Campeonato Brasileiro serão usados para formar o novo grupo.

O fim dos ciclos de Neymar, Casemiro e Danilo simboliza o encerramento de uma era. A partir de agora, a missão de Ancelotti será preparar uma geração capaz de iniciar outra história.